O Banco Central aproveitou a perspectiva de fim da guerra no Irã para cortar a Selic em 0,25 ponto, para 14,25% ao ano, mesmo com a forte piora do cenário para a inflação. Para a próxima reunião, as indicações do comunicado foram ambíguas, mas a tendência é de continuidade da queda. O que chamou a atenção no texto foi o recado dado ao governo Lula, de que as políticas de estímulo são um fator a mais para pressionar os preços.De um lado, o BC brasileiro reiterou em seu comunicado que o clima é de cautela e incertezas, mesmo com a perspectiva de fim da guerra no Irã. Houve piora nas projeções do mercado, desde a reunião de abril, piora nas projeções do próprio Banco Central (de 3,5% para 3,7% no quarto trimestre de 2027), e piora também no balanço de riscos, que incorporou o El Niño e um quarto item na lista de fatores que podem impulsionar os preços no País.Reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central (BC) Foto: (Foto: Beto Nociti/BCB)PUBLICIDADEE não foi um quarto item qualquer. O BC reclamou das políticas de estímulo ao consumo do governo Lula, que vem acontecendo em ano eleitoral e podem levar a um crescimento da economia acima do potencial e diminuir também a potência da política monetária.“Estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”, alertou o BC.Mas, por outro lado, o Banco Central deixou uma forte indicação de que, na reunião de agosto, os cortes devem continuar. Ele lembrou que estará mirando o primeiro trimestre de 2028, e que há risco de a inflação ficar abaixo da meta em vários cenários para a Selic. PublicidadeLeia maisCopom corta o juro, mas despejo de moeda na economia pelo governo federal trabalha contra o BC“Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, disse.O fim da guerra é o que pode mudar para melhor o cenário. Mas a primeira reunião do Fed nesta quarta sob Kevin Warsh, indicado por Trump, foi com recados duros, de que os juros por lá podem subir. Isso derrubou as bolsas e fortaleceu o dólar.O BC sabe que os juros estão muito elevados e quer cortar a taxa. Tudo seria mais fácil se o governo Lula ajudasse.