PUBLICIDADE Decisão foi unâmine em comitê liderado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em sessão solene na Câmara — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 19:23 Banco Central reduz Selic para 14,25%, mas inflação preocupa futuros cortes O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,25%, em decisão unânime do Copom, marcando o terceiro corte consecutivo. Apesar do alívio nos juros, o BC deixou em aberto os próximos passos devido à inflação pressionada por fatores como a guerra no Oriente Médio e eventos climáticos. O mercado esperava o corte, mas vê limitado o espaço para novos ajustes. A inflação segue elevada, com riscos ligados ao consumo e estímulos econômicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual no Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, de 14,50% para 14,25% ao ano, em decisão unânime. O movimento era esperado pela maioria do mercado financeiro e representou o terceiro corte consecutivo desta magnitude do ciclo de alívio dos juros iniciado em março, quando a Selic estava em 15%. O BC, no entanto, deixou os próximos passos em aberto, apontando maior preocupação com a inflação diante de uma atividade econômica que voltou a se fortalecer e das incertezas em relação à guerra no Oriente Médio e com eventos climáticos. A autoridade monetária também passou a considerar como risco de alta para inflação "estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo", em meio ao lançamento de novos programas pelo governo Lula. Segundo pesquisa do Valor Pro com 112 instituições financeiras, 94 esperavam corte de 0,25pp dos juros, para 14,35%, e outras 18 projetavam manutenção em 14,50%. No Copom anterior, em abril, o BC havia indicado que planejava continuar o ciclo de “calibração” dos juros, mas sem detalhar o ritmo e a extensão de seus próximos passos. Essa cautela foi adotada pelo colegiado em virtude das incertezas no cenário externo provocadas pela guerra no Oriente Médio, mas também sobre a velocidade de desaceleração da atividade econômica brasileira, essencial para a tarefa do BC de colocar a inflação na meta. “Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, disse o BC, na ata do Copom de abril. “Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, completou. Em abril, a projeção oficial do Copom para o IPCA, que utiliza a taxa Selic do Boletim Focus, era de 4,6% no fim de 2026 e de 3,5% no fim de 2027. O último horizonte é o prazo com o qual o BC trabalha atualmente para colocar a inflação na meta. O alvo é de 3,0%, com nível de tolerância entre 1,5% e 4,5%. As expectativas do mercado, por sua vez, eram de 4,9% e 4% para 2026 e 2027, nessa ordem, no último Copom e subiram para 5,3% e 4,1% na última pesquisa Focus, encerrada na sexta-feira passada. Essa disparada das projeções, na avaliação dos economistas, reduz o espaço para novos cortes da Selic à frente. Antes da decisão desta quarta-feira, não era desprezível a corrente que acreditava que a queda recém-definida poderia ser a última de um ciclo muito breve. O gatilho para o aumento das expectativas de inflação foi o início da guerra no Irã, que provocou um forte impacto nos preços de petróleo globalmente. No entanto, a expectativa de um cessar-fogo com o recente acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã não deve mudar o jogo para a política de juros no Brasil, segundo analistas. A questão é que a inflação brasileira já mostra aumentos mais difundidos entre os grupos de preços, e não só restritos aos impactos nos combustíveis. Além disso, há a perspectiva de alta em alimentos devido ao clima, com a previsão de um El Niño muito forte este ano. Outro ponto de preocupação é que a atividade econômica brasileira continua bastante resiliente e pode se fortalecer mais com os programas lançados pelo governo federal recentemente, como novas linhas de crédito.