Texto divulgado não trouxe sinalização sobre os próximos passos do BC 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede do Banco Central, em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 20:28 Ata do Copom revela corte na Selic e incertezas sobre inflação e futuros passos O Banco Central divulga hoje a ata do Copom, detalhando a decisão de cortar a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. O documento deve oferecer uma análise aprofundada do cenário econômico, mantendo-se vago sobre futuros passos. A recente comunicação do comitê, que "alongou o horizonte relevante" para justificar o corte, gerou incertezas no mercado, sugerindo possível tolerância maior com inflação acima da meta. A ata pode esclarecer a continuidade dos cortes ou manter os próximos passos em aberto, dependendo dos dados econômicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Banco Central (BC) divulgará hoje a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada. O documento deve detalhar a decisão unânime de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, mas é aguardado especialmente pelo mercado para desfazer dúvidas deixadas pelo comunicado da decisão na semana passada. A tendência é que o BC aprofunde sua avaliação sobre o cenário econômico, mas mantenha a estratégia de não dar muitas pistas sobre os próximos passos na condução dos juros. A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. O mercado financeiro aguarda com especial atenção as explicações sobre a mudança na comunicação do comitê, que decidiu "alongar o horizonte relevante" da política monetária para justificar o corte. Essa sinalização gerou ruídos e pressão nos juros futuros e no câmbio nos dias seguintes ao anúncio, com analistas apontando uma possível maior tolerância do BC com desvios da inflação acima da meta de 3%. No comunicado divulgado após a reunião da quarta-feira passada, o Copom destacou que o cenário doméstico apresentou indicadores de atividade econômica mais fortes no primeiro trimestre do ano, além de uma aceleração em medidas de inflação subjacente. Externamente, a autoridade monetária citou a incerteza persistente devido aos conflitos no Oriente Médio e a postura conservadora do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A ata desta terça-feira deve esclarecer ainda se o ciclo de cortes terá continuidade ou se os próximos passos ficarão em aberto, dependendo da evolução dos dados econômicos e da ancoragem das expectativas de inflação, que voltaram a subir nas últimas semanas. 'BC precisa dar explicação clara', diz Meirelles Para o ex-presidente do BC Henrique Meirelles, as atenções estarão todas voltadas para a ata do Copom, que será divulgada hoje: — Na ata, o BC precisa dar explicação clara da estratégia dele aos atores econômicos. Há um risco sobre a credibilidade do BC. Ele precisa explicar algo que seja muito convincente, do porquê ele acha que deixando a inflação acima da meta, ela vai cair lá na frente. Para Meirelles, há “um preço” para esse tipo de condução da política monetária: o retorno de juros mais altos, para devolver a inflação à meta. Política monetária perde força Ex-diretor de Política Monetária do BC, Luís Eduardo Assis afirma que a situação reflete um certo esgotamento da política monetária diante da grande injeção fiscal no ano eleitoral e do receio de que a inflação suba ainda mais. — Chegamos a um ponto que mostra um certo esgotamento da governança que criamos. Há uma série de medidas fiscais, parafiscais e creditícias que estão estimulando a economia, ao contrário do que a política monetária quer — avalia Assis, que chama a atenção para a forte pressão dos juros altos sobre o ambiente de negócios do país. O adiamento do leilão do Tesouro, avalia Sergio Goldenstein, fundador da Eytse Estratégia e ex-chefe do Departamento de Mercado Aberto do BC, advém da leitura de “disfuncionalidade” das taxas. — Fica o recado de que o Tesouro não sancionará esses patamares de juros — avalia. Goldenstein lembra que a última vez que houve interrupção de leilão foi em março, logo no início da guerra no Irã, quando grandes fundos tiveram que revisar abruptamente suas expectativas para a flexibilização das taxas por aqui, e o Tesouro chegou a recomprar o recorde de R$ 49 bilhões em títulos para absorver a disparada nas taxas. O economista prevê novas intervenções do Tesouro com leilões de recompra para reduzir a volatilidade.