O problema com o último comunicado do Copom não foi a decisão em si, mas a confusão dos argumentos apresentados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/07/2026 - 18:44 Críticas ao Banco Central por Cortes na Selic e Justificativas Vagas O Banco Central enfrenta críticas após o último comunicado do Copom, que decidiu cortar a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Embora a decisão fosse esperada pelo mercado, a incoerência nos argumentos sobre o cenário econômico e as perspectivas de inflação gerou descontentamento. O Copom justificou a decisão com base em simulações para atingir a meta de inflação até 2027, mas a falta de clareza nas justificativas destaca a dificuldade de harmonizar políticas monetárias com as fiscais e creditícias em um contexto de expansão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Muitos de nós estão mais aliviados. Nossa Seleção está mostrando capacidade de entrega, ainda que a França continue a ser a favorita na Copa do Mundo. O cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, que no mês de junho parecia prestes a explodir, parece agora mais duradouro e o preço do petróleo tem caído mais rápido do que muitos analistas esperavam. Mas esse sentimento de alívio parece ter passado pelo nosso Banco Central. Sua última decisão de cortar a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, foi o que a grande maioria do mercado esperava, mas conseguiu desagradar esse mesmo mercado. As razões desse desagrado tiveram a ver com a aparente incongruência entre a descrição do cenário econômico e as perspectivas para a inflação, e a decisão tomada de continuar o ciclo de queda de juros. Para os membros do Copom, o crescimento mostra aceleração da atividade doméstica, e o mercado de trabalho continua apertado. Eles notam que a inflação cheia e suas medidas subjacentes têm acelerado, rodando bem acima da meta de inflação e até acima do topo da banda de tolerância. Suas projeções, e não somente as expectativas do mercado, também subiram. Podemos questionar esse diagnóstico em alguns dos seus pontos ou atribuições de importância, mas, aceitando-o, fica fácil concluir que a única decisão correta seria a de manter a taxa de juros estável. No entanto, o Copom olhou “simulações” para ver o que precisaria ser feito para colocar a inflação na meta no seu horizonte relevante, definido pelo Conselho Monetário Nacional, no último semestre de 2027. Concluíram que para, isso acontecer, teriam que subir a taxa de juros. Mas isso, como foi argumentado pelo atual diretor interino de Política Econômica na apresentação do Relatório de Política Monetária, levaria a uma queda muito forte e desordenada da atividade econômica. Com a inflação eventualmente operando abaixo da meta. Aparentemente, no entanto, se o horizonte relevante for estendido por um trimestre, o Copom poderia não somente não aumentar os juros, mas continuar a cortar a Taxa Selic. À primeira vista, essa linha de raciocínio parece bem aceitável. Afinal, ninguém quer que o Banco Central cause uma recessão de forma proposital! Ninguém deveria se importar se colocar a inflação na meta demoraria mais um trimestre! Mas as aparências enganam. O argumento cria um espantalho, um cenário que quase ninguém advoga — o de voltar a aumentar a taxa de juros — para justificar o seu oposto. Entre a conclusão de que não se deve aumentar a taxa de juros, existe o caminho do meio — o de não fazer nada, e não o de continuar a cortar. Muitos vão argumentar que cortar mero 0,25 ponto percentual quando sustentamos a maior taxa de juros do mundo é um tanto irrelevante, mas isso também é um engano. A maior parte da eficácia da política monetária reside na capacidade do Banco Central de convencer os agentes econômicos, em momentos de alta da inflação, de que existe uma estratégia crível e robusta para entregar a inflação na meta. O problema final não foi a decisão em si, mas a confusão dos argumentos apresentados. Mas não devemos ser demasiadamente críticos. O Banco Central atualmente enfrenta uma missão impossível. Frente a políticas fiscais e creditícias cada vez mais expansivas, de fato a conclusão das simulações, de que para colocar a inflação na meta teria de subir os juros e causar uma recessão, está correta. A falta de harmonização entre a política monetária e essas outras políticas é total. O Banco Central poderia fazer isso, mas enfrentaria uma revolta dos outros Poderes. O Banco Central tem, como todos nós, de esperar para ver o que vai acontecer em 2027. Ainda assim, nosso Copom tem que ter pelo menos a clareza de não mais cortar a Taxa Selic. O problema com o último comunicado do Copom não foi a decisão em si, mas a confusão dos argumentos apresentados Tony Volpon
A triste vida do Banco Central
O problema com o último comunicado do Copom não foi a decisão em si, mas a confusão dos argumentos apresentados







