BC justifica corte de 0,25 ponto porcentual mesmo com piora nas projeções de inflação tanto do mercado quanto de seu próprio modelo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nova composição do Copom, com Gabriel Galípolo na presidência do BC — Foto: Divulgação / Banco Central RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 20:21 Banco Central Reduz Selic Mesmo com Projeções Inflacionárias em Alta O Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mesmo com piora nas projeções de inflação. A decisão do Copom destaca a flexibilidade do sistema de meta contínua, que não exige cumprimento anual da meta de inflação de 3%. O BC, liderado por Gabriel Galípolo, prevê que a política monetária restritiva pode levar o IPCA abaixo da meta no primeiro trimestre de 2028. A incerteza elevada justifica a cautela na política de juros. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O sistema de meta contínua de inflação mostrou a que veio mais claramente, após decisão desta quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom). Ao fazer mais uma redução da taxa básica de juros (Selic), mesmo em um ambiente de piora nas projeções tanto do mercado como de seus próprios modelos, o colegiado do Banco Central lançou mão de um argumento novo, mas que claramente é ancorado no fato de que a meta de 3% de alta para o IPCA, o índice oficial de inflação, não precisa ser cumprido em ano calendário. No documento, o BC reconhece a piora nas projeções do mercado (5,30% para este ano e 4,10% para 2027) e em seu próprio cenário (3,7% para o fim do ano que vem, período em que a política monetária atual ainda está tendo efeito). “Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados”, diz o BC. O BC caprichou no “coponês”, o apelido para a linguagem usada nos comunicados de suas decisões, para justificar a opção de cortar em 0,25 ponto porcentual a Selic. A taxa agora está em ainda elevadíssimos 14,25% ao ano, em um quadro bem mais difícil para a inflação chegar na meta ao fim do ano que vem. Nesse contexto, o time liderado por Gabriel Galípolo traz o primeiro trimestre de 2028 para a conversa e prenuncia um risco de o IPCA ficar até abaixo da meta, a partir desse período, por conta de uma política muito restritiva. “Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, diz o texto. Um sistema de meta contínua dá mais flexibilidade para o BC usar o expediente de olhar um horizonte ainda mais alongado do que em um regime de ano calendário, que teve vigência até 2024. Especialmente em um contexto de forte “incerteza”, palavra usada por seis vezes no comunicado de hoje. Na prática, o que o colegiado do BC está fazendo é diminuir o sacrifício de atividade econômica na política de controle inflacionário, ancorando-se no fato, inconteste, de que o ambiente econômico está com incertezas acima do usual, por fatores domésticos, mas sobretudo externos. Para tentar se defender de eventuais críticas de que está baixando juro em um contexto em que não haveria mais espaço para isso, o BC reafirmou as expressões “serenidade e cautela” e, mais importante, dessa vez deixou menos telegrafado seu próximo passo, que será dado em agosto, diferentemente da reunião passada. As opções agora estão mais abertas. E vão depender muito de como os mercados reagirão à decisão de hoje e às próximas sinalizações de Gabriel Galípolo e companhia.
Com 'coponês' afiado, BC usa flexibilidade de meta contínua para nova redução da Selic
BC justifica corte de 0,25 ponto porcentual mesmo com piora nas projeções de inflação tanto do mercado quanto de seu próprio modelo














