0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo/11-12-2024 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 10:14 Copom reduz Selic sem cenários alternativos, gerando dúvidas no mercado O Banco Central reduziu a taxa Selic, mas não apresentou cenários alternativos que justificassem a decisão, apesar do risco de inflação. O Copom optou por uma trajetória de juros alinhada ao mercado para evitar volatilidade, mas a falta de clareza nas projeções e riscos gera dúvidas. A decisão, embora não necessariamente errada, destaca a necessidade de maior transparência para evitar reações negativas do mercado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Comitê de Política Monetária (Copom) explicou nessa manhã que optou por considerar uma trajetória de juros mais próxima do que o mercado vem trabalhando para evitar variações abruptas na Selic mais à frente. Apesar disso, a autoridade não apresentou quais seriam os cenários alternativos considerados e que colocariam a inflação abaixo da meta ao longo de 2028, o que complica o entendimento da decisão tomada de baixar os juros mesmo com um quadro de maior risco de alta da inflação. “O Comitê julgou como mais adequadas, nesse momento, trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes na Focus, QPC (Questionário Pré-Copom) e precificação da política monetária, por evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados macroeconômicos, com efeitos potencialmente contraproducentes à própria convergência da inflação à meta”, afirma o colegiado no documento divulgado na manhã de hoje. Apesar de todo um discurso de piora nos riscos inflacionários e de projeções piores tanto de seu modelo como do mercado, o Banco Central chama a atenção para o fato de que não é recomendável que a política de juros reaja integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, como no caso do petróleo (fruto da guerra no Oriente Médio), e do provável El Niño. Embora muito se tenha atribuído a reação negativa do mercado à decisão de levar a Selic a 14,25% ao texto relativamente confuso do comunicado do Copom na semana passada, o problema de fato parece ser mais simples: uma incongruência entre números, projeções e o próprio tom mais preocupado da autoridade monetária com uma decisão de reduzir o grau de aperto em vigor. Não cabe dizer que a decisão é errada em si. Os juros estão muito altos e, mesmo com a combinação de alta do IPCA corrente e previsto com cortes na Selic, a política monetária segue contracionista, inclusive para quem considera que a tal taxa de juros neutra (aquela que não acelera e nem segura a economia) está bem mais alta do que o estimado pelo BC (5% real). Se entende que o juro estava excessivamente contracionista e poderia começar a se tornar um problema para a economia em um horizonte mais longo, o BC poderia ser mais claro e direto em dizer isso, mostrando suas projeções e os riscos embutidos, e defender sua posição. O mercado financeiro provavelmente não iria gostar do mesmo jeito, por entender que a postura é “dovish”, frouxa no jargão do mercado. Maior transparência, porém, é sempre um caminho mais eficiente.