Se os negociadores americanos derem um show, talvez consigam um acordo não muito pior do que o de 2015, assinado entre Irã, EUA e outras potências, com o objetivo de evitar que o país persa desenvolvesse armamento nuclear.

E o que aconteceu com aquele tratado, pelo qual o programa atômico iraniano era monitorado de perto por agências internacionais em troca do relaxamento de sanções econômicas? Ele vinha funcionando até que, em 2018, Donald Trump, em sua primeira passagem pela Casa Branca, achou que o acordo era ruim e dele se retirou unilateralmente, o que, na prática, significou enterrá-lo.Sim, é isso mesmo, se tudo der muito certo para os EUA, voltaremos agora a uma situação não muito diferente da que a que perdurou até 2018. A sorte de Trump é que seus eleitores não têm uma memória muito boa e também não costumam cobrar coerência de seu ídolo. Promover uma guerra para, na melhor das hipóteses, voltar a uma situação classificada pelo próprio líder como ruim é uma definição possível de fracasso.

E vejam que até aqui limitei minha análise à questão do programa nuclear. Se considerarmos outros elementos, o caso de Trump fica muito pior. Os EUA, a troco de nada, deflagraram uma crise inflacionária global e, mais importante, jogaram sua própria reputação internacional no lixo. Mesmo que o governo Trump seja substituído amanhã por uma administração extremamente virtuosa, os EUA levariam décadas para reaver o prestígio perdido e o papel de liderança mundial.