Os Estados Unidos e o Irã fizeram progressos significativos nas negociações para um possível acordo nuclear, mesmo com a retomada das tensões militares no Oriente Médio ameaçando interromper o diálogo, noticiou o New York Times. Na segunda-feira à noite, o presidente americano, Donald Trump, disse que as negociações estão na “fase final” e um entendimento poderia ser alcançado “em dois ou três dias”. Segundo autoridades americanas e diplomatas familiarizados com as discussões confidenciais, os negociadores concentraram-se em quatro questões centrais que podem servir de base para um acordo destinado a restringir de forma significativa o programa nuclear iraniano por cerca de 15 anos. A primeira questão envolve o enriquecimento de urânio. Washington exige há tempos que o Irã suspenda todas as atividades de enriquecimento por pelo menos 20 anos, enquanto Teerã propôs inicialmente uma pausa de 10 anos. Autoridades americanas acreditam agora que um compromisso em torno de 15 anos seja possível, embora ainda não esteja claro se Trump aceitaria um prazo menor. O segundo ponto diz respeito ao estoque de urânio enriquecido do Irã. Os EUA querem que todo o material iraniano — estimado em 11 toneladas — seja diluído sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Autoridades americanas defendem uma participação direta no manuseio do material, enquanto o Irã insiste que Washington deve atuar apenas como observador. Um possível compromisso permitiria que o urânio permanecesse no país após a diluição, possibilitando que os líderes iranianos aleguem ter mantido a posse do material. A terceira questão envolve a infraestrutura nuclear iraniana. Washington pressiona Teerã a desmontar suas três principais instalações nucleares, localizadas em Natanz, Fordow e Isfahan. O Irã teria sinalizado disposição para fechar duas delas, mas deseja manter uma em operação como símbolo de seu direito soberano de enriquecer urânio. O futuro de Fordow, uma instalação subterrânea altamente protegida, continua sendo especialmente controverso devido ao seu papel histórico no programa nuclear do país. O quarto ponto é a verificação do acordo. Os EUA buscam inspeções internacionais sem aviso prévio, que permitiriam aos inspetores visitar qualquer local no Irã a qualquer momento. Teerã tem resistido historicamente a esse tipo de fiscalização, sobretudo em instalações militares controladas pela Guarda Revolucionária Islâmica. Embora os negociadores já tenham delineado os contornos de um possível acordo, as conversas permanecem vulneráveis à instabilidade regional. As recentes trocas de ataques entre Irã e Israel, somadas à acusação de Trump de que o Irã derrubou um helicóptero Apache americano próximo ao Estreito de Ormuz, aumentaram os temores de que a diplomacia possa ser interrompida. Apesar desses contratempos, comunicações reservadas entre o enviado americano Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ajudaram a conter a mais recente escalada. Autoridades americanas permanecem cautelosamente otimistas de que negociações técnicas detalhadas possam começar na Suíça nas próximas semanas. Persistem, contudo, obstáculos importantes, incluindo divergências sobre a liberação de cerca de US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados. Teerã exige acesso substancial aos recursos de forma antecipada, enquanto Washington defende uma liberação gradual vinculada ao cumprimento das obrigações previstas no acordo. A capacidade de os incentivos econômicos superarem as resistências políticas de ambos os lados será decisiva para determinar o sucesso ou o fracasso das negociações.