Por semanas, os parâmetros de um acordo preliminar para encerrar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã têm estado claros para seus negociadores. O impasse? Como elaborar um acordo em que cada lado possa reivindicar uma vitória.

Washington e Teerã —ambos nem totalmente vitoriosos nem completamente derrotados na guerra— querem muito um acordo. Mas também precisam de algo que possam apresentar como favorável aos belicistas em seus próprios países.

Somam-se a essa disputa fundamental as peculiaridades dos líderes dos dois países. Um deles está escondido e demora a aprovar qualquer proposta; o outro é tão imprevisível que seus próprios enviados têm dificuldade em negociar em seu nome.

Esforços malsucedidos para elaborar essa alquimia de palavras colocaram os dois lados em um estado nem de guerra nem de paz. Também deixaram a economia global em suspense, já que ambos os lados continuam seus bloqueios ao vital estreito de Hormuz.

Quanto mais essa incerteza persistir, alertam os mediadores, maior o risco de todo o processo de paz fracassar. A natureza tênue de tudo isso foi reforçada na segunda-feira (8), quando Israel e Irã trocaram ataques pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, levando o Oriente Médio de volta à beira de uma guerra total antes que ambos os lados recuassem.