O Irã está analisando uma proposta de acordo apresentada pelos Estados Unidos para encerrar a guerra entre os dois países, informou nesta terça-feira (2) a agência iraniana Mehr, depois que o presidente americano, Donald Trump, afirmou que as negociações continuam. Mais de três meses após os ataques lançados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, o conflito entrou em um impasse, enquanto as negociações indiretas para um acordo temporário não produziram resultados conclusivos, mantendo o Estreito de Ormuz em grande parte fechado. O Irã ainda não respondeu ao texto final proposto para o acordo provisório e está adotando uma postura “rígida”, devido ao que considera um histórico de descumprimento de compromissos por parte dos EUA e à persistente desconfiança entre os dois países, segundo uma fonte citada pela agência Mehr. Trump afirmou na segunda-feira que as negociações seguem em andamento e que um acordo para ampliar o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz deverá ser alcançado na próxima semana. Desde meados de março, Trump vem dizendo repetidamente que está próximo de firmar um acordo de paz. Embora um cessar-fogo esteja em vigor desde o início de abril, Irã e Estados Unidos trocaram ataques diversas vezes ao longo da última semana. Os preços do petróleo recuaram mais de 1% nesta terça-feira, devolvendo parte dos ganhos expressivos registrados na véspera. Ainda assim, um alto funcionário da Agência Internacional de Energia alertou que os estoques globais de petróleo podem atingir níveis historicamente baixos. Uma vista aérea feita por drone mostra embarcações no Estreito de Ormuz, a partir de Musandam, Omã, em 1º de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Israel mantém ataques no Líbano A guerra iniciada em 28 de fevereiro já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. O conflito também provocou impactos econômicos globais ao elevar os preços da energia, após o fechamento de fato de Ormuz pelo Irã — rota por onde passava cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito. O conflito também desencadeou uma nova escalada entre Israel e o Hezbollah, com as forças israelenses realizando sua incursão mais profunda em território libanês em 25 anos. Nesta terça-feira, Israel continuou realizando ataques no sul do Líbano, segundo fontes de segurança libanesas, um dia depois de a mediação americana aparentemente ter evitado uma nova escalada do conflito. Um cessar-fogo parcial anunciado pelo Líbano na segunda-feira prevê que Israel suspenda ataques contra Beirute e os subúrbios controlados pelo Hezbollah na capital, enquanto o grupo apoiado pelo Irã interromperia seus ataques contra Israel. O governo libanês afirmou que buscará ampliar o alcance da trégua durante as negociações com Israel previstas para quarta-feira em Washington. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrenta críticas internas por qualquer acordo que limite novas ofensivas contra Beirute, às vésperas de eleições que, segundo projeções, ele tende a perder. Um míssil interceptor defeituoso, lançado pelo sistema antimíssil Domo de Ferro de Israel, se desintegra sobre o sul do Líbano, pouco depois de ser lançado por Israel, como visto do lado israelense da fronteira entre Israel e Líbano, no norte de Israel, em 1º de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Amir Cohen Teerã pressiona por acordo limitado No conflito mais amplo, o Irã está pressionando por um acordo interino limitado como forma de aliviar a crescente pressão econômica sem fazer concessões significativas em seu programa nuclear, segundo fontes iranianas. Como parte de qualquer entendimento, Teerã busca o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, acesso a bilhões de dólares em receitas petrolíferas, autorizações para exportação de petróleo, o fim do bloqueio americano a seus portos e a manutenção de sua influência sobre Ormuz. Trump, por sua vez, sofre pressão para reabrir a passagem marítima e conter os preços dos combustíveis nos Estados Unidos, sem oferecer concessões ao Irã. A Guarda Revolucionária iraniana informou nesta terça-feira que 24 embarcações atravessaram o estreito nas últimas 24 horas após obter autorização da força naval da corporação. Na segunda-feira, o Irã ameaçou ampliar o bloqueio para o Estreito de Bab el-Mandeb, outro ponto estratégico do comércio marítimo mundial na entrada do Mar Vermelho, caso Israel retome ataques contra Beirute.