O Irã afirmou que avançou em "muitas questões" nas negociações com os Estados Unidos para estender por 60 dias um frágil cessar-fogo acertado entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz, mas advertiu que o anúncio de um acordo não era iminente, enquanto detalhes continuam pendentes. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, culpou os Estados Unidos pela demora em concluir o acordo, dizendo que o governo de Donald Trump segue mudando de posição, o que, segundo ele, "naturalmente prejudica quaisquer negociações". Baghaei, que vem assumindo um papel maior nas negociações, acrescentou que os dois países "chegaram a conclusões sobre muitas questões", mas que isso não significa que "estamos perto de assinar um acordo". O possível memorando de entendimento contém 14 pontos e está focado no fim da guerra e do bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, em troca da adoção de medidas pelo Irã para garantir o trânsito seguro pela hidrovia estratégica, segundo o porta-voz iraniano. No momento, as negociações não tratam da questão nuclear, que será negociada em um período de 60 dias se o acordo-base for aprovado, disse Baghaei. Trump tem afirmado que seu principal objetivo na guerra é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear com seu urânio altamente enriquecido. Teerã sempre negou que tenha planos de fazer isso. O otimismo em relação a um acordo cresceu no sábado, depois de Trump ter afirmado em uma rede social que a maior parte dos pontos do acordo havia sido negociada. No entanto, ontem, o presidente americano afirmou que não teria pressa em assinar um acordo com o Irã, embora tenha ressaltado que a relação com Teerã se tornou "profissional e produtiva". Trump também disse que o bloqueio dos EUA aos navios iranianos no Estreito de Ormuz "permanecerá em pleno vigor e efeito até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado". Hoje, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o governo de Donald Trump dará "todas as chances" para que a diplomacia seja bem-sucedida, mas também advertiu que, se as negociações fracassarem, encontrará uma "outra maneira". "[Há uma] coisa bastante sólida sobre a mesa em termos de capacidade de abrir o estreito [de Ormuz], entrar em uma negociação muito real, significativa e limitada no tempo sobre a questão nuclear, e esperamos que possamos realizá-la", declarou Rubio. “Ou vamos chegar a um bom acordo, ou teremos de lidar com isso de outra maneira”, disse Rubio. Diplomatas afirmam que ambos os lados querem um acordo, mas os comentários refletem a natureza frágil das negociações entre as partes em conflito, que nutrem profunda desconfiança uma da outra e relutam em parecer que estão cedendo ao inimigo. Baghaei afirmou que o possível acordo não continha detalhes específicos sobre a administração do estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito do mundo. O Irã não cobrará pedágio dos navios que passarem pelo estreito, disse Baghaei. No entanto, ele acrescentou que haverá um custo para os serviços que serão oferecidos, como navegação e medidas para proteger o meio ambiente, de acordo com um protocolo a ser acordado com Omã, que compartilha a margem oposta da hidrovia. O estreito está praticamente fechado desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com apenas um pequeno número de embarcações passando por ele, em comparação com cerca de 125 a 140 por dia antes do conflito. Os dois lados continuam em desacordo sobre várias questões difíceis, como as ambições nucleares do Irã, a guerra de Israel no Líbano com a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, e as exigências de Teerã para o levantamento das sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares de receitas do petróleo iraniano congeladas em bancos estrangeiros. Fontes iranianas disseram à agência Reuters que, em etapas futuras, "fórmulas viáveis" poderiam ser encontradas para resolver a disputa sobre seu estoque de urânio altamente enriquecido, incluindo a diluição do material sob a supervisão do órgão de vigilância nuclear da ONU.