Memorando prevê suspensão de restrições no Estreito de Ormuz e abertura de negociações de 60 dias sobre programa nuclear iraniano Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã — Foto: Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 14:56 EUA e Irã firmam acordo preliminar para estender cessar-fogo e negociar programa nuclear EUA e Irã alcançaram um acordo preliminar para estender o cessar-fogo e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano, aguardando a aprovação de Trump. O memorando prevê 60 dias de trégua, livre trânsito no Estreito de Ormuz e retirada de minas pelo Irã. Em troca, os EUA suspenderiam o bloqueio naval. A situação permanece tensa, com recentes trocas de ataques na região. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Negociadores dos Estados Unidos e do Irã chegaram a um acordo preliminar para ampliar o cessar-fogo entre os dois países e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, segundo autoridades americanas ouvidas pelo site Axios. O entendimento, no entanto, ainda depende da aprovação do presidente Donald Trump, enquanto permanece incerto se o líder supremo do Irã já deu seu aval ao texto. De acordo com fontes americanas, o memorando de entendimento prevê a prorrogação da trégua por 60 dias e estabelece que o trânsito marítimo pelo Estreito de Ormuz será irrestrito, sem cobrança de pedágios nem hostilidades contra embarcações. O texto também inclui a retirada, pelo Irã, de todas as minas instaladas na região em um prazo de 30 dias. Em troca, os EUA suspenderiam o bloqueio naval imposto aos portos iranianos, embora a flexibilização ocorra proporcionalmente ao volume de tráfego comercial restabelecido. O memorando também incluiria o compromisso iraniano de não buscar o desenvolvimento de armas nucleares. O acordo abriria um período de 60 dias de negociações voltadas ao programa nuclear do Irã, incluindo discussões sobre o destino do estoque de urânio altamente enriquecido do país. Segundo fontes envolvidas nas conversas, os temas mais complexos relacionados ao programa nuclear iraniano ainda precisam ser resolvidos ao longo desse processo diplomático. Autoridades americanas afirmaram que a aprovação de Trump será determinante para a continuidade do acordo e alertaram que qualquer avanço nas negociações pode ser revertido rapidamente caso o presidente decida não aprová-lo. Na quarta-feira, Trump declarou que ainda não estava “satisfeito” com as propostas apresentadas por Teerã e advertiu que poderia “terminar o trabalho” pela via militar. O presidente americano também vem sofrendo pressão de integrantes de seu próprio partido e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para não aceitar um acordo que alivie a pressão sobre o Irã. Segundo uma pessoa familiarizada com as negociações, Trump busca garantias de que o pacto seja suficientemente robusto e possa ser apresentado como mais forte do que o acordo nuclear firmado em 2015 durante o governo Barack Obama, do qual ele retirou os EUA. Apesar do avanço diplomático, a situação na região continua tensa. Nas primeiras horas desta quinta-feira, Washington e Teerã trocaram acusações de violação do cessar-fogo após ataques registrados de ambos os lados. Em comunicado, as Forças Armadas americanas anunciaram ter derrubado quatro drones iranianos de ataque na região do Estreito de Ormuz e atingido uma instalação militar em Bandar Abbas, cidade portuária estratégica no sul do Irã. Segundo autoridades americanas, o alvo incluía uma estação de controle terrestre que estaria prestes a lançar um quinto drone. O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que as ações foram “medidas puramente defensivas e destinadas a manter o cessar-fogo”. Autoridades americanas disseram ainda que os drones representavam ameaça à navegação e às forças dos EUA na região. Horas depois, a Guarda Revolucionária disse ter atacado uma base aérea americana “que serviu como origem do ataque” contra Bandar Abbas. O Irã não informou qual instalação havia sido atingida, mas o Kuwait — que abriga bases militares americanas — disse ter interceptado “ameaças hostis de mísseis e drones”. A emissora estatal iraniana IRIB informou que o ataque foi uma retaliação aos bombardeios dos EUA. Já o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, moderou o tom e buscou transmitir uma imagem de resiliência após meses de guerra, pedindo unidade nacional e reconstrução, mas sem mencionar os recentes ataques militares nem as conversas com os Estados Unidos para encerrar o conflito. Em uma declaração escrita a parlamentares iranianos, ele alertou que os inimigos do Irã estavam tentando criar “divisão e fragmentação social”, sem oferecer detalhes. É a segunda vez em três dias que os EUA atacam alvos no Irã. Washington descreve as operações como “legítima defesa”, feitas contra plataformas de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas no estreito. O Centcom afirmou que os ataques foram planejados para “proteger nossas tropas das ameaças” do Irã. A Guarda Revolucionária, por sua vez, afirmou que forças iranianas dispararam contra quatro embarcações que tentavam atravessar o estreito sem coordenação com as autoridades locais. Na segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que Teerã estava cobrando taxas por “serviços de navegação” e continuaria administrando o tráfego da rota. Negociações prolongadas Negociações vêm sendo realizadas para encerrar a guerra, iniciada em fevereiro e que, desde então, fez disparar os preços globais da energia. Embora tenha dado sinais positivos de avanço nas tratativas desde o fim de semana, Trump afirmou, em reunião de Gabinete na quarta-feira, que Teerã está “negociando no limite” — e insistiu que sua estratégia de guerra não será impactada pelas eleições de meio de mandato. O presidente declarou que um acordo de paz com o Irã havia sido “amplamente negociado”, mas que os EUA ainda “não estão satisfeitos”. Ele também disse que o Irã está “empenhado” em chegar a um acordo, mas que “até agora eles não chegaram lá”, repetindo a disposição de Washington de retomar os ataques caso um acordo não seja alcançado. (Com AFP)
EUA e Irã chegam a acordo preliminar para ampliar cessar-fogo, mas aguardam aprovação de Trump, diz site
Memorando prevê suspensão de restrições no Estreito de Ormuz e abertura de negociações de 60 dias sobre programa nuclear iraniano













