Uma coisa é avaliar até que ponto os objetivos de uma guerra foram atingidos; e outra, conferir suas consequências econômicas e políticas de médio e longo prazos.Já se viu que os objetivos declarados da Guerra do Irã não foram cumpridos, nem de longe.Não foi derrubado o regime teocrático dos aiatolás. Ao contrário, ficou ainda mais fortalecido, com o maior protagonismo da feroz Guarda Revolucionária. Não aconteceu a revitalização das forças de oposição, como chegou a ser esperado.Não foi destruído o projeto do governo iraniano de produzir a bomba nuclear. A guerra pode ter provocado a diluição do enriquecimento do urânio, mas o acordo sobre os pontos mais importantes parece ter sido adiado. Não foi desbaratada a fonte de financiamento das forças terceirizadas do Irã, como o Hezbollah no Líbano, o Hamas na Faixa de Gaza e 0 movimento dos Houthis, no Iêmen.Apesar da destruição provocada pelos bombardeios, não foi obtida a rendição incondicional do Irã, como chegou a ser exigido por Trump. E a reabertura do Estreito de Ormuz nunca foi um objetivo da guerra, porque ele estava aberto antes.Falta saber qual impacto terá a guerra sobre as eleições de outubro, para o poder de Netanyahu, e as intermediárias nos Estados Unidos Foto: Tierney L. Cross/NYTPUBLICIDADEOs ataques dos Estados Unidos aconteceram porque o presidente Trump sucumbiu ao lobby do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para intervir a fim de destruir a capacidade do Irã de construir a bomba.Como sempre acontece com quase todas as guerras, só o tempo apontará as principais consequências desse curto, mas intenso, período de hostilidades, que pode estar longe de ser concluído. Mas dá para examinar algumas hipóteses.PublicidadeComo o governo Trump deve ter avaliado os enormes estragos para a economia local e para a economia mundial e os prejuízos políticos provocados pela guerra, é improvável que os Estados Unidos voltem a se engajar tão cedo em nova aventura militar na região. Se quiser derrubar o regime do Irã, é mais provável que o governo de Israel tenha agora de atuar sozinho. Isso, por si só, poderá agilizar outros processos, paralisados pela guerra, como os Acordos de Abraão, entre Israel e outros países árabes. Dada a forte instabilidade política da região e o impacto sobre o fornecimento de petróleo e de insumos básicos, é provável que essa guerra acabe por apressar a substituição do petróleo e do gás por fontes limpas de energia ou a diversificação geográfica de seu suprimento. Se isso se confirmar, os principais fornecedores de petróleo do Oriente Médio poderão perder receitas e, a partir daí, fonte de influência e de poder político.E falta saber qual impacto terá essa guerra sobre as eleições intermediárias nos Estados Unidos e sobre as eleições de outubro de Israel.