Embora o presidente afirme que o acordo com o Irã abriria o Estreito de Ormuz e proporcionaria alívio econômico, o programa nuclear do país ainda é tema de negociação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca: ataques cancelados e anúncio de acordo — Foto: Kent Nishimura/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 18:01 Trump Tenta Encerrar Conflito com Irã sem Sucesso nos Objetivos Donald Trump tenta encerrar a guerra com o Irã que ele mesmo iniciou, mas sem atingir seus objetivos. Apesar de um acordo que visa reabrir o Estreito de Ormuz e trazer alívio econômico, o programa nuclear iraniano ainda é um ponto de impasse. Trump proclama vitória, mas o acordo é apenas um memorando e deixa questões nucleares para futuras negociações. A comunidade internacional reage com cautela, enquanto Israel se mantém distante. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quase imediatamente após fechar um acordo com o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pareceu ansioso para comemorar a vitória. Ele anunciou com entusiasmo que o acordo abriria o Estreito de Ormuz, uma via navegável vital para o abastecimento energético mundial, cujo tráfego marítimo paralisado abalou a economia global. Em declaração ao jornal americano New York Times, afirmou que seus esforços salvaram Israel da extinção nuclear e tornaram o Oriente Médio mais seguro. Tudo isso lhe rendeu uma importante vitória em sua viagem à França para a cúpula do G7, onde se reunirá com líderes europeus que criticaram sua abordagem em relação à guerra. Apesar das declarações grandiosas, o acordo ainda não alcançou os objetivos principais que ele estabeleceu há três meses para o lançamento de uma guerra EUA-Israel contra o Irã. Naquela época, Trump disse que os Estados Unidos pretendiam "aniquilar" as capacidades militares do Irã, abolir suas ambições nucleares, derrubar sua liderança teocrática e libertar seu povo, a quem ele encorajou a assumir o governo quando os combates cessassem. Apenas uma semana após o início dos ataques, ele afirmou que o único caminho para um acordo entre o Irã era a "rendição incondicional". No domingo, Trump declarou publicamente vitória, baseada principalmente na resolução de um problema criado por ele mesmo: seu erro de cálculo ao avaliar a capacidade do Irã de bloquear o Estreito de Ormuz. Em sua conta no Twitter, Trump afirmou ter autorizado a abertura gratuita da via navegável crucial, o que essencialmente restauraria o status quo anterior à guerra, e comemorou a recuperação dos mercados globais de energia. "Navios do mundo, liguem seus motores", escreveu ele. "Deixem o petróleo fluir!" O mais recente acordo, que ainda não foi divulgado publicamente e deverá ser assinado em Genebra na sexta-feira, representa o ápice de três meses em que Trump transmitiu uma série vertiginosa de mensagens contraditórias. Ele afirmou que o programa nuclear iraniano foi "aniquilado" nos ataques americanos do ano passado, mas disse que a guerra era necessária para impedir que os iranianos obtivessem uma arma nuclear. Trump afirmou que o programa nuclear iraniano representa uma ameaça não apenas para os aliados, mas também para as tropas americanas no exterior e para os cidadãos comuns dos Estados Unidos. Ele deixou claro que o fim da guerra dependeria de uma condição: — Sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear — disse ele. — Repito: eles jamais poderão ter uma arma nuclear. Mesmo no sábado, quando anunciou que um acordo seria assinado no dia seguinte, ele afirmou que os líderes do Irã "não querem mais uma arma nuclear, nem a terão, seja por compra, desenvolvimento ou qualquer outra forma de aquisição". Mas o acordo deixa essa questão sem solução por pelo menos mais 60 dias, período em que se espera que ambos os lados negociem questões nucleares. Trump não apresentou o acordo como uma solução para a ameaça nuclear. Em vez disso, ele se concentrou no Oriente Médio e em seu legado. "Este Grande Acordo trará paz e segurança para toda a região", escreveu ele em uma publicação nas redes sociais. "Muitos presidentes tentaram fazer a paz com o Irã, e todos falharam antes de mim." Trump também enviou mensagens contraditórias sobre até onde iria para garantir um acordo nuclear com o Irã. Ele passou de ameaçar exterminar a civilização do país a dizer que não tinha pressa em remover os estoques restantes de urânio enriquecido. No início da guerra, Trump afirmou inicialmente que os Estados Unidos alcançariam seus objetivos em "quatro a cinco semanas". Ele comparou repetidamente a guerra no Irã à sua rápida operação militar na Venezuela, na qual o líder máximo foi deposto, mas grande parte do restante do governo permaneceu no poder, disposta a cooperar com os Estados Unidos. Essa guerra, por sua vez, prolongou-se por meses, matando milhares de civis iranianos e 13 militares americanos. Em vez de ceder aos Estados Unidos, a nova liderança do Irã se fortaleceu, resistindo consistentemente à pressão militar e diplomática para persistir em seu objetivo de desenvolver um programa nuclear. Nas negociações com o genro de Trump, Jared Kushner, e o enviado especial, Steve Witkoff, os iranianos mantiveram-se firmes na sua posição de não abrir mão do direito de enriquecer urânio. — Quanto às questões nucleares, na realidade não há acordo — disse Daniel B. Shapiro, ex-embaixador dos EUA em Israel, em um comunicado à imprensa. — O Irã sabe como prolongar essas negociações e tentar obter concessões ao longo do processo. Ele acrescentou que os Estados Unidos agora parecem estar financiando a reabertura do Estreito de Ormuz, potencialmente suspendendo as sanções impostas ao Irã. O governo Trump afirmou que o Irã não receberá nenhum alívio das sanções nem a liberação de seus ativos financeiros congelados até que cumpra seus compromissos. A estrutura oferece um caminho para uma possível paz e alívio econômico. E na segunda-feira, tanto líderes mundiais quanto os mercados globais expressaram otimismo. O chanceler alemão Friedrich Merz, que anteriormente havia afirmado que os Estados Unidos "não tinham estratégia" e estavam sendo "humilhados" pelo Irã na guerra, parabenizou ambos os lados pelo avanço diplomático, considerando-o um passo potencial rumo a "uma economia global revitalizada e um Oriente Médio mais seguro". Mas era um otimismo cauteloso, dadas todas as incertezas. Fundamentalmente, a capacidade nuclear do Irã precisará ser debatida nos próximos dois meses de negociações, o que levanta dúvidas sobre se uma paz duradoura se concretizará. Vários obstáculos podem surgir ao longo do caminho. Notavelmente, Israel, um parceiro na guerra, mas não no âmbito das negociações de paz, tem demonstrado pouco entusiasmo pelo acordo. O próprio Trump afirmou, em entrevista ao New York Times, que estava preparado para retomar os ataques militares contra Teerã caso o Irã não chegasse a um acordo nuclear definitivo com os Estados Unidos. Alguns aliados de Trump demonstraram preocupação com os aspectos inacabados das negociações. O senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, que há muito apoia a ação militar contra o Irã, disse estar "um tanto preocupado com o fato de a visão do Irã sobre o acordo parecer diferente daquela que a equipe de negociação americana alega". — Estarei acompanhando de perto as negociações subsequentes sobre o programa nuclear do Irã e outros assuntos — disse. Ele acrescentou que o vice-presidente JD Vance, a quem descreveu como o "arquiteto do acordo", deve garantir que o acordo final seja apresentado ao Congresso. Em entrevista à CNBC na segunda-feira, Vance disse que a estrutura dava à administração "poder de negociação", embora ainda houvesse "detalhes a serem definidos", inclusive sobre o urânio enriquecido. À medida que as negociações avançavam durante o fim de semana, Trump publicou nas redes sociais uma longa crítica ao acordo anterior firmado com o Irã pelo ex-presidente Barack Obama, afirmando que o acordo em que estava trabalhando seria melhor. Shapiro, que também é membro do instituto de pesquisa The Atlantic Council, disse nas redes sociais que Trump parecia focado em comparar seu acordo favoravelmente ao acordo de Obama, mas os Estados Unidos estavam longe de poder chegar a tal conclusão. "É possível que nenhum acordo seja alcançado", disse Shapiro, "e muito provavelmente, se um acordo for alcançado, será pior do que o que poderíamos ter conseguido por meio da diplomacia antes da guerra."