Desejo por narrativa de vitória é impasse para entendimento entre Washington e Teerã, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca: ataques cancelados e anúncio de acordo — Foto: Kent Nishimura/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 06:48 Tensões EUA-Irã: Acordo de Trump enfrenta resistência de Israel As tensões entre EUA e Irã permanecem, com um possível acordo anunciado por Trump após ameaças de ataques. A busca por uma narrativa de vitória para ambos os lados tem sido um impasse. Avanços incluem a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio aos portos iranianos, com negociações nucleares em pauta. Israel, por meio de Netanyahu, pode tentar sabotar o acordo devido ao foco no Hezbollah, complicando o cenário no Líbano. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Donald Trump anunciou que um acordo para encerrar o conflito com o Irã deve ser assinado no fim de semana. A declaração foi dada horas após o presidente norte-americano dizer que ordenaria fortes bombardeios contra o país, dando prosseguimento aos ataques dos dois dias anteriores. Trata-se de uma guinada impressionante em apenas um dia, que lembra o que ocorreu em 8 de abril. Na ocasião, após afirmar que destruiria uma civilização (a iraniana), acabou firmando um cessar-fogo na mesma noite. Cético – O Irã ainda não confirmou que assinará um acordo com os EUA, mas tampouco negou. É provável que de fato tenha havido avanços e, finalmente, os dois lados encerrem o conflito de uma maneira mais formal. Ao mesmo tempo, é necessário manter o ceticismo depois de tantas vezes em que Teerã e Washington pareciam estar perto de um acordo e acabaram fracassando. Só poderemos ter certeza quando os dois lados assinarem formalmente um termo em que se comprometam com o fim do conflito. Narrativas – Os EUA e o Irã já deram indicações claras de que são contra a retomada da guerra e preferem encerrar o conflito. A dificuldade sempre esteve em encontrar uma forma de os dois lados venderem uma narrativa de vitória, sem parecer que estejam capitulando. Mas todos sabem há meses que a estratégia inicial norte-americana e israelense fracassou ao não conseguir derrubar o regime iraniano. Ao mesmo tempo, Teerã venceu ao sobreviver. Acordo – Os termos prováveis do acordo já foram apresentados aqui uma série de vezes. Nesta primeira etapa, provavelmente, o foco estará na reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e no fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos. O cessar-fogo seria prorrogado por 60 dias e os dois lados negociariam a questão nuclear neste período. Mesmo neste tópico, já há indicação de que Teerã concordaria com uma moratória no enriquecimento de urânio por um período de 10 a 15 anos em troca do fim das sanções e do descongelamento de fundos iranianos no exterior. O maior obstáculo é o destino dos cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, próximo ao patamar para a fabricação de uma bomba atômica. Obstáculo – Um acordo seria visto como uma derrota por Benjamin Netanyahu, que seguirá fazendo de tudo para sabotá-lo e talvez obtenha sucesso. O foco israelense é o Hezbollah. Os israelenses ainda insistem em lutar contra o grupo. Não devem se retirar do sul do Líbano, que vem sendo destruído pelas forças de Israel, e tendem a manter os ataques contra o grupo apoiado pelo Irã. O Hezbollah também deve seguir atacando os israelenses. A questão é como o Irã irá reagir à manutenção dos combates no Líbano mesmo depois de um acordo com os EUA. Líbano – O governo libanês é outro que seria impactado por um acordo. Por um lado, pode ser beneficiado pelo fim da guerra caso o Líbano seja envolvido no cessar-fogo. Como escrevi acima, no entanto, é improvável que isso aconteça diante da manutenção da ocupação israelense e das armas do Hezbollah. O fim das sanções ao Irã deve levar a um repasse de dinheiro ao Hezbollah, o que tende a empoderar o grupo. Caso ocorra, o governo libanês, que quer o desarmamento do grupo, será enfraquecido. Festa – O certo, neste momento, é que Trump não quer nada ofuscando a Copa do Mundo, a celebração dos 250 anos da independência dos EUA e a sua festa de aniversário de 80 anos, que terá uma luta de vale-tudo em uma arena para cinco mil pessoas nos jardins da Casa Branca, conforme escrevi ontem.