Sequência de ataques ameaça cessar-fogo em meio a impasse nas negociações para um acordo, afirma Guga Chacra em newsletter especial Iranianos descansam na praia de Suru, em Bandar Abbas, às margens do Estreito de Ormuz, com navio tombado ao fundo — Foto: Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 06:47 Tensões EUA-Irã: Retaliações Ameaçam Cessar-Fogo no Golfo A recente série de retaliações entre Estados Unidos e Irã ameaça o frágil cessar-fogo no Golfo Pérsico, com ambos os lados relutantes em fazer concessões. O Irã exige o levantamento de sanções e reconhecimento de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, enquanto os EUA pedem uma moratória nuclear. As negociações são complicadas, com cada lado tentando maximizar seus ganhos em uma tática de barganha. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Houve uma sequência de retaliações entre Estados Unidos e Irã nesta terça-feira que pode levar a uma escalada incontrolável se prosseguir nos próximos dias. Apesar de um relativo otimismo com as negociações, é ainda bem possível uma retomada total do conflito entre norte-americanos e israelenses contra os iranianos. Retaliações, réplicas e tréplicas – Tudo começou com os EUA alvejando um petroleiro iraniano que tentava furar o bloqueio imposto pelo governo de Donald Trump aos portos do Irã. A resposta veio com o regime de Teerã atingindo um navio que tentava cruzar o Estreito de Ormuz. Em seguida, teve a tréplica norte-americana, com ataques a uma ilha iraniana. A retaliação do Irã ocorreu em um ataque a interesses de Washington em nações do Golfo. Ainda não está claro se haverá uma outra ação dos EUA, que, de acordo com o Exército norte-americano, teria conseguido abater os mísseis e drones do Irã. Limbo – O episódio demonstra como é frágil o atual limbo de quase dois meses na guerra no Golfo Pérsico. Um cessar-fogo está em vigor, apesar de ser violado por todas as partes. Ao mesmo tempo, o Irã mantém o bloqueio ao Estreito de Ormuz e os EUA, por sua vez, seguem bloqueando os portos iranianos. Ao longo das semanas, conforme escrevi aqui anteriormente, há momentos de uma onda de otimismo sobre um acordo; e outros, de pessimismo e risco de retomada do conflito. Demandas do Irã e dos EUA – Os dois lados aparentemente não possuem intenção de voltar a guerrear. Tampouco parecem dispostos a fazer concessões. O Irã mantém a demanda de que os EUA levantem as sanções, descongelem fundos iranianos no exterior, paguem reparações pela destruição provocada nos bombardeios e reconheçam também a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz. Já o governo Donald Trump demanda que o Irã decrete uma moratória de mais de dez anos no enriquecimento de urânio, entregue todo o seu urânio enriquecido, aceite restrições ao seu programa de mísseis balísticos e pare de apoiar o Hezbollah. Caminho – Estas posições distantes entre os dois países tornam as negociações difíceis. Para contornar, os dois lados têm trabalhado para um acordo mínimo, no qual o Irã reabre o Estreito de Ormuz em troca de os EUA levantarem o bloqueio aos portos iranianos. Em um segundo momento, haveria discussões sobre o programa nuclear iraniano. A possibilidade seria a de Trump concordar em levantar sanções ao Irã em troca de o regime de Teerã concordar com uma moratória. O embate – A pouco mais de uma semana da Copa do Mundo, o Irã sabe que Trump estará relutante em reiniciar o conflito, que poderia ofuscar o evento. Portanto busca usar o seu poder de barganha. Além disso, como afirmam alguns analistas, os iranianos buscam usar a tática dos bazares nas negociações. Basicamente, o vendedor e o cliente ficam tentando aumentar e diminuir o preço de um produto até chegar a um denominador comum. Normalmente, ganha quem demorar mais para cansar nas negociações. A avaliação em Teerã seria a de que Trump cansaria antes. O presidente norte-americano, não podemos esquecer, escreveu um livro chamado “The Art of the Deal” e se considera o melhor negociador do mundo. Tudo igual no Líbano – Israel e o Hezbollah continuam guerreando normalmente. Os combates voltaram a ocorrer um dia depois de Donald Trump ter dado uma bronca em Benjamin Netanyahu em ligação telefônica, exigindo que Israel parasse com os ataques ao Líbano. Além disso, o presidente anunciou uma trégua entre israelenses e o grupo apoiado pelo Irã — apesar de um cessar-fogo inexistente estar em vigor há semanas, sendo desrespeitado o tempo todo pelos dois lados. A nova iniciativa do líder norte-americano, naturalmente, foi praticamente inócua. Teria conseguido apenas conter mais uma ofensiva de Israel contra Beirute, que talvez acabe ocorrendo nos próximos dias. Sem avanços – Em Washington, as delegações do Líbano e de Israel se reuniram, mas tiveram poucos avanços. O governo libanês mantém a defesa do desarmamento do Hezbollah e da desocupação israelense do sul do Líbano, além do fim dos combates. Já Israel quer que o grupo apoiado pelo Irã abdique de suas armas e descarta se retirar do território libanês, assim como parar com as ações militares. Os encontros, aparentemente, apenas visam agradar a Trump.
A diplomacia do ‘Bazar’ versus ‘The Art of the Deal’
Sequência de ataques ameaça cessar-fogo em meio a impasse nas negociações para um acordo, afirma Guga Chacra em newsletter especial








