Em meio a troca de ataques e disputas narrativas, diplomacia iraniana lança esforço para manter influencia sobre rota naval e na região; chanceler pediu que Iraque não autorize ataques ao país a partir do território 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Barcos ancorados em águas territoriais de Omã, perto do Estreito de Ormuz — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/06/2026 - 18:55 Tensões entre Irã e EUA levam ao cancelamento de negociações técnicas Em meio a tensões e troca de ataques entre Irã e EUA, as negociações técnicas foram canceladas, segundo o assessor do aiatolá do Irã. O Irã busca manter sua influência na rota naval crucial do Estreito de Ormuz, enquanto acusa os EUA de manobras políticas antes das eleições. Apesar dos riscos de escalada, analistas afirmam que o controle do estreito é vital para o Irã obter concessões nas negociações futuras. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Duas semanas após o início de um acordo de cessar-fogo com o objetivo de alcançar um acordo de paz mais amplo no Oriente Médio, Irã e EUA voltaram a trocar ataques neste domingo pelo quarto dia seguido, em uma escalada que ameaça o processo diplomático. O assessor do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, Mehdi Fazeli, afirmou a uma emissora estatal iraniana que país tinha cancelado as conversas técnicas que estavam agendadas para domingo. A declaração aconteceu horas depois do de uma autoridade americana ouvida em anonimato pelo New York Times afirmar que as discussões técnicas sobre a implementação do memorando de entendimento continuavam previstas para os próximos dias. A narrativa divergente segue a tônica de outros momentos do conflito, que tem como pano de fundo os ataques aéreos frequentes por toda a região do Golfo. Fazeli citou os recentes confrontos e o desejo de Teerã de verificar se algumas condições do cessar-fogo preliminar seriam cumpridas, incluindo o que se refere ao acesso a fundos bloqueados no exterior. A fonte americana ouvida pelo jornal americano, por outro lado, disse que nenhuma conversa foi cancelada, e que ambos os lados estavam trocando mensagens por meio de canais pré-estabelecidos. A disputa acontece em um momento em que os dois países romperam com o acordo de suspender os ataques para dar vez as negociações. Na ofensiva mais recente, as Forças Armadas da nação persa dispararam drones e mísseis contra posições americanas em Bahrein e Kuwait. O governo do Catar afirmou que uma pessoa morreu e outra ficou ferida ao barco em que estavam ser atingida por estilhaços. Uma fonte militar dos EUA afirmou que todos os projéteis iranianos foram interceptados ou não atingiram os alvos pretendidos. Embora avaliam que nenhum dos lados deseja um retorno aos confrontos de alta intensidade, analistas afirmam que retomar a atividade bélica foi uma aposta necessária, que tem na recém-demonstrada capacidade de interromper o tráfego do Estreito de Ormuz uma vantagem estratégica que o país não pode se dar ao luxo de perder. — No melhor ou no pior cenário, eles precisam dessa vantagem — afirmou Ali Vaez, analista sênior sobre o Irã no International Crisis Group, acrescentando que as autoridades iranianas consideram seu controle sobre o estreito sua principal ferramenta para arrancar concessões dos EUA em novas negociações. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRA​HIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países Algumas autoridades iranianas suspeitam que o governo do presidente americano, Donald Trump, possa ter firmado um acordo preliminar apenas para ganhar tempo — aliviando pressões econômicas antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, e retomando a guerra posteriormente. Se isso ocorrer, avaliam, o Irã voltaria a depender de sua capacidade de provocar caos no estreito. — Isso é realmente crucial. Essa é a principal vantagem deles — afirmou Vaez. — Não faz sentido permitir que ela se desgaste antes de haver um acordo definitivo. Sinalizações paralelas Acenos também são feitos fora da relação direta entre Irã e EUA. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, pediu ao primeiro-ministro do Iraque, Ali Faleh al-Zaidi, neste domingo que o país não permita que seu território seja utilizado para ataques contra Teerã. Em uma reunião em Bagdá neste domingo, Araghchi estendeu o a todos os países da região. Teerã envia mensagens a comunidade internacional sobre Ormuz. Autoridades advertiram neste domingo que qualquer embarcação que tente desviar da rota demarcada pelo país no estreito "aumentará as tensões" no Oriente Médio. O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em encontro neste domingo com o premier do Iraque, Ali Faleh al-Zaidi — Foto: Ahmad al-Rubaye/AFP — Qualquer tentativa de adotar medidas novas ou diferentes daquelas que a República Islâmica do Irã já está implementando apenas conduzirá a situações mais complicadas, atrasará a reabertura do Estreito de Ormuz e aumentará as tensões — disse Araghchi. — Insto todas as partes a não interferirem na administração do estreito (...) e a não permitirem que o memorando de entendimento se desvie de sua trajetória. Nenhuma outra instituição nem qualquer outro país, é responsável pela administração. A manifestação parece um recado para Omã, com quem o governo iraniano disse estar negociando um modelo de gestão para a rota — proposta rejeitada pelos EUA. Na semana passada, Omã e a Organização Marítima Internacional (IMO) da ONU designaram uma nova rota pelo estreito, passando exclusivamente por águas territoriais omanenses, o que Teerã vê com desconfiança. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), adotada em 1982, garante o direito de "passagem em trânsito" pelos estreitos utilizados para a navegação internacional, como o de Ormuz. Segundo esse tratado, que não foi ratificado pelo Irã, "todos os navios e aeronaves" cujo objetivo seja realizar um trânsito "contínuo e rápido" pelo estreito gozam de liberdade de navegação "sem obstáculos". Desde quinta-feira, duas embarcações foram atingidas por projéteis de origem desconhecida nessa passagem marítima, incidentes que os Estados Unidos atribuíram ao Irã e aos quais responderam com bombardeios. O presidente americano, Donald Trump, chegou a voltar a ameaçar aniquilar a República Islâmica. (Com NYT e AFP)