Controle sobre o Estreito de Ormuz está no centro do impasse entre Washington e Teerã, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Navio de carga se aproxima de porto no Golfo de Omã: Irã ameaça embarcações que contornarem rota habitual pelo Estreito de Ormuz — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/07/2026 - 05:00 Tensões entre EUA e Irã aumentam no Estreito de Ormuz após ataques O impasse entre EUA e Irã em torno do controle do Estreito de Ormuz intensifica-se após ataques a embarcações, com Teerã exigindo controle e Washington rejeitando. O recente bombardeio americano e a retaliação iraniana ocorrem em meio ao funeral de Ali Khamenei. Trump oscila entre negociações e retórica agressiva, sem clareza sobre seus objetivos. Mediações internacionais tentam evitar a escalada para uma guerra total. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Não há mais um cessar-fogo entre EUA e Irã, na prática. Ao mesmo tempo, a guerra total ainda não foi retomada. Os próximos dias vão indicar se os dois lados suspendem os ataques, retomam o memorando de entendimento e voltam à mesa de negociações ou se intensificam o conflito, levando ao colapso qualquer possibilidade de encerramento da guerra. Embarcações – Os atuais combates começaram depois de o Irã alvejar embarcações que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz próximas da costa de Omã, sem coordenação com o regime iraniano. Teerã quer impor seu controle sobre a travessia e exige que os navios atravessem mais próximos de seu território — o meio do estreito está repleto de minas marítimas. Rejeição – Os Estados Unidos não aceitam o controle iraniano e bombardearam alvos no país por dois dias seguidos. O Irã reagiu, atacando nações árabes aliadas dos norte-americanos no Golfo Pérsico. Esses combates ocorreram em meio às cerimônias do funeral do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã assassinado em ataques lançados por EUA e Israel no final de fevereiro. O enterro ocorreu nesta quinta-feira em Mashad, sua cidade natal. Sem capitulação – O problema para os EUA é que esses bombardeios não serão suficientes para o Irã capitular, assim como os anteriores tampouco foram. O governo de Donald Trump não deixa claro qual é o seu objetivo agora. A cada dia o presidente norte-americano fala uma coisa. Às vezes elogia os líderes iranianos; outras vezes, os chama de loucos. Tem dia em que fala em paz; em outros, ameaça destruir uma civilização. Ninguém entende o que Trump pretende nesta guerra. Sem planos – Quando iniciou o conflito, Trump pretendia derrubar o regime ou forçar uma capitulação. Não conseguiu — sequer esteve perto de alcançar qualquer um desses objetivos. Há três semanas parecia estar conformado em encerrar o conflito e negociar um acordo nuclear com o regime iraniano. Agora, com os novos confrontos, não sabemos mais se ele ainda quer as negociações. Mobilização – Não há como forçar uma capitulação iraniana no Estreito de Ormuz. Conforme escrevi aqui uma série de vezes, nada vence a geografia. Há duas opções para os EUA. A mais simples é negociar um acordo diplomaticamente para manter o estreito aberto, como parecia ser a intenção de Trump. A segunda é escalar a guerra. Porém, os bombardeios talvez não sejam suficientes e será necessário mobilizar tropas terrestres. O resultado seria catastrófico, possivelmente pior do que no Iraque e no Afeganistão. Mediação – Paquistão, Catar e Turquia tentam convencer os dois lados a conter os ataques e voltar a negociar. Pode ser que obtenham sucesso. A alternativa seria a escalada do conflito, com o retorno da guerra total. Saberemos em breve qual será o rumo dos confrontos entre norte-americanos e iranianos.