Nova escalada do conflito renovou as preocupações com a recuperação da oferta global de petróleo e do transporte marítimo na região Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã , 1º de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo O tráfego diário de petroleiros no Estreito de Ormuz pareceu desacelerar nesta sexta-feira, depois que Estados Unidos e Irã trocaram ataques nesta semana e voltaram a divergir sobre quem controla a passagem pela hidrovia estratégica. A nova escalada do conflito renovou as preocupações com a recuperação da oferta global de petróleo e do transporte marítimo, além de evidenciar a fragilidade da trégua provisória firmada no mês passado por Washington e Teerã enquanto ambos os lados negociam um acordo duradouro, que prevê tratativas sobre o futuro do urânio iraniano altamente enriquecido, por exemplo. Os preços do petróleo recuavam nesta sexta-feira, mas continuavam a caminho de encerrar a semana com alta de 4% a 5%, após a nova escalada do conflito. A Agência Internacional de Energia (AIE) informou que a oferta global de petróleo aumentou em 4,1 milhões de barris por dia (bpd) em junho, com a retomada do transporte marítimo pelo estreito, mas permaneceu 9,4 milhões de bpd abaixo dos níveis anteriores à guerra. A agência também alertou para o aperto na oferta de diesel e gasolina e afirmou que as refinarias reagiram mais lentamente à reabertura do estreito do que os preços do petróleo bruto. Antes da guerra, cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) passava pelo estreito de Ormuz. Desde então, Teerã assumiu em grande parte o controle da hidrovia, criando um impasse em seu confronto com as Forças Armadas mais poderosas do mundo. Pelo acordo provisório, os EUA encerraram o bloqueio naval aos portos iranianos, e o Irã concordou em garantir a passagem segura de embarcações comerciais. Nesta semana, porém, Washington acusou forças iranianas de atacarem três petroleiros na região e, em resposta, bombardeou instalações militares na costa sul e nas províncias orientais do Irã, sob a justificativa de manter o estreito aberto e enfatizar que o país persa não possui controle sobre a hidrovia. Embora Teerã não tenha assumido a autoria dos bombardeios, analistas afirmam que o país utiliza esse tipo de ação para ganhar poder de barganha nas negociações. Teerã tem advertido sucessivas vezes que o estreito só será reaberto nos termos estabelecidos pelo próprio país e que qualquer intervenção americana provocará uma "resposta devastadora". Na quinta-feira, a República Islâmica respondeu à ofensiva dos EUA atacando instalações militares americanas em países do Golfo. Os ataques contra os três navios mercantes do Catar e da Arábia Saudita levaram o presidente americano, Donald Trump, a declarar que a trégua estava "encerrada". Mais tarde, porém, uma autoridade americana afirmou que Washington continua comprometido em buscar uma solução com o Irã e que "as negociações técnicas continuam". O New York Times informou que o Catar vinha mantendo conversas com Washington e Teerã para reduzir a escalada da crise. Antes dos ataques desta semana, o tráfego diário de petroleiros havia atingido o maior nível desde o início da guerra, com média de 40 embarcações cruzando o estreito por dia. Ainda assim, o número permanecia bem abaixo da média de 125 a 140 travessias diárias registrada antes do conflito.
Tráfego de petroleiros desacelera em Ormuz após ataques entre EUA e Irã
Nova escalada do conflito renovou as preocupações com a recuperação da oferta global de petróleo e do transporte marítimo na região












