Irã suspendeu seu bloqueio à hidrovia na semana passada; no entanto, a Guarda Revolucionária do país voltou a declarar o estreito fechado no sábado, em resposta a ataques israelenses no Líbano Embarcações no Estreito de Ormuz, perto da praia de Bandar Abbas, Irã, 21 de junho de 2026 — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA/via WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) navegaram pelo Estreito de Ormuz nesta segunda-feira, em um sinal de que o tráfego está gradualmente se recuperando após o Irã anunciar, no fim de semana, um novo fechamento da via marítima, mostraram dados de navegação. O Irã suspendeu seu bloqueio de fato a Ormuz na semana passada, após concordar com um cessar-fogo de 60 dias com os Estados Unidos enquanto prosseguem as negociações para um acordo de paz definitivo. No entanto, a Guarda Revolucionária iraniana voltou a declarar o estreito fechado no sábado, em resposta a ataques israelenses no Líbano, provocando uma redução no número de travessias. Quatro navios-tanque de GNL controlados pelo Catar seguiram em direção ao Golfo e atravessaram o estreito nesta segunda-feira, enquanto dois superpetroleiros, capazes de transportar até 4 milhões de barris de petróleo bruto, cruzaram para o Golfo, sendo que um deles indicou como destino o porto iraquiano de Basra, segundo dados de rastreamento marítimo e análises da Kpler. Dois petroleiros menores, transportando pouco menos de 2 milhões de barris de petróleo no total, deixaram o Estreito de Ormuz em direção ao Golfo de Omã nesta segunda-feira, mostraram dados separados da plataforma MarineTraffic. “Embora o número diário de travessias continue abaixo das 125 registradas antes das hostilidades envolvendo o Irã, a tendência é positiva”, afirmou a corretora marítima Clarksons em relatório divulgado nesta segunda-feira. Segundo fontes do setor marítimo, pode haver mais embarcações transitando pelo estreito com seus transponders desligados, além de falhas reportadas nos dados do sistema AIS de rastreamento de navios. O AIS é o sistema utilizado por operadores do mercado para acompanhar a movimentação das embarcações. Cinco navios atravessaram o estreito no domingo, abaixo dos 26 observados um dia antes, segundo dados da Kpler. Entre eles estavam três petroleiros de grande porte (VLCCs), cada um carregando 2 milhões de barris de petróleo bruto e óleo combustível sauditas; um deles seguia para o Japão. “O tráfego no Estreito de Ormuz começou a aumentar, com embarcações comerciais continuando a navegar ao sul (...) por águas territoriais de Omã e pela rota ao norte controlada pelo Irã”, informou o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), liderado pela Marinha dos Estados Unidos, em comunicado divulgado nesta segunda-feira. Quatro navios de GNL — Wadi Al Sail, Mekaines, Al Sadd e Mesaimeer — entraram no estreito nesta segunda-feira pela rota iraniana pela primeira vez desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, mostraram dados de rastreamento da Kpler. A QatarEnergy, cujas exportações de GNL foram severamente restringidas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O navio graneleiro Summit Success, de bandeira das Ilhas Marshall, também entrou no Golfo nesta segunda-feira, mostraram dados da Lseg. Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, 22 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Exportações de petróleo continuam O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que 55 navios mercantes transitaram pelo estreito no sábado, transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo destinados aos mercados globais. Entre os navios que deixaram o estreito no sábado estavam três VLCCs carregando petróleo dos Emirados Árabes Unidos, do Kuwait e do Iraque, além de três navios-tanque transportando diferentes derivados de petróleo, mostraram os dados. Treze embarcações entraram no estreito no sábado, incluindo dois VLCCs, segundo os dados. Desde a última segunda-feira, mais de 25 milhões de barris de petróleo iraniano atravessaram a linha virtual do bloqueio, afirmou à TV estatal no domingo Hamid Bovard, presidente da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo (Nioc). Três VLCCs sob sanções — Elva, Virgo e Vigor —, carregados com petróleo iraniano embarcado na Ilha de Kharg entre o fim de abril e o início de maio, estavam deixando o estreito nesta segunda-feira, mostraram dados da Lseg e da Kpler. A Abu Dhabi National Oil Co (Adnoc) e a Kuwait Petroleum Corp emitiram licitações para a venda de petróleo bruto com a opção de carregamento tanto dentro quanto fora do Estreito de Ormuz. Duas embarcações operadas pela Coreia do Sul também atravessaram o estreito na semana passada após o acordo provisório de paz, informou nesta segunda-feira o Ministério dos Oceanos e da Pesca sul-coreano, sem identificá-las. Um porta-voz da Associação dos Armadores do Japão afirmou que o número de embarcações ligadas ao Japão que permanecem no Golfo caiu para 37, ante 45 no início do conflito. Enquanto isso, dois navios de GNL controlados pela Adnoc estavam entregando cargas à Índia nesta segunda-feira, após terem deixado recentemente o estreito, mostraram dados da Kpler e da Lseg. O navio Al Hamra estava descarregando no terminal de GNL de Ennore, enquanto o navio Mubaraz deveria descarregar sua carga no terminal de Kochi na terça-feira, segundo os dados. Ambos haviam sido vistos pela última vez navegando sem carga a leste do estreito entre o fim de maio e o início de junho, antes de reaparecerem nos sistemas de rastreamento no fim de semana, já carregados e posicionados na costa da Índia. “Por política da empresa, não comentamos a posição, os movimentos e as rotas de nossas embarcações, nem reportagens de terceiros”, afirmou a Adnoc. Al Hamra e Mubaraz já completaram, cada um, duas viagens “às escuras” (sem transmitir dados de localização) saindo de Ormuz desde o início da guerra.
Tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz aumenta após redução dos fluxos
Irã suspendeu seu bloqueio à hidrovia na semana passada; no entanto, a Guarda Revolucionária do país voltou a declarar o estreito fechado no sábado, em resposta a ataques israelenses no Líbano










