Cinco superpetroleiros carregados, com capacidade conjunta de transporte de 8 milhões de barris, puderam ser observados entrando ou navegando pelo estreito no sábado e no domingo Milhões de barris de petróleo continuaram a ser transportados pelo Estreito de Ormuz neste fim de semana, mesmo após o Irã afirmar novamente ter fechado a hidrovia, enquanto Washington e Teerã apresentam versões conflitantes sobre a situação do mais importante gargalo marítimo do comércio mundial. Cinco superpetroleiros carregados, com capacidade conjunta de transporte de 8 milhões de barris, puderam ser observados entrando ou navegando pelo estreito no sábado e no domingo por uma rota próxima à costa de Omã, antes de “desaparecerem” dos sistemas de rastreamento. Um deles voltou a transmitir sinais automáticos nas primeiras horas de domingo, após alcançar o Golfo de Omã. Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã, 16 de junho de 2026 — Foto: Reuters/Stringer/Foto de Arquivo Caso todos os petroleiros completem a travessia, seus deslocamentos reforçariam a afirmação dos militares dos Estados Unidos de que são capazes de garantir a segurança da rota ao sul, próxima à costa de Omã, apesar de o Irã alegar exercer amplo controle sobre a hidrovia e insistir que o corredor ao norte é a única rota autorizada. Algumas embarcações também foram vistas entrando no Golfo Pérsico pela rota meridional. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou no sábado que 17 milhões de barris haviam passado pelo Estreito de Ormuz, apesar das notícias divulgadas pela imprensa iraniana de que a passagem estava fechada. Uma entidade de coordenação entre forças navais e o setor de transporte marítimo afirmou, nas primeiras horas de sábado, que as embarcações poderiam transitar pelo lado omanense do estreito a qualquer hora do dia, mantendo suas posições visíveis, em um comunicado divulgado antes de o Irã anunciar o fechamento de Ormuz. Enquanto Irã e Estados Unidos disputam a narrativa em torno do Estreito de Ormuz, e ao mesmo tempo iniciam negociações na Suíça para um acordo de paz, armadores, tradings e produtores tentam avaliar se ainda é seguro atravessar a passagem. Rota por Omã O Gulf Sunrise, transportando cerca de 2 milhões de barris de petróleo saudita com destino ao Japão, encontra-se agora cruzando o Golfo de Omã, de acordo com seus sinais automáticos de rastreamento, após desaparecer dos sistemas de monitoramento nas proximidades do ponto mais estreito do Estreito de Ormuz no sábado. O Angola B, carregado com petróleo dos Emirados Árabes Unidos, foi visto pela última vez contornando a ponta da península de Musandam — um enclave de Omã que se projeta em direção ao Estreito de Ormuz — também no sábado. Já o Monaco Loyalty ainda não havia alcançado a parte mais estreita da passagem quando desapareceu dos radares, igualmente no sábado. Dois petroleiros menores da classe Suezmax, o Nordic Cross e o Nordic Pollux, com capacidade para cerca de 1 milhão de barris cada, emitiram seus últimos sinais nas primeiras horas de domingo, em uma localização que indicava que seguiriam pela rota ao longo da costa de Omã. Os gestores das embarcações não responderam imediatamente aos pedidos de comentário enviados por e-mail. As estimativas de carga têm como base dados de rastreamento compilados pela Bloomberg e informações da consultoria Kpler. Apesar da afirmação do Irã de que Ormuz está fechado, navios também continuaram emitindo sinais nas proximidades da própria costa iraniana. Os petroleiros Desh Vibhor, Desh Vaibhav e Sanmar Herald foram detectados no Golfo de Omã e no Mar Arábico no domingo, após terem sido vistos pela última vez tentando cruzar o Estreito de Ormuz no fim da sexta-feira, segundo dados de rastreamento compilados pela Bloomberg. As embarcações podem ter realizado a travessia antes de o Irã anunciar novamente o fechamento da passagem. Os superpetroleiros, que indicam propriedade indiana ou cargas destinadas à Índia, transportam em conjunto cerca de 6 milhões de barris de petróleo do Iraque e do Kuwait. Todos emitiram sinais nas proximidades da ilha iraniana de Qeshm, o que sugere que seguiram a rota aprovada por Teerã. A Shipping Corporation of India, apontada como proprietária e gestora dos navios Desh Vibhor e Desh Vaibhav na base de dados Equasis, não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário enviados por e-mail fora do horário comercial. O mesmo ocorreu com a Sanmar Shipping Ltd., operadora do Sanmar Herald. Além das embarcações que deixavam a região, alguns petroleiros vazios também foram vistos entrando no Golfo Pérsico pela rota próxima à costa de Omã. Entre eles estava um navio de grande porte para transporte de gás que havia partido de Duqm, no Golfo de Omã. Os outros dois eram superpetroleiros de petróleo bruto que haviam realizado recentemente entregas de petróleo dos Emirados Árabes Unidos. Um dos VLCCs (Very Large Crude Carrier) chegou a transmitir abertamente sua localização em uma das áreas de fundeio do Golfo de Omã alguns dias antes. Alguns produtores do Golfo são conhecidos por enviar petroleiros "no escuro" através do Estreito de Ormuz, permitindo que as cargas sejam transferidas para outras embarcações à espera nessas águas, sem chamar atenção para esses embarques. Navios transportadores de gás natural liquefeito (GNL) também foram observados entrando no Golfo Pérsico, com os dados de rastreamento indicando que a travessia ocorreu no fim da sexta-feira. O comunicado informando que as embarcações poderiam navegar pela rota ao sul, junto à costa de Omã foi emitido pelo Joint Military Information Center (JMIC) nas primeiras horas da manhã de sábado. "Os navegantes são aconselhados a utilizar a rota sul durante o dia ou à noite, mantendo o AIS ligado, radares em operação, luzes de navegação acesas e uso normal das comunicações por rádio VHF", informou o JMIC, em referência ao Sistema de Identificação Automática (Automatic Identification System, AIS) e às comunicações por rádio em frequência muito alta (Very High Frequency, VHF). A orientação do JMIC também veio após um alerta emitido pelo Paquistão no fim da sexta-feira, informando a detecção confirmada de uma mina na rota sul. O país é responsável pela coordenação dos avisos à navegação na região.
Petróleo flui pelo Estreito de Ormuz, apesar de Irã afirmar ter fechado passagem
Cinco superpetroleiros carregados, com capacidade conjunta de transporte de 8 milhões de barris, puderam ser observados entrando ou navegando pelo estreito no sábado e no domingo












