Teerã mostra que pretende controlar a passagem marítima, sem retornar ao status quo anterior, afirma Guga Chacra em newsletter especial 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Embarcações ancoradas em Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz — Foto: Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/06/2026 - 05:35 Irã ataca navio de Taiwan e desafia compromissos com os EUA no Estreito de Ormuz O Irã está adotando uma postura agressiva ao atacar um navio de Taiwan no Estreito de Ormuz, desafiando compromissos com os EUA e buscando afirmar controle sobre a passagem marítima estratégica. Teerã pretende impor regras rígidas para o trânsito de embarcações, possivelmente cobrando pedágios no futuro, o que violaria leis internacionais. Essa estratégia pode resultar em retaliações econômicas dos EUA, complicando ainda mais as relações bilaterais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O Irã atacou um navio cargueiro com bandeira de Taiwan que tentava atravessar o Estreito de Ormuz, apesar de ter se comprometido, no memorando de entendimento, a abrir a passagem do Golfo Pérsico para o Oceano Índico. Não foi uma ação militar direta contra os EUA, mas certamente viola o compromisso iraniano com os norte-americanos. Até o momento em que escrevo esta newsletter, não se sabe qual será a resposta de Donald Trump. Novas regras – A ação iraniana visa deixar claro que o regime pretende controlar o Estreito de Ormuz, sem retornar ao status quo anterior. Quer exercer poder o tempo todo, deixando claro que pode fechar a passagem quando quiser. Todo o trânsito de navios precisará respeitar as regras impostas por Teerã, na visão do regime. Em caso de desrespeito, poderá haver consequências. Rubio – O navio tentava atravessar Ormuz em uma rota alternativa, mais próxima da costa de Omã, como outras embarcações. Talvez o regime iraniano não se importasse. O problema é que o secretário de Estado, Marco Rubio, em viagem a países árabes aliados dos EUA, havia arquitetado esta opção de travessia. O regime de Teerã ficou irritado, já que a passagem mais distante de sua costa dificulta o controle. Pedágio – Os navios que pretenderem atravessar Ormuz precisarão coordenar com o Irã, de acordo com o regime de Teerã. O objetivo talvez seja mesmo cobrar uma espécie de pedágio em algum momento no futuro — ao longo dos próximos 60 dias, o país se comprometeu a não cobrar de nenhuma embarcação. Mas, depois deste período, não está clara qual será a norma vigente. Leis internacionais – O pedágio no Estreito de Ormuz seria uma clara violação das leis internacionais. Navios civis precisam ter direito à navegação. Além disso, a passagem não passa por dentro do território iraniano, e sim entre o Irã e Omã. Seria como o Estreito de Gibraltar, que separa a Espanha e o Marrocos, mas não como os Estreitos de Bósforo e de Dardanelos, que atravessam a Turquia, ligando o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo. Mas, mesmo neste caso, os turcos precisam garantir o direito de navegação a embarcações civis. Localização – O poder da geografia, como escrevi aqui antes, é extremamente difícil de ser retirado. O Irã sempre terá um território gigantesco nas margens de Ormuz. Obviamente, os EUA não têm disposição para uma invasão terrestre com objetivo de ocupar o território e garantir a segurança da navegação. Nesse caso, a possibilidade de fracasso seria enorme. Basta lembrar do que aconteceu no Iraque e no Afeganistão. Futuro – O regime iraniano, no entanto, pode estar forçando a mão. Afinal, embora mantenha a capacidade de fechar Ormuz, pode ver seus portos mais uma vez bloqueados pelos EUA. O custo econômico para os iranianos é enorme. O governo Trump pode também suspender a retirada temporária das sanções. Teerã estaria disposta a pagar esse preço elevado neste momento, precisando se reconstruir da guerra? Saberemos a resposta em breve. Por enquanto, as negociações entre os dois países prosseguem.