Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que a presença militar dos EUA no Golfo é a principal fonte de insegurança e divisão na região Irã reafirma direito de controlar navegação em Ormuz após navio ser atingido perto de Omã — Foto: REUTERS/Stringer Teerã reafirmou nesta sexta-feira (26) seu direito de controlar a navegação no Estreito de Ormuz e advertiu os países do Golfo contra um alinhamento com os Estados Unidos, um dia após um ataque contra um navio próximo a Omã evidenciar a fragilidade do acordo preliminar para encerrar a guerra entre Irã e EUA. O Irã reagia ao que classificou como uma declaração conjunta "intervencionista, irresponsável e provocativa" dos Estados Unidos e de seis países do Golfo, que rejeitaram a insistência iraniana de que poderia cobrar pedágios das embarcações que transitam pelo estreito. "A passagem segura pelo Estreito de Ormuz não pode ser garantida sob arranjos ambíguos, rotas paralelas ou processos decisórios que não levem em consideração o papel do Irã como Estado costeiro", escreveu o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, na rede X. Reforçando os riscos enfrentados pela navegação, a TV estatal iraniana informou posteriormente que três petroleiros estrangeiros que tentavam realizar o que chamou de uma "passagem não autorizada" pelo estreito foram obrigados a retornar após um alerta emitido pela Guarda Revolucionária Islâmica. A emissora não forneceu mais detalhes. Os preços do petróleo caíram mais de 3% nesta sexta-feira e caminhavam para registrar fortes perdas na semana, apesar das interpretações divergentes sobre o acordo provisório firmado na semana passada entre Irã e Estados Unidos e da desaceleração do tráfego no estreito, por onde normalmente passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A Saudi Aramco retomou nesta sexta-feira os embarques de petróleo bruto no terminal de Ras Tanura, no Golfo, o maior porto petrolífero do mundo, após uma interrupção de quase quatro meses, mostraram dados de navegação. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, — encerrando uma viagem pelos países do Golfo para tranquilizar aliados regionais preocupados com o acordo provisório —, afirmou a jornalistas na quinta-feira que, se o Irã ameaçar ou bloquear navios no estreito, "teremos um problema". Na declaração conjunta, Rubio e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês) defenderam a "livre, incondicional e irrestrita navegação" pelo estreito, sem cobrança de pedágios ou "tentativas de exercer controle", e afirmaram que uma paz duradoura deverá abordar também os mísseis balísticos, drones e o apoio do Irã a grupos aliados. Irã alerta contra ‘políticas hostis e intervencionistas O Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu nesta sexta-feira afirmando que a presença militar dos Estados Unidos no Golfo é a principal fonte de insegurança e divisão na região, e que o estreito deve ser administrado por Irã e Omã em conformidade com os termos do acordo provisório. "Advertimos contra a continuidade de políticas hostis e intervencionistas na região", afirmou o ministério. Teerã assumiu o controle efetivo da hidrovia após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, desencadearem a guerra, interrompendo o fluxo de petróleo e abalando os mercados globais de energia e a economia mundial. Ali Akbar Velayati, principal assessor do líder supremo do Irã, também fez um alerta aos aliados árabes de Washington no Golfo. "A estabilidade dos Estados árabes do Golfo Pérsico deve-se à gestão centenária do Irã sobre o Estreito de Ormuz... sua sobrevivência estratégica depende da tolerância de Teerã", escreveu Velayati no X. A empresa taiwanesa Evergreen Marine informou anteriormente nesta sexta-feira que seu navio de bandeira de Singapura Ever Lovely foi atingido na quinta-feira por um "objeto desconhecido" próximo a Omã, enquanto seguia por uma rota recomendada pela agência marítima britânica UKMTO. Ninguém ficou ferido no incidente, e a embarcação retomou posteriormente sua viagem para fora do estreito. Duas autoridades americanas disseram à Reuters que o Irã disparou contra o navio. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico — criada por Teerã para administrar os pedidos de embarcações que desejam atravessar o estreito — afirmou que qualquer travessia por rotas não autorizadas será "de responsabilidade do proprietário, do operador e do comandante da embarcação". Não houve comentário imediato do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump advertiu neste mês que, caso o Irã não cumpra o acordo provisório — incluindo a reabertura do estreito —, os Estados Unidos provavelmente voltarão a bombardear o país. Líbano e inspeções nucleares estão entre os pontos de atrito Além da disputa sobre o controle do estreito, persistem divergências sobre outros elementos do acordo de cessar-fogo, incluindo incentivos financeiros ao Irã, inspeções nucleares e a guerra paralela de Israel no Líbano. O acordo prevê um período de 60 dias de negociações para tratar das questões mais complexas, entre elas o programa nuclear iraniano. Nos Estados Unidos, a guerra pesa sobre Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro, que definirão o controle do Congresso. A Organização Marítima Internacional (IMO), agência da ONU, suspendeu temporariamente sua operação de escolta a embarcações no Estreito de Ormuz após o incidente ocorrido perto de Omã. A IMO e Omã anunciaram nesta semana uma nova rota ao sul do estreito para retirar centenas de navios que ficaram retidos em razão da guerra, medida que irritou Teerã. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, afirmou nesta sexta-feira que três navios sul-coreanos deixarão o estreito ao longo do fim de semana, depois que o Ministério dos Oceanos informou que outras oito embarcações sul-coreanas já haviam saído da região. Dados de navegação mostraram que dois superpetroleiros (VLCCs) operados pela Bahri, braço de transporte marítimo da Arábia Saudita, carregavam petróleo em Ras Tanura, enquanto um terceiro aguardava nas proximidades. Cada VLCC tem capacidade para transportar 2 milhões de barris de petróleo. Ras Tanura está localizada na costa saudita, a oeste do Estreito de Ormuz. Antes do conflito, o terminal exportava mais de 5 milhões de barris de petróleo por dia.
Irã reafirma direito de controlar navegação em Ormuz após navio ser atingido perto de Omã
Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que a presença militar dos EUA no Golfo é a principal fonte de insegurança e divisão na região












