Governo iraniano diz que embarcação foi atingida após desrespeitar regras de navegação e condiciona reabertura da passagem ao fim da presença americana na região Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, 8 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer O Irã afirmou neste domingo (12) que fechou o Estreito de Ormuz depois que uma embarcação navegou por uma rota considerada não autorizada e foi atingida pelas forças iranianas. Segundo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o navio havia desligado seus sistemas de identificação e representava uma ameaça à segurança marítima. Em comunicado, a Marinha da Guarda Revolucionária informou que outras embarcações também tentaram atravessar a passagem por rotas não autorizadas e ignoraram advertências para alterar o curso. O estreito permanecerá fechado "até novo aviso" e até o "fim da interferência dos Estados Unidos na região", segundo o governo iraniano. Teerã advertiu que qualquer ato de retaliação será respondido de forma "severa" e afirmou que novas bases inimigas na região poderão ser alvo de ataques. Enquanto isso, autoridades dos Estados Unidos exigem que o Irã declare publicamente que cessará os ataques contra navios e garanta a livre navegação pelo estreito, sem cobrança de taxas. Neste sábado, pela rede social "X", o governo americano anunciou que, "após forças da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã atacarem de forma flagrante o M/V GFS Galaxy, um navio porta-contêineres de bandeira cipriota que transitava pelo Estreito de Ormuz", revidou. "As forças do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) iniciaram a terceira rodada de ataques desta semana contra o Irã". Ainda no post em sua rede social, o Comando Central americano afirmou que os ataques estão sendo realizados por determinação do Comandante em Chefe. Também foi informado que um tripulante civil está desaparecido, e que a embarcação não consegue prosseguir viagem devido a um incêndio a bordo, com "danos significativos na casa de máquinas". Contexto Apesar da escalada militar registrada ao longo da semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na sexta-feira que Washington e Teerã concordaram em continuar as negociações. Ao mesmo tempo, declarou encerrado o cessar-fogo vigente. Segundo uma fonte iraniana ouvida pela Reuters, Irã, Estados Unidos, Catar e Paquistão concordaram em manter negociações mediadas por Omã. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, reuniu-se em Mascate com o ministro das Relações Exteriores de Omã para discutir mecanismos que garantam a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz. A agência oficial de Omã informou que as conversas continuarão em nível técnico e político. O conflito iniciado após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, elevou significativamente as tensões no Golfo Pérsico. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. As restrições impostas pelo Irã à navegação provocaram forte alta dos preços da energia e aumentaram as preocupações com a inflação global. A CNN informou que Omã apresentou uma proposta preliminar para permitir a navegação livre pelo corredor sul do estreito, localizado em águas omanenses. Já os navios que utilizassem o corredor norte, em águas territoriais iranianas, precisariam de autorização prévia de Teerã, embora não fossem cobradas tarifas. No início da semana, três navios-tanque comerciais do Catar e da Arábia Saudita foram atacados, levando os Estados Unidos a bombardear instalações iranianas. Em resposta, o Irã realizou ataques contra bases militares americanas em países do Golfo. Embora Teerã não tenha assumido oficialmente a autoria dos ataques às embarcações, analistas avaliam que esse tipo de ação é utilizado pelo país como instrumento de pressão nas negociações diplomáticas. Também neste sábado, uma mensagem atribuída ao novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, prometeu vingar a morte de seu antecessor e pai, Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro. O texto foi divulgado durante as cerimônias fúnebres do antigo líder e afirma que a vingança ocorrerá "independentemente do que aconteça com o Irã". Na sexta-feira, Trump declarou ter ordenado que as Forças Armadas dos EUA estejam preparadas para lançar milhares de mísseis contra o Irã caso Teerã tente assassiná-lo. Segundo o Wall Street Journal e outros veículos americanos, Israel compartilhou recentemente com Washington informações de inteligência indicando que o Irã teria elaborado um plano para matar o presidente americano. Durante o funeral de Ali Khamenei, manifestantes exibiram faixas com mensagens defendendo a morte de Trump.