Proteção das principais rotas marítimas foi discutida nesta semana durante uma reunião da Organização Marítima Internacional; países do Golfo, EUA e Irã divergiram sobre o futuro do estreito Navios ancorados no Estreito de Ormuz — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA/Reuters via WANA Os países devem rejeitar as tentativas do Irã de impor sua soberania sobre o Estreito de Ormuz e a "decisão unilateral" de Teerã de criar um órgão para controlar o tráfego na hidrovia, concordou nesta sexta-feira o conselho diretor da agência de transporte marítimo da Organização das Nações Unidas (ONU). Os Estados Unidos e a República Islâmica trocaram ataques nesta semana, que incluíram ofensivas americanas em resposta a bombardeios contra navios em Ormuz que, segundo Washington, foram realizados por Teerã. O país persa não assumiu a autoria dos ataques. A nova escalada de tensões renovou as preocupações com a recuperação da oferta global de petróleo e do transporte marítimo na região do Golfo Pérsico, além de terem evidenciado a fragilidade do memorando de entendimento assinado por lideranças de ambos os países no mês passado, cujo objetivo era encerrar o conflito de mais de quatro meses e negociar, ao longo de 60 dias, um acordo permanente. A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), sediada em Londres, é responsável por regulamentar a segurança da navegação internacional e prevenir a poluição marítima. A entidade reúne 176 Estados-membros. A proteção das principais rotas marítimas foi discutida nesta semana durante uma reunião de seu conselho diretor, composto por 40 membros. Países do Golfo, Estados Unidos e Irã divergiram sobre o futuro do estreito. O Conselho da IMO "condenou veementemente" a decisão do Irã de "estabelecer uma entidade que pretende controlar o tráfego através do estreito", segundo o texto da decisão sem caráter vinculante aprovada pelo colegiado. A decisão conclama os Estados-membros a não reconhecerem "a reivindicação do Irã de soberania sobre o estreito de Ormuz, suas alegações de jurisdição sobre as zonas marítimas de terceiros Estados no estreito e em suas proximidades, que violam a soberania, os direitos soberanos e a jurisdição exclusiva desses Estados", nem quaisquer decisões iranianas destinadas a "fechar, obstruir, dificultar ou de qualquer outra forma interferir na navegação internacional e no direito de passagem em trânsito". A recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico informou, em comunicado divulgado em junho, que nenhuma embarcação poderá transitar pela hidrovia "sem uma autorização de passagem válida" emitida pelo órgão. O Irã, que não ocupa assento no conselho da IMO, afirmou aos delegados da organização nesta semana que rejeita "as acusações seletivas, politicamente motivadas e juridicamente infundadas" feitas contra o país. Segundo a delegação iraniana na IMO, o Irã não é parte da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos, na sigla em inglês) e, portanto, "não está vinculado ao regime estabelecido pelo tratado". "As medidas implementadas pelo Irã têm como objetivo preservar a segurança da navegação marítima, impedir a prestação de apoio ou assistência a atos de agressão, proteger a soberania e os interesses vitais de segurança do Irã e assegurar que a navegação permaneça segura e não represente ameaça. Essas medidas não constituem o fechamento do estreito", afirmou a delegação iraniana.
Países devem rejeitar tentativa do Irã de controlar Ormuz, diz documento da ONU
Proteção das principais rotas marítimas foi discutida nesta semana durante uma reunião da Organização Marítima Internacional; países do Golfo, EUA e Irã divergiram sobre o futuro do estreito











