Navios parados no Estreito de Ormuz vistos do litoral de Omã — Foto: Reuters A Organização Marítima Internacional (OMI) da Organização das Nações Unidas (ONU) suspendeu nesta quinta-feira sua operação de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz após uma embarcação relatar um ataque, reacendendo temores sobre um acordo preliminar para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã. O navio cargueiro informou ter sido atingido por um projétil próximo a Omã, segundo a agência naval britânica UKMTO, horas depois de Teerã ter alertado outras embarcações para não utilizarem rotas não aprovadas pelo governo iraniano. Dois funcionários americanos disseram à agência de notícias Reuters que o Irã disparou contra o navio, enquanto a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada por Teerã para gerenciar os pedidos de passagem de navios pelo estreito, afirmou que embarcações fora das rotas estabelecidas não terão passagem segura garantida. Quatro fontes identificaram o navio como o Ever Lovely, de bandeira de Cingapura. Uma fonte de segurança disse que provavelmente foi alvo de um drone. Não houve comentários imediatos do governo americano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no início deste mês que, se o Irã não cumprisse um acordo destinado a encerrar a guerra e reabrir o estreito, os Estados Unidos provavelmente voltariam a bombardear o país. A OMI estava ajudando a retirar centenas de navios e milhares de marinheiros do estreito, onde estavam retidos há meses desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. A OMI decidiu "suspender temporariamente a implementação do programa para reconfirmar que as garantias de segurança necessárias continuam em vigor para os navios em nossa lista de evacuação e para todos os que se encontram na região", afirmou o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, em comunicado. A OMI afirmou que o navio envolvido no suposto ataque não fazia parte de seu programa de evacuação. A iniciativa, lançada na terça-feira, era uma opção voluntária para que navios e suas tripulações deixassem o Golfo usando duas rotas: uma pelas águas iranianas e a outra pelas águas omanitas, com supervisão dos Estados Unidos, informou a OMI esta semana. Os preços de referência do petróleo subiram 1,9% após o ataque relatado, o que, segundo analistas, reacendeu as preocupações sobre quanto tempo levará para que o fluxo de petróleo no Golfo volte aos níveis normais. O incidente em Omã provavelmente voltará a concentrar a atenção na extensão do controle futuro do Irã sobre o Estreito de Ormuz que, antes do conflito, era responsável por um quinto do fornecimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Antes do incidente, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao concluir uma visita ao Golfo para tranquilizar os países sobre o pacto provisório, disse a repórteres que, se o Irã ameaçar ou bloquear navios no estreito, "teremos um problema". O Irã, no entanto, sinalizou que continuará a exercer controle sobre o estreito. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou na quinta-feira que a passagem segura pelo estreito só será possível por meio de rotas designadas pelo Irã, acrescentando que tomará medidas contra embarcações que não cumprirem as normas. A Guarda Revolucionária também ordenou que dois navios com bandeira do Panamá mudassem de rumo na quinta-feira, informou a empresa britânica de segurança marítima Ambrey. Anteriormente, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que os carregamentos pelo estreito estavam se aproximando dos níveis observados antes dos ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, com pelo menos 20 milhões de barris de petróleo saindo da hidrovia nas últimas 24 horas. Durante o conflito, o Irã assumiu o controle efetivo desse ponto estratégico vital, interrompendo o fluxo de petróleo e abalando os mercados globais de energia e a economia em geral. A guerra pesa muito sobre Trump às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, que definirão o controle do Congresso. Apenas um em cada quatro americanos acredita que a guerra valeu a pena, segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos. Relatos conflitantes surgiram sobre elementos do acordo de cessar-fogo, o que gerou críticas a Trump tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. Persistem divergências sobre incentivos financeiros para o Irã, inspeções nucleares, controle do Estreito de Ormuz e a guerra paralela de Israel no Líbano. O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou na quinta-feira que a alegação dos Estados Unidos de que o Irã usaria seus ativos descongelados para comprar produtos agrícolas americanos era falsa. O acordo estabelece 60 dias de negociações para abordar questões mais espinhosas, incluindo o programa nuclear iraniano.