De acordo com os termos do acordo, o Irã negociará com Omã e outros Estados do Golfo a futura administração e os serviços marítimos no estreito Uma imagem aérea capturada por drone mostra embarcações no Estreito de Ormuz , a partir de Musandam, Omã, em 15 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer Executivos do setor de transporte marítimo temem que o acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã tenha aberto caminho para a introdução de cobranças pelo uso do Estreito de Ormuz após 60 dias, estabelecendo um novo regime para a hidrovia, que anteriormente era de uso gratuito, noticiou o Financial Times nesta quinta-feira (18). O setor de transporte marítimo está preocupado com o fato de que essa redação abre a possibilidade de o Irã cobrar pelo uso da hidrovia ou criar um fundo semelhante ao do Estreito de Malaca, localizado entre a Malásia, a Indonésia e Singapura. “A conclusão dessas discussões deve reforçar o princípio fundamental de que o Estreito de Ormuz deve permanecer livre de cobranças”, afirmou Philip Belcher, diretor marítimo da Intertanko, associação da indústria de navios-tanque. John Stawpert, diretor marítimo da Câmara Internacional de Navegação, afirmou que a referência a “serviços marítimos” sugere “algo equivalente ao modelo de Malaca”. “É importante destacar que [em Malaca] existe um fundo voluntário para o qual os Estados contribuem, e não a indústria”, disse ele, acrescentando que o fundo financia auxílios à navegação e respostas a possíveis derramamentos de petróleo. “Isso não existia antes [em Ormuz], portanto surge a questão de por que, de repente, há necessidade disso nesta região”, acrescentou. Ormuz tornou-se uma peça central de negociação para o Irã durante seu conflito com os EUA e Israel. Após os ataques dos Estados e Israel em março, Teerã efetivamente fechou a hidrovia ao tráfego, exigindo uma taxa de US$ 2 milhões em bitcoin e alegando ter minado as principais rotas de navegação de entrada e saída do Golfo. O presidente americano Donald Trump mencionou anteriormente a possibilidade de os EUA administrarem o estreito por meio de uma sociedade com o Irã durante o conflito, enquanto a Casa Branca também considerou tentar criar uma faixa “VIP” para embarcações dispostas a pagar uma taxa. Em outras ocasiões, Trump e sua administração argumentaram que seria inaceitável que o Irã cobrasse tarifas obrigatórias pela passagem. J.D. Vance, vice-presidente dos EUA, afirmou na quinta que as hidrovias internacionais “devem ser livres de pedágios”. Ele acrescentou que o acordo prevê que Omã, o Irã e os países do Golfo estabeleçam “uma estrutura de segurança adequada para o estreito no futuro”. “Não se trata de cobrar pedágios, mas de garantir que o estreito nunca mais seja usado como um ponto de estrangulamento da economia global”, afirmou. Em vez de pagar um pedágio, os países cujas embarcações utilizam o Estreito de Malaca contribuem voluntariamente para um fundo destinado a compensar danos ambientais e financiar estudos sobre temas como rotas de navegação. O Japão é um dos maiores contribuintes desse fundo. O Estreito de Ormuz, significativamente mais largo que o de Malaca, deverá ser reaberto ao tráfego na sexta como parte do acordo de paz com o Irã, que se comprometeu a não cobrar taxas de trânsito por pelo menos 60 dias. Apesar de alertas das autoridades iranianas nesta quinta, alguns navios já retomaram a travessia, enquanto mais de 550 embarcações permanecem retidas no Golfo. O Irã já fez declarações que sugeriam a possibilidade de discutir com Omã futuras cobranças por “serviços marítimos”. Omã rejeita pedágios, mas admite avaliar cobranças por serviços ligados à segurança, navegação e proteção ambiental.