Trump afirmou em várias ocasiões que Teerã deseja chegar a um acordo com Washington para reabrir a rota à navegação, mas o Irã desmentiu e insistiu que, ao contrário, estabelecerá um pacto com seu vizinho 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Barcos ancorados ao largo da península de Musandam, no norte de Omã, perto do Estreito de Ormuz — Foto: AFP O Irã informou na quarta-feira que chegou a um consenso com Omã sobre uma nova rota de trânsito para navios no Estreito de Ormuz, que está no centro das tensões com os Estados Unidos. O país, porém, afirmou que a reabertura da via marítima depende de várias garantias dos Estados Unidos. Em entrevista à agência estatal de notícias da República Islâmica (Irna), o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, detalhou as exigências iranianas, afirmando que os EUA devem reverter ações que, segundo o país, violaram compromissos anteriores. Entre as demandas para Washington estão: encerrar o bloqueio naval imposto aos portos iranianos em represália à paralisação do estreito por parte de Teerã;rever as sanções reimpostas ao Irã após o colapso da trégua — especialmente as que incidem sobre o setor petrolífero — e retomar as negociações sobre os ativos congelados de Teerã;abordar a "falha" dos EUA em garantir a estabilidade no Líbano, conforme previsto no memorando de entendimento firmado com Washington em junho. Desde a retomada das hostilidades com as forças americanas no início de julho, Teerã voltou a bloquear a via estratégica pela qual, antes da guerra, transitavam 20% do comércio mundial de petróleo e gás. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em várias ocasiões que Teerã deseja chegar a um acordo com Washington ara reabrir a rota à navegação, mas o Irã desmentiu e insistiu que, ao contrário, estabelecerá um pacto com seu vizinho do outro lado da passagem marítima, Omã. O vice-presidente americano, JD Vance, reconheceu em uma entrevista ao canal Fox News que as negociações com o Irã são desiguais e que o governo Trump registrou avanços e retrocessos em seus esforços para chegar a um acordo. — Vai ser complicado e vai levar tempo para conseguir — disse. Vance atribuiu as dificuldades às divisões dentro do governo iraniano, no qual alguns funcionários desejavam o fim do conflito, enquanto alguns "radicais loucos" queriam a continuidade. — Em primeiro lugar, os iranianos são pessoas extremamente difíceis. Em segundo lugar, o sistema deles é fragmentado — disse Vance. Ataques contra navios O Irã não quer voltar à situação anterior à guerra e, no momento, autoriza apenas uma rota ao longo de suas costas. A implementação de uma rota por Omã em junho irritou o país, o que provocou uma série de ataques a embarcações. Rotas de navegação no Estreito de Ormuz — Foto: Arte/ O GLOBO A agência marítima britânica UKMTO informou nesta quinta-feira que a tripulação de um petroleiro relatou ter ouvido explosões quando transitava pelo Estreito de Ormuz. Em outra frente do conflito, o Exército israelense anunciou que dois soldados morreram em combate no sul do Líbano, onde enfrenta o movimento pró-Irã Hezbollah. Com AFP