República Islâmica rejeitou proposta omani que previa uma divisão igualitária das rotas de trânsito entre os dois países, afirmando que esse plano não atende às suas preocupações de segurança Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã , 1º de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo O Irã propôs a Omã um acordo temporário para reabrir o Estreito de Ormuz pelo qual uma das rotas de navegação passaria por águas territoriais iranianas e parte da rota no sentido oposto também ficaria em águas do Irã, afirmou nesta terça-feira o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, à televisão estatal. Gharibabadi disse que Teerã rejeitou uma proposta de Omã que previa uma divisão igualitária das rotas de trânsito entre os dois países, afirmando que esse plano não atende às preocupações de segurança do Irã enquanto não houver estabilidade regional de longo prazo. Segundo ele, Ormuz permanecerá fechado caso Mascate rejeite a proposta iraniana. O vice-ministro acrescentou que Teerã nunca reconheceu a rota meridional ao longo da costa de Omã. Em uma tentativa de reduzir as tensões sobre a via marítima, o governo de Omã havia apresentado ao Irã uma outra proposta para criar um mecanismo conjunto de administração do estreito, que, antes da guerra, era responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural comercializados globalmente. O plano, que tinha respaldo dos países do Golfo e havia sido inspirado no mecanismo do Estreito de Malaca, previa a cobrança de taxas voluntárias pelo uso da hidrovia e busca destravar as negociações entre Teerã e Washington sobre o futuro da passagem marítima. Mais cedo, Trump voltou a afirmar que mantém boas conversas com autoridades iranianas, embora tenha reiterado as ameaças de atacar a Pickaxe Mountain, uma instalação ligada ao programa nuclear iraniano, além de pontes e usinas de energia, caso não seja fechado um acordo com Teerã. O chefe da Casa Branca suspendeu os treze dias de bombardeios contra a República Islâmica desde o fim da semana passada para dar espaço à diplomacia. Em entrevista ao programa “Fox and Friends”, da Fox News, Trump disse que gostaria de evitar, se possível, ataques contra pontes e usinas iranianas. “É um equilíbrio muito, muito delicado. Por isso, acho que estamos em uma posição muito forte neste momento. Eles sabem que farei isso se não fecharem um acordo”, disse o presidente. “Não podemos mais permitir que eles rompam acordos.” O Irã tem negado que busca uma retomada formal das negociações com Washington e, na segunda-feira, lançou drones contra países da região aliados dos americanos, colocando à prova a trégua informal em vigor. A interrupção da ofensiva americana provocou queda nos preços do petróleo. O Brent, referência global da commodity, estava sendo negociado em torno de US$ 86 por barril às 14h55 (horário de Brasília). Além disso, dados da empresa de monitoramento marítimo Kpler mostraram que o tráfego pelo estreito atingiu na segunda-feira o maior nível em quatro dias. A hidrovia, que liga o Golfo ao Mar Vermelho, tem sido usada pelos houthis, do Iêmen, aliados de Teerã, como instrumento de pressão contra o transporte de petróleo da Arábia Saudita. O trânsito por Ormuz, entretanto, permeneceu baixo segundo a Kpler. Desde o início da guerra, Ormuz tornou-se um dos principais pontos de impasse entre Washington e Teerã. O Irã defende administrar o estreito em conjunto com Omã, que controla a margem oposta, e cobrar taxas das embarcações que utilizam a rota. Já os EUA planejam restaurar o regime anterior ao conflito, com livre navegação e sem cobrança obrigatória de tarifas, argumentando que qualquer pagamento compulsório violaria o direito internacional.