Teerã também voltou a constestar as sucessivas afirmações de Trump de que negociações para um novo acordo estão em andamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã , 1º de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo Um ataque a uma embarcação nas proximidades do Estreito de Ormuz e a recuperação dos preços do petróleo nesta terça-feira reforçaram as dúvidas de que a guerra entre Estados Unidos e Irã esteja próxima de uma solução, enquanto Teerã voltou a contestar a afirmação do presidente Donald Trump de que negociações estariam em andamento. Os preços do petróleo subiram quase 3%, após a forte queda registrada na sessão anterior, à medida que investidores reavaliaram o otimismo em torno de uma solução diplomática. Ao mesmo tempo, um navio de carga informou ter sido atingido por um projétil não identificado nas proximidades do Estreito de Ormuz, na costa de Omã, segundo a agência britânica de segurança marítima Ukmto. Trump afirmou na segunda-feira que conversas com Teerã estavam em andamento e que o Irã enfrentava uma "última chance" para chegar a um acordo. Autoridades iranianas, porém, insistiram que não há negociações com Washington. Segundo Teerã, as únicas conversas em curso sobre Ormuz são com Omã, e não há grandes reuniões previstas para esta semana. "Elas estão acontecendo neste momento", disse Trump a jornalistas durante um evento no Salão Oval, ao ser questionado sobre as negociações, acrescentando que as discussões ocorrem a pedido do Irã, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar. "Esta é a última chance de eles [o Irã] assinarem um bom documento”, prosseguiu. As declarações de Trump vieram após sua decisão, no fim de semana, de cancelar o que descreveu como "ataques maciços" contra o Irã, repetindo um padrão em que ameaça ações militares de grande escala antes de recuar, alegando avanços diplomáticos. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não deseja ampliar o conflito. "Defendemos nossas fronteiras, mas não buscamos expandir a guerra", disse ele, segundo a mídia estatal. O Irã interrompeu a maior parte do tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto Washington mantém um bloqueio à navegação e aos portos iranianos, afetando uma rota por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito. Fontes do setor marítimo disseram à Reuters que a embarcação atingida nas proximidades de Ormuz era um navio graneleiro. A tripulação precisou abandonar o navio, e um marítimo estava desaparecido, segundo essas fontes. O tráfego pelo Estreito de Ormuz continuou reduzido. Dados da Kpler mostraram que apenas três petroleiros e três navios graneleiros atravessaram a passagem na segunda-feira, ante sete embarcações no dia anterior. Em tempos de paz, mais de 100 navios costumam cruzar o estreito diariamente. Queda do petróleo ‘parece exagerada’ Os contratos futuros do petróleo Brent haviam recuado cerca de 7% na segunda-feira, atingindo o menor nível em três semanas, após o tom otimista adotado por Trump sobre a diplomacia. Analistas, no entanto, alertaram que o movimento foi prematuro. "A magnitude da queda parece bastante exagerada, considerando que ainda existe uma incerteza significativa. Já estivemos nessa situação várias vezes antes, apenas para ver tudo desandar", disseram analistas do ING em relatório. Autoridades do Golfo e analistas afirmam que o Irã aposta em resistir por mais tempo do que Washington, transformando as rotas comerciais, as vias marítimas e a infraestrutura energética da região em instrumentos de pressão que aumentam gradualmente o custo do confronto. Bandeiras dos EUA e do Irã , barris de petróleo impressos em 3D e um gráfico de ações em alta são vistos nesta ilustração tirada em 23 de março de 2026 — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de Arquivo "A grande vantagem deles é que conseguem prejudicar os países da região e a economia global", afirmou Michael Knights, do Washington Institute. Em publicação na Truth Social na segunda-feira, Trump chamou a liderança iraniana de "incrivelmente dissimulada", afirmando que ela havia pedido uma reunião e que novas conversas estavam previstas para "o futuro imediato". Fontes no Paquistão, que vem mediando esforços para encerrar o conflito, disseram que continuam as tentativas de levar Washington e Teerã de volta à mesa de negociações. "Muita coisa está acontecendo nos bastidores... Estamos conversando com os dois lados. Nosso único objetivo neste momento é fazer com que ambas as partes ao menos concordem em começar a conversar", afirmou uma alta autoridade de segurança paquistanesa. Padrão recorrente Os acontecimentos de segunda-feira parecem seguir um padrão observado desde que Trump lançou a "Operação Fúria Épica", ao lado de Israel, há mais de cinco meses. Repetidamente, ele ameaça ações militares contra o Irã para depois citar contatos diplomáticos como motivo para recuar. O Irã, contudo, rejeita publicamente negociações com Washington desde o colapso, no início de julho, de um memorando de entendimento assinado no mês anterior com o objetivo de encerrar o conflito. Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmontar o programa nuclear iraniano, reduzir sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem o regime clerical. A disputa em torno do Estreito de Ormuz continua sendo o principal ponto de divergência. Washington afirma que o memorando de junho obrigava o Irã a reabrir a via marítima estratégica, enquanto Teerã sustenta que o texto preserva explicitamente sua autoridade sobre o tráfego na região.
Futuro das negociações entre EUA e Irã é incerto após navio ser atingido em Ormuz
Teerã também voltou a constestar as sucessivas afirmações de Trump de que negociações para um novo acordo estão em andamento









