Teerã afirma que conversas estão em andamento com Omã, com objetivo de viabilizar o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Uma mulher iraniana passa diante de propaganda antiamericana na Praça Enghelab, no centro de Teerã — Foto: Atta Kenare/AFP O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que não há qualquer negociação em curso com os Estados Unidos nesta segunda-feira, contrariando o anúncio do presidente americano, Donald Trump, na véspera, de que uma nova rodada de tratativas com Teerã estava para começar, ao recuar de um novo ataque contra a República Islâmica. Mesmo com os sinais ambíguos, o preço do barril de petróleo voltaram a cair cerca de 5% entre domingo e segunda. — Atualmente não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz — disse o porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baghaei, durante uma entrevista coletiva semanal. A comunicação oficial guarda certa ambiguidade. Embora rejeite a negociação direta com os EUA — o que Trump disse que começaria na tarde desta segunda-feira, incluindo a desnuclearização do Irã para além de Ormuz —, Baghaei mencionou conversas "construtivas" com Omã, citando o objetivo de alcançar um acordo para fazer mais navios transitarem pelo estreito. Ainda assim, há pouca clareza sobre essas negociações e nenhum sinal de que Teerã esteja disposta a permitir a livre passagem de embarcações, algo que Trump vem exigindo. O porta-voz também repetiu que "a situação no Estreito de Ormuz continuará inalterada" enquanto persistir o bloqueio naval americano sobre portos iranianos. Trump afirmou no domingo a retomada das negociações, e justificou que uma nova onda de ataques — que disse que seriam "os maiores desde a Segunda Guerra Mundial" — foram suspensos após pedidos de Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e do próprio Irã. Estreito de Ormuz e Oleoduto Leste-Oeste — Foto: Editoria de Arte / O Globo A mídia iraniana negou que Teerã tenha pedido aos Estados Unidos para não atacarem. O Irã mantém o controle de Ormuz desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. O país insiste que os navios que transitam pela via marítima, crucial para o comércio internacional de petróleo e gás, utilizem uma rota designada por Teerã após solicitar permissão e pagar as taxas de serviço. O preço do petróleo caiu em meio à expectativa de negociação. Por volta das 00h, o preço do petróleo Brent do Mar do Norte — a referência global para o petróleo bruto — caiu 4,7%, para US$ 83,77 o barril. Sua contraparte americana, o West Texas Intermediate (WTI), recuou 5,2%, para US$ 80,26. — A queda é um reflexo do alívio por se ter evitado uma nova escalada — disse Takahiro Asaoka, pesquisador de commodities do Itochu Research Institute. — Uma queda sustentada nos preços do petróleo é difícil, a menos que haja um acordo que permita à navegação pelo Estreito de Ormuz voltar ao normal. 'Troca de pontos de vista' Apesar do sinal negativo da chancelaria iraniana sobre a retomada do diálogo com s EUA, autoridades iranianas comentaram sobre os rumos da frente diplomática. O parlamentar Hassan Qashqavi, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento, afirmou que mediadores estavam tentando reativar o memorando de entendimento entre EUA e Irã, acordado em junho. O acordo não foi concebido como um pacto de paz definitivo, mas como um passo preliminar para negociações sobre um acordo abrangente, embora incluísse disposições sobre Ormuz. — Eles sabem que a principal questão, e de fato a questão crucial neste momento, é o Estreito de Ormuz, então sim, há uma troca de opiniões — declarou Qashqavi no domingo. Em uma publicação na rede social X, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que um esforço seria necessário para "forçar o inimigo a manter o compromisso com o que assinou". (Com AFP e Bloomberg)