PUBLICIDADE EUA ampliam ataques sob argumento de forçar Teerã a aceitar termos de Washington em acordo de paz, afirma Guga Chacra em newsletter especial Mural na praça Vanak, em Teerã, retrata mísseis iranianos e uma espada do Imã Ali, o primeiro Imã dos xiitas — Foto: Atta Kenare/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 11/06/2026 - 04:47 EUA Intensificam Ataques ao Irã, Mas Estratégia Falha, Diz Analista Os EUA intensificaram ataques ao Irã, buscando pressionar Teerã a aceitar um acordo de paz, mas a estratégia parece fracassada, segundo Guga Chacra. Após 50 dias de bombardeios e perdas significativas, o Irã não capitulou e mantém ambições regionais. A guerra, impopular nos EUA, enfrenta restrições políticas e econômicas, enquanto Trump evita escaladas que possam ofuscar eventos nacionais importantes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. Os Estados Unidos decidiram ampliar em mais um dia os ataques ao Irã em uma escalada que pode significar o fim do cessar-fogo na guerra contra o regime de Teerã. As ações atingiram áreas do sul do território iraniano, especialmente perto do Estreito de Ormuz. Foram usados tanto caças quanto mísseis Tomahawks na ação. As forças iranianas afirmam ter respondido com ataques contra bases norte-americanas no Bahrein e no Kuwait e contra navios em Ormuz. Fracasso – Os ataques dos EUA de terça-feira teriam sido para responder à derrubada de um helicóptero Apache pelo Irã. Os de hoje, de acordo com o secretário da Defesa, Pete Hegseth, seriam para forçar Teerã a aceitar os termos propostos por Washington para encerrar o conflito. Se essa for a estratégia norte-americana, certamente fracassará. O regime iraniano não capitulou depois de 50 dias de intensos bombardeios na primeira etapa da guerra. Não capitulou quando mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Não capitulou quando mataram Ali Larijani, o mais importante líder político do país. Por que capitularia agora? Hegemonia – Nada mudará o cálculo de Teerã. A estratégia inicial era de sobrevivência. O regime sobreviveu e seguirá no poder. EUA e Israel não conseguirão derrubá-lo com bombardeios. Além disso, diante do sucesso, o regime passou a ter ambição de uma hegemonia regional, como afirma o cientista político Robert Pape, da Universidade de Chicago. Talvez ainda esteja longe disso, mas indica que o Irã acredita que pode seguir confrontando os EUA e Israel. Custos – Os iranianos sabem também que, apesar desses ataques nos últimos dois dias, Trump já sinalizou que não quer uma escalada, ao menos por enquanto. A inflação norte-americana mais do que dobrou desde o início da guerra. A taxa de aprovação do presidente despencou. A guerra é extremamente impopular entre os norte-americanos. Não há narrativa que convença a população dos EUA de que escalar o conflito seja positivo. Ofuscado – Conforme escrevi na minha coluna hoje, há três grandes eventos que Trump não quer que sejam ofuscados pelo conflito. O primeiro, naturalmente, é a Copa do Mundo. O segundo, a celebração dos 250 anos da independência dos EUA. Por último, a festa de 80 anos do presidente norte-americano, que terá uma luta de vale tudo em uma arena construída nos jardins da Casa Branca. Imagine ter de cancelar o evento para monitorar o prosseguimento da guerra? Ormuz – Alguns analistas avaliam que os recentes ataques teriam o objetivo de reduzir o controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz. Inclusive, os EUA já conseguiram ampliar para cerca de 10 a 15 navios por dia o número de embarcações que cruzam a passagem com escolta militar norte-americana perto da costa de Omã. O fluxo segue bem aquém dos mais de 100 navios diários antes da guerra, o que mostra que os iranianos mantêm a capacidade de bloquear o estreito, ainda que parcialmente. Armadilha – Outros afirmam que os recentes ataques visariam abrir caminho para a retomada de uma ampla campanha de bombardeios dos EUA e de Israel. Certamente, esse seria o desejo de Benjamin Netanyahu. Mas, por causa dos efeitos negativos para os EUA já citados, não faz muito sentido Trump seguir nessa linha. A não ser que acabe sugado para uma escalada mesmo contra a sua vontade, o que costuma ocorrer em alguns conflitos. Veja o caso de Vladimir Putin na Ucrânia. Quando decidiu invadir, imaginou que seria um conflito simples e já estamos no quinto ano de combates.