Apesar dos reveses militares durante a guerra, Teerã apresenta uma narrativa de vitória antes das negociações com Washington 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Motoristas passam por uma faixa gigante representando mísseis iranianos e uma espada pertencente ao Imã Ali, o primeiro Imã dos xiitas, na Praça Vanak, em Teerã — Foto: Atta Kenare/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 13:32 Irã Entra em Negociações Nucleares com EUA Sentindo-se Fortalecido O Irã entra nas negociações nucleares com os EUA sentindo-se fortalecido, apesar dos reveses militares na guerra. Líderes iranianos veem o acordo preliminar como uma vitória estratégica, destacando a resiliência frente a um inimigo mais poderoso. A influência iraniana no Estreito de Ormuz foi reconhecida, e o país busca incluir o Líbano no acordo. As negociações nucleares, previstas para iniciar na Suíça, serão cruciais para determinar a durabilidade do entendimento alcançado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Nos dias que se seguiram ao acordo preliminar entre o Irã e os Estados Unidos para suspender a guerra, políticos, generais e clérigos iranianos de diversas facções descreveram o acordo como uma vitória que demonstrou a resiliência de Teerã contra um inimigo muito mais poderoso. Essa é a posição defendida pelos líderes iranianos, mesmo após o país ter perdido vários de seus principais líderes políticos e militares, sofrido um duro golpe em seu arsenal de mísseis balísticos e ter sua economia ainda mais fragilizada pelo bloqueio naval. “O Irã deu um passo importante rumo à vitória final”, escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e figura central nas negociações do acordo, em uma publicação nas redes sociais na segunda-feira. À medida que os negociadores se aproximavam de um acordo, Sadegh Amoli Larijani, presidente de um poderoso conselho nomeado que supervisiona o trabalho do governo, escreveu nas redes sociais no sábado que os iranianos demonstraram um “espírito de resistência renovado” e derrotaram os planos dos EUA e de Israel para derrubar a República Islâmica. Parte da demonstração de apoio mútuo provavelmente visa apresentar uma frente unida tanto no exterior quanto internamente, onde uma minoria linha-dura expressiva protestou contra o acordo, considerando-o uma traição aos mortos na guerra. Os comentários também refletem a percepção genuína dos líderes iranianos, que podem apontar para o fato de que os termos do acordo, embora ainda não totalmente conhecidos, ficarão muito aquém do que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia declarado anteriormente como seus objetivos ao iniciar a guerra: “vitória total e completa” para os Estados Unidos e “rendição incondicional” para o Irã. O estilo da liderança iraniana também mudou como resultado da guerra. Algumas figuras pragmáticas, como o oficial de segurança nacional Ali Larijani, foram mortas, enquanto a Guarda Revolucionária Islâmica — a força militar que defende o sistema de governo clerical do Irã — consolidou o poder. O impacto a longo prazo dessas mudanças ainda está por ser visto, mas as transformações levantam a questão de quão dispostas as Forças Armadas, agora ainda mais poderosas, estarão a fazer concessões significativas na mesa de negociações. A retórica de Trump também parece estar contribuindo para o tom confiante dos líderes iranianos. O presidente americano criticou publicamente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pelos ataques ao Líbano que quase inviabilizaram o acordo EUA-Irã, e descreveu a atual liderança iraniana, incluindo o líder supremo, Mojtaba Khamenei, como pragmática. Na terça-feira, Trump afirmou que a liderança do Irã agora é “racional”, em comparação, em sua opinião, aos líderes que foram mortos no início da guerra. Segundo a versão do presidente americano sobre o acordo, o Irã permitirá a navegação pelo Estreito de Ormuz — um retorno ao status quo anterior à guerra. Mas, talvez como um indício da influência que o Irã acredita ter, Teerã indicou que pretende cobrar dos navios pela passagem pelo estreito, algo que não fazia antes da guerra. — O Irã certamente se sentirá encorajado por este acordo — afirmou Mehrzad Boroujerdi, especialista em Irã da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri. — Não me lembro de outro caso em que o Irã tenha sofrido reveses militares tão sérios e, ainda assim, tenha emergido com o que poderia ser considerado uma vitória diplomática. No Irã, grande parte dessa narrativa é familiar, aprimorada durante os oito anos de guerra com o Iraque. Esse conflito, que começou em 1980, foi apresentado por autoridades iranianas como uma luta de um país em desvantagem contra um invasor estrangeiro e seus poderosos aliados. O Irã pode ter alcançado mais agora do que no período pós-guerra, afirmou Hamidreza Azizi, especialista em segurança iraniana do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança. — Pela primeira vez, seu papel no Estreito de Ormuz foi, em certa medida, reconhecido de fato, enquanto os países da região parecem estar buscando uma conciliação com o Irã em vez de um confronto — destacou ele. — A liderança iraniana se vê como capaz de ditar termos que, em sua visão, devem ser vinculativos não apenas para os Estados Unidos, mas também para Israel — pontuou Azizi. O acordo adiou as disputas mais complexas entre o Irã e os Estados Unidos — o destino do programa nuclear iraniano e o tipo de alívio das sanções que o país deve receber em troca de limitá-lo — para rodadas posteriores de negociações, que devem começar na sexta-feira na Suíça. Com o Irã entrando nessas negociações confiante, seus negociadores podem estar relutantes em fazer concessões nos principais pontos de discordância, incluindo o futuro do atual estoque de urânio enriquecido do Irã. — As negociações nucleares serão o verdadeiro teste da durabilidade deste acordo — ressaltou Boroujerdi. — Se as tensões no Estreito de Ormuz tiverem diminuído até essa fase, Trump poderá ter mais dificuldade em obter concessões importantes de Teerã.
Análise: Irã entrará nas negociações nucleares se sentindo encorajado
Apesar dos reveses militares durante a guerra, Teerã apresenta uma narrativa de vitória antes das negociações com Washington









