Teerã afirma ter reconstruído suas Forças Armadas durante cessar-fogo em vigor desde 8 de abril; Paquistão e Catar intensificam mediação para evitar retomada da guerra Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, apresenta candidatura para suceder Ebrahim Raisi, morto em 20 de maio em acidente de helicóptero — Foto: ATTA KENARE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/05/2026 - 13:12 Irã ameaça retaliação "esmagadora" em caso de hostilidades dos EUA Em meio à frágil trégua entre EUA e Irã, Teerã ameaça resposta "esmagadora" caso Washington retome hostilidades. O chefe negociador iraniano, Qalibaf, destacou a reconstrução das Forças Armadas durante o cessar-fogo vigente desde abril. Paquistão e Catar intensificam mediação para evitar a escalada do conflito. Trump, em tom ultimativo, pressiona por negociações rápidas, enquanto questões como o bloqueio aos portos iranianos permanecem em suspenso. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em meio à frágil trégua entre Estados Unidos e Irã, o chefe negociador da república islâmica, Mohamad Baqer Qalibaf, lançou neste sábado um duro alerta a Donald Trump. Ele afirmou que Teerã responderá de forma “esmagadora” caso Washington retome as hostilidades e disse que o regime usou o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril para reconstruir suas Forças Armadas. — Nossas Forças Armadas foram reconstruídas durante a trégua de tal maneira que, se Trump cometer outro ato de loucura e reiniciar a guerra, [o resultado] será certamente mais esmagador e amargo para os Estados Unidos do que no primeiro dia da guerra — publicou Qalibaf nas redes sociais. A declaração ocorre após novas falas de Trump, que, em tom de ultimato, disse que as negociações com Teerã estão “no limite” entre a conclusão de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio e a retomada dos ataques. — Se não obtivermos as respostas corretas, isso avança muito rápido. Estamos totalmente prontos para agir. Temos que conseguir as respostas corretas: elas teriam que ser completamente boas, 100% — afirmou Trump. Jornais em banca de Teerã apresentam o presidente dos EUA, Donald Trump, como o "rei dos blefes" — Foto: ATTA KENARE / AFP Diante do risco de ruptura do cessar-fogo, Paquistão e Catar enviaram delegações ao Irã, segundo autoridades e diplomatas informaram na sexta-feira, em uma intensificação dos esforços para evitar uma nova escalada entre Washington e o regime islâmico. Neste sábado, o chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Syed Asim Munir, que tem desempenhado papel central na mediação conduzida por seu país, reuniu-se com Qalibaf. O encontro foi visto como sinal de que as negociações diplomáticas ganharam impulso em meio ao temor crescente de retorno à guerra aberta e à posição oscilante de Trump no conflito. Em conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o chanceler iraniano, Abás Araqchi, criticou as “posições contraditórias e as repetidas exigências excessivas” de Washington, segundo as agências Tasnim e Fars. Esses fatores, afirmou Araqchi, “perturbam o processo de negociações conduzido sob mediação do Paquistão”. — Apesar de sua profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, a República Islâmica do Irã participou do processo diplomático com uma abordagem responsável e a maior seriedade, e busca alcançar um resultado razoável e equitativo — acrescentou. Segundo a agência iraniana Irna, o chefe do Exército paquistanês conversou até as primeiras horas de sábado com Araqchi sobre os “últimos esforços e iniciativas diplomáticas destinadas a impedir uma nova escalada”. As conversas, de acordo com relatos, se concentraram em um documento de 14 pontos proposto pelo Irã, considerado por Teerã o principal marco para as discussões, além das mensagens trocadas entre as partes. Qalibaf afirmou ainda que o Irã defenderá seus “direitos legítimos” tanto no campo de batalha quanto por meio da diplomacia, mas disse que não pode confiar em “uma parte que carece completamente de honestidade”, acusação já repetida por Teerã em outras ocasiões. Em seguida, insistiu que as Forças Armadas iranianas reconstruíram suas capacidades durante o cessar-fogo e que, se os Estados Unidos “retomarem estupidamente a guerra”, as consequências serão “mais contundentes e amargas” do que no início do conflito. Pontos de atrito O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, já havia advertido que as divergências com Washington continuam “profundas”. Segundo ele, seguem “em suspenso” temas ligados ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a situação no Estreito de Ormuz, o bloqueio americano aos portos iranianos e a questão nuclear. O Catar, fortemente afetado pela guerra iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, assim como outros países da região, também intensificou esforços alternativos de mediação.