Plano previa libertar ex-presidente de prisão domiciliar após ataque em Teerã, mas operação falhou e paradeiro do iraniano é desconhecido O ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad do Irã em entrevista coletiva após se registrar como candidato nas eleições presidenciais, em Teerã, em 2 de junho de 2024 — Foto: Arash Khamooshi / Polaris para The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 12:16 Plano Geopolítico de EUA e Israel para Ahmadinejad no Irã Fracassa Em uma surpreendente reviravolta geopolítica, EUA e Israel tinham um plano para empossar Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente iraniano linha-dura, como líder do Irã. Após um ataque israelense para libertá-lo da prisão domiciliar em Teerã, o plano desmoronou, e Ahmadinejad desapareceu. O conflito, iniciado com a morte do aiatolá Khamenei, visava uma mudança de regime em Teerã. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Dias após ataques israelenses matarem o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outras autoridades de alto escalão nas primeiras ofensivas da guerra, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a sugerir publicamente que seria melhor que “alguém de dentro” do país assumisse o poder. Na prática, porém, EUA e Israel entraram no conflito com um nome específico — e surpreendente — em mente: Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente iraniano conhecido por suas posições linha-dura, anti-Israel e antiamericanas. O plano ousado, desenvolvido por Israel e discutido com Ahmadinejad, rapidamente saiu do controle, segundo autoridades americanas. De acordo com um aliado do ex-presidente e autoridades dos EUA, Ahmadinejad ficou ferido no primeiro dia da guerra após um ataque israelense à sua casa, em Teerã, que teria sido planejado para libertá-lo da prisão domiciliar. Ele sobreviveu, mas, após o episódio, teria se desiludido com o plano de mudança de regime. Desde então, não foi mais visto em público, e seu paradeiro e estado de saúde são desconhecidos. Dizer que Ahmadinejad era uma escolha incomum é pouco. Embora tenha se afastado do regime nos últimos anos e passado a ser monitorado de perto pelas autoridades iranianas, durante seu governo, de 2005 a 2013, ficou conhecido por defender que Israel fosse “varrido do mapa”, apoiar o programa nuclear iraniano, criticar duramente os EUA e reprimir violentamente opositores internos. Não está claro como ele foi recrutado para participar do plano. A iniciativa — até então não revelada — fazia parte de uma estratégia em várias etapas elaborada por Israel para derrubar o governo teocrático iraniano. O episódio indica que Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, entraram na guerra não apenas subestimando a rapidez com que atingiriam seus objetivos, mas também apostando em um plano arriscado de mudança de liderança no Irã — considerado pouco plausível até por integrantes do próprio governo americano. — Desde o início, o presidente Trump deixou claros seus objetivos na Operação Epic Fury: destruir os mísseis balísticos do Irã, desmontar suas instalações de produção, afundar sua marinha e enfraquecer seus aliados — diz Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca. — As Forças Armadas dos EUA cumpriram ou superaram todos os objetivos, e agora nossos negociadores trabalham para um acordo que encerre definitivamente as capacidades nucleares do Irã. Um porta-voz do Mossad, serviço de inteligência externa de Israel, se recusou a comentar. Nos primeiros dias da guerra, autoridades americanas discutiam com Israel a possibilidade de identificar um líder “pragmático” que pudesse assumir o país. Havia a avaliação de que integrantes do regime iraniano poderiam estar dispostos a cooperar com os EUA, mesmo sem serem considerados moderados. Trump vinha de um momento de entusiasmo após uma operação americana que capturou o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, e da cooperação de sua substituta interina, Delcy Rodríguez, com a Casa Branca — um modelo que ele acreditava poder ser replicado em outros países. Nos últimos anos, Ahmadinejad entrou em conflito com líderes do regime, acusando-os de corrupção, e teve suas movimentações cada vez mais restritas à sua residência no bairro de Narmak, no leste de Teerã. O fato de autoridades americanas e israelenses o considerarem como possível líder de um novo governo reforça a avaliação de que a guerra também foi iniciada com o objetivo de instalar uma liderança mais alinhada em Teerã — apesar de Trump e integrantes de seu governo afirmarem que os alvos eram estritamente militares e nucleares. Ainda há muitas dúvidas sobre como os EUA e Israel pretendiam colocá-lo no poder e sobre as circunstâncias do ataque que o feriu. Segundo autoridades americanas, o bombardeio — realizado pela força aérea israelense — tinha como alvo os agentes que o mantinham sob vigilância, como parte de um plano para libertá-lo da prisão domiciliar. Em 28 de fevereiro, o primeiro dia da guerra, ataques israelenses também mataram Khamenei. O bombardeio ao complexo onde ele estava, no centro de Teerã, também atingiu uma reunião de autoridades iranianas, matando integrantes que, segundo a Casa Branca, eram considerados mais abertos a negociações. Inicialmente, a imprensa iraniana chegou a noticiar que Ahmadinejad havia sido morto no ataque à sua residência. O bombardeio não destruiu significativamente a casa, mas atingiu um posto de segurança na entrada da rua, que foi completamente destruído, segundo imagens de satélite. Dias depois, agências oficiais confirmaram que ele havia sobrevivido, mas que seus “guarda-costas” — na verdade membros da Guarda Revolucionária responsáveis tanto por protegê-lo quanto por mantê-lo sob vigilância — morreram no ataque. Uma reportagem da revista The Atlantic afirmou que Ahmadinejad teria sido libertado após o bombardeio, descrevendo a operação como uma espécie de “fuga assistida”. Um aliado do ex-presidente confirmou posteriormente ao New York Times que ele interpretou o ataque como uma tentativa de resgatá-lo. Segundo essa fonte, autoridades americanas o viam como alguém capaz de liderar o Irã e administrar a situação política, social e militar do país. Durante seu governo, Ahmadinejad ficou conhecido tanto por suas políticas linha-dura quanto por declarações controversas, como negar o Holocausto e afirmar que não havia homossexuais no Irã. Após deixar o cargo, passou a criticar o governo teocrático e entrou em rota de colisão com Khamenei. Ele tentou disputar novamente a presidência em 2017, 2021 e 2024, mas foi barrado pelo Conselho dos Guardiões. Embora não tenha se tornado um dissidente declarado, passou a ser visto como uma figura potencialmente desestabilizadora. Suas relações com o Ocidente são menos claras. Em entrevista ao New York Times em 2019, chegou a elogiar Trump e defender uma aproximação entre Irã e EUA. Nos últimos anos, viagens ao exterior — incluindo Guatemala e Hungria — alimentaram especulações sobre seu posicionamento político. O ex-primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, mantém relação próxima com Netanyahu. Ahmadinejad retornou de Budapeste poucos dias antes do início dos ataques israelenses ao Irã. Durante o conflito, manteve perfil discreto, com poucas manifestações públicas — silêncio que chamou atenção, dado seu histórico de hostilidade a Israel.
Objetivo de EUA e Israel era empossar como líder do Irã Ahmadinejad, linha-dura contrário a Washington e Tel Aviv
Plano previa libertar ex-presidente de prisão domiciliar após ataque em Teerã, mas operação falhou e paradeiro do iraniano é desconhecido










