Em newsletter especial sobre a guerra no Oriente Médio, Guga Chacra analisa os planos de Trump e Netanyahu revelados pelo New York Times O ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad do Irã em entrevista coletiva após se registrar como candidato nas eleições presidenciais, em Teerã, em 2 de junho de 2024 — Foto: Arash Khamooshi / Polaris para The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 04:39 Análise: Trump e Netanyahu planejam retorno de Ahmadinejad no Irã? Em uma análise sobre a guerra no Oriente Médio, Guga Chacra discute possíveis planos de Trump e Netanyahu, mencionados pelo New York Times, para reinstalar Mahmoud Ahmadinejad no poder no Irã. Ahmadinejad, ex-presidente radical e antissemita, teve apoio controverso de líderes como Lula e Chávez. Apesar das especulações, ele permanece em local desconhecido, com seu futuro incerto no cenário político iraniano. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Com a eclosão da guerra no Irã e o conflito se expandindo para diferentes países do Oriente Médio, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O escolhido dos Estados Unidos e de Israel para ser a Delcy Rodríguez do Irã seria Mahmoud Ahmadinejad, segundo reportagem do New York Times. Os governos de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu não confirmaram a informação. Obviamente, os planos, se verdadeiros, não deram certo. O regime iraniano segue no poder e o ex-presidente, neste momento, está em algum lugar incerto. Extremista e antissemita – Ahmadinejad talvez tenha sido o mais extremista presidente do Irã. Negacionista do Holocausto e dos atentados de 11 de Setembro, era um árduo defensor do programa nuclear iraniano e defendia abertamente a destruição de Israel. Seus ataques a judeus certamente o qualificam como antissemita. Ao mesmo tempo, não integrava a Guarda Revolucionária e tampouco possuía credenciais religiosas. Seria mais bem descrito como um típico presidente radical populista. Próximo a Lula e Chávez – Eleito pela primeira vez em 2005, substituindo o antecessor reformista Mohammad Khatami, foi reeleito em eleição claramente fraudada em 2009 que teria sido vencida pelo também reformista Mir Hossein Mousavi. Na época, gigantescos protestos ocorreram em Teerã e outras grandes cidades contra o regime, mas acabaram sendo reprimidos com violência. Para completar, Ahmadinejad possuía boas relações com lideranças latino-americanas, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez. Feiticeiros – Ao deixar o poder, no entanto, Ahmadinejad caiu no ostracismo. Alguns de seus assessores foram presos por feitiçaria. Outros receberam acusações de serem espiões de Israel. O ex-presidente passou a criticar o regime e até o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país. Terminou sendo colocado em uma espécie de prisão domiciliar. Também foi impedido pelo regime de disputar três eleições presidenciais. Mais uma vez, insisto, Ahmadinejad não havia se convertido em um opositor pró-democracia. Mantinha seu discurso radical. Sem lógica – Mas qual seria a lógica para Israel e EUA o escolherem para ser a Delcy Rodríguez iraniana caso os planos dessem certo? Não tem muita lógica, mas vamos tentar elaborar alguns motivos. De fato, Ahmadinejad era um outsider e contava ainda com algum apoio dentro do território iraniano. Mas, mesmo isso não se sustenta muito, já que o ex-presidente estava longe de ser popular o suficiente para ser levado ao poder pelos braços do povo — opositores tradicionais o odeiam. Pode ser também que tenha sido escolhido porque realmente houvesse se tornado um agente de Israel, como especula o New York Times, embora não seja possível cravar. Paradeiro incerto – Nos dias iniciais dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, a casa onde vivia Ahmadinejad foi bombardeada. O alvo não teria sido ele e sim os membros da Guarda Revolucionária que o mantinham preso. Todos teriam sido mortos. Na época, chegou-se a especular que o ex-presidente teria morrido, mas aparentemente ficou ferido. Ninguém sabe seu paradeiro atual e com certeza sua situação deve ter ficado ainda mais complicada perante o regime com as informações de que ele seria ligado aos EUA e a Israel. Como curiosidade, no passado, Ahmadinejad elogiou a personalidade de Trump algumas vezes. Atrapalhados – Este episódio de Ahmadinejad deixa clara a falta de planejamento dos EUA e de Israel quando decidiram atacar o Irã. Não apenas a mudança de regime fracassou como também uma suposta capitulação nos moldes da Venezuela. Agora ficamos sabendo que talvez uma figura tão grotesca como Ahmadinejad poderia ser o escolhido por Trump e Netanyahu para governar o país. Surreal – Sendo honesto, até imaginei que tivesse passado pela cabeça deles líderes como o decadente playboy filho do Xá ou figuras poderosas e pragmáticas do regime, como Ali Larijani, que foi morto em ataque israelense, ou Mohammad Ghalibaf, uma das figuras mais poderosas do regime atualmente. Mas Mahmoud Ahmadinejad? Inacreditável.