Dias após os ataques israelenses que mataram o líder supremo do Irã e outros altos funcionários no início da guerra, Donald Trump sugeriu publicamente que seria melhor se “alguém de dentro” assumisse o controle do país. Posteriormente, revelou-se que Estados Unidos e Israel tinham um nome específico em mente: Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente iraniano conhecido por suas posições radicais, anti-Israel e antiamericanas, noticiou o New York Times. Segundo autoridades americanas, Israel elaborou um plano de mudança de regime que incluía libertar Ahmadinejad da prisão domiciliar e colocá-lo no poder como líder de um novo governo iraniano. O ex-presidente havia sido consultado sobre a proposta, mas o plano rapidamente fracassou. No primeiro dia da guerra, um ataque israelense atingiu sua residência em Teerã com o objetivo de eliminar os agentes da Guarda Revolucionária responsáveis por vigiá-lo e mantê-lo em prisão domiciliar. Ahmadinejad ficou ferido, sobreviveu ao ataque e, após escapar por pouco da morte, teria perdido a confiança no projeto de mudança de regime. Desde então, desapareceu da vida pública e seu paradeiro é desconhecido. Nos últimos anos, Ahmadinejad havia entrado em conflito com o regime iraniano, acusando líderes de corrupção e má gestão. Impedido de disputar eleições presidenciais em 2017, 2021 e 2024, passou a ser tratado pelo governo como um elemento potencialmente desestabilizador. Apesar disso, continuava sendo lembrado por seu histórico linha-dura durante a presidência entre 2005 e 2013, quando defendeu o programa nuclear iraniano, criticou duramente os Estados Unidos e Israel e reprimiu opositores internos. Contudo, em uma entrevista ao NYT em 2019, Ahmadinejad elogiou o presidente Trump e defendeu uma aproximação entre Irã e Estados Unidos. “Trump é um homem de ação”, disse Ahmadinejad. “Ele é um empresário e, portanto, é capaz de calcular custos e benefícios e tomar decisões. Dizemos a ele: vamos calcular os custos e benefícios de longo prazo para nossas duas nações e não sermos míopes.” O plano israelense previa várias etapas: ataques aéreos conjuntos com os EUA, eliminação da liderança iraniana, mobilização de grupos curdos, campanhas de influência e, por fim, o colapso do regime para permitir a instalação de um “governo alternativo”. No entanto, tirando os ataques iniciais e a morte do líder supremo, grande parte da estratégia falhou. Analistas consultados pelo NYT apontam que Israel e EUA subestimaram a resistência do Irã e superestimaram sua capacidade de impor uma mudança de regime em Teerã.