Teerão recebeu na quarta-feira uma nova proposta norte-americana para um memorando de entendimento que permita pôr fim à guerra e, na sexta-feira, os mediadores paquistaneses voltaram a Teerão para se reunir com os negociadores iranianos, incluindo o presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, e tentar fazer avançar o acordo para travar o conflito que dura há três meses.O marechal de campo paquistanês, Asim Munir, e o ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, que têm sido os rostos desta ofensiva diplomática do Paquistão, concluíram neste sábado uma visita “altamente produtiva” ao Irão, onde as conversações com altos responsáveis iranianos registaram “progressos encorajadores rumo a um entendimento final”, anunciou o Exército do Paquistão.“As discussões mantiveram-se centradas em acelerar o processo de consultas em curso para apoiar a paz e a estabilidade na região”, disse o comunicado. Aparentemente, a bola está agora do lado dos Estados Unidos.O Presidente norte-americano, que falou com o site noticioso Axios este sábado, revelou que vai reunir-se ao final do dia com a sua equipa de negociadores (habitualmente composta pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro do Presidente, Jared Kushner) para discutir a mais recente proposta do Irão.Trump afirmou que existe uma “probabilidade real de 50/50” de conseguir alcançar um acordo “bom” com os iranianos ou de “reduzi-los a nada”, na falta de um entendimento. A decisão deverá ser tomada no domingo.O Axios diz ainda que o Presidente dos EUA deverá realizar ainda hoje uma conferência telefónica com líderes do Golfo para discutir a situação no Irão, e que os líderes do Egipto, Jordânia e Turquia deverão estar entre os participantes.De acordo com a agência noticiosa síria, a Sana, Trump já falou este sábado com o emir do Qatar sobre as conversações com o Irão.Negociações à parte, o Presidente dos Estados Unidos continuou a entreter-se na sua rede social Truth com provocações a Teerão, desta vez com a publicação de um mapa do Médio Oriente em que o território iraniano surge coberto com as cores da bandeira norte-americana, sob o título “Estados Unidos do Médio Oriente?”.A partir de Nova Deli, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que iniciou uma visita de quatro dias à Índia, disse-se esperançoso de que seja possível chegar a um acordo com Teerão, mas não deu garantias.“Há a possibilidade de que, hoje mais tarde, amanhã ou dentro de alguns dias, possamos ter algo a anunciar”, disse Rubio aos jornalistas em Deli, onde se encontrou com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. “Pode não haver. Espero que haja, mas ainda não tenho a certeza”, disse o chefe da diplomacia norte-americana.“Tem havido algum progresso, alguns avanços. Mesmo agora, enquanto falo convosco, ainda há trabalho a ser feito”, acrescentou.Aparentemente, a base das conversações continua a ser o plano de 14 pontos que tem sido apresentado desde o início pelo Irão e que foi tantas vezes considerado inaceitável pelos norte-americanos.O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse à televisão estatal que “há menos pontos de desacordo” entre as duas partes, mas que a questão nuclear – que a Casa Branca considera uma linha vermelha – não faz parte do quadro inicial de questões que estão a ser discutidas para pôr fim à guerra, noticia a CBS.“Nesta fase, não discutiremos os detalhes da questão nuclear… decidimos dar prioridade a uma questão urgente para todos nós: acabar com a guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano”, declarou o porta-voz, acrescentando que o tema do nuclear será “objecto de discussões separadas” numa fase posterior.Citando também a televisão estatal iraniana, a Reuters diz que o principal negociador do Irão, o presidente do Parlamento, disse ao chefe do Exército paquistanês, durante conversações, que os Estados Unidos não eram uma parte honesta nas negociações e que o Irão não iria comprometer os seus direitos nacionais neste processo.
Probalidade de acordo com o Irão é de “50/50”, diz Trump
Mediadores do Paquistão falam em “progressos encorajadores” depois de encontro com negociadores iranianos em Teerão. Trump vai analisar nova proposta.













