Há uma “chance de 50%” de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, afirmou nesta sexta-feira (22) o assessor presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash. Ele ressaltou, porém, que qualquer solução política precisa abordar as causas profundas da instabilidade na região para evitar novos conflitos. O Paquistão vem mediando um cessar-fogo entre EUA e Irã para encerrar a guerra que abalou a economia global e interrompeu o comércio no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito. “Há uma chance de 50% de chegarmos a um acordo. Minha preocupação é que os iranianos sempre negociaram em excesso”, afirmou Gargash, que atua como assessor diplomático do presidente dos Emirados, durante a conferência Globsec, em Praga. “Isso não é novidade. Eles perderam muitas oportunidades ao longo dos anos por causa da tendência de superestimar suas cartas. Espero que não façam isso desta vez”, prosseguiu Gargash. Ele também afirmou que a região precisa de uma solução política e que uma segunda rodada de confronto militar tornaria a situação ainda mais complicada. No entanto, Gargash ressaltou que negociações voltadas apenas para alcançar um cessar-fogo correm o risco de criar as bases para novos conflitos caso não resolvam os problemas estruturais. “Isso não é o que buscamos”, acrescentou. O Irã atacou repetidamente os Emirados durante o conflito, incluindo bombardeios contra infraestrutura civil e áreas próximas a instalações militares americanas no país do Golfo. Autoridades emiradenses afirmaram que drones e mísseis iranianos atingiram usinas de dessalinização, instalações de energia e áreas próximas a Dubai e Abu Dhabi. Gargash alertou que qualquer controle sobre Ormuz criaria um precedente perigoso ao politizar a hidrovia estratégica e colocá-la sob influência iraniana. Mudanças no status quo do estreito teriam sérias repercussões globais, inclusive para a Europa, afirmou, pedindo que os países europeus tratem a questão como diretamente ligada à segurança energética e aos interesses comerciais do continente. Segundo ele, o estreito deve retornar à condição anterior à guerra, como uma via marítima internacional que garante o livre fluxo de energia, comércio e tráfego marítimo, como ocorreu durante décadas.
Emirados vê chance de 50% de acordo entre EUA e Irã e alerta contra retomada da guerra
Assessor presidencial ressaltou que qualquer solução política precisa abordar causas profundas da instabilidade na região para evitar novos conflitos













