O mercado até tentou se desvencilhar da elevada dependência da narrativa geopolítica, mas não conseguiu. Depois de muito criar expectativas apenas para se frustrarem, investidores tentavam ignorar a retórica para se ater apenas a sinalizações concretas sobre o futuro da guerra no Golfo Pérsico. Até que o dia parece, enfim, estar perto de chegar. Nesta quinta (21), o vetor das negociações se tornou, mais uma vez, o possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã. O que diferencia a promessa deste mês da de abril ou mesmo do cenário vislumbrado por Donald Trump em março é o caráter de urgência e o tom sóbrio que o assunto ganhou na Casa Branca. Agora, parece que nem mesmo a maior potência econômica e militar do mundo pode bancar muito mais tempo desse choque de oferta no mercado de energia. O Ibovespa avançou 0,17%, alcançando os 177.650 pontos no fechamento. Na semana, o índice está com ganho de 0,2%, mas, no mês, ainda está com baixa de 5,16%. No acumulado ano até aqui, a alta da carteira é de 10,26%. Mesmo preliminar e não confirmado, o cessar-fogo voltou a mover preços. Porém o Estreito de Ormuz permanece como variável aberta, o que prega o sentimento de cautela que paralisou os preços aqui e lá em Nova York nesta sessão. Assim, Ormuz conseguiu ofuscar a decepção com a mensagem da Nvidia ontem - e o mercado segue à mercê da narrativa da guerra, em que cada notícia de Teerã vai continuar valendo mais para as bolsas do que qualquer balanço corporativo. O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 17,7 bilhões hoje, abaixo da média dos últimos 12 meses, de R$ 18,2 bilhões. Os relatos de que os EUA e o Irã alcançaram uma versão final preliminar de um acordo mediado pelo Paquistão, com cessar-fogo imediato e compromisso mútuo de evitar ataques contra infraestrutura, é suficiente para evitar novas perdas, mas não o bastante para mudar o humor nos mercados, tomado pelo movimento de fuga risco. O alívio transpareceu de forma mais clara nas expectativas para os juros, com o mercado respondendo nesse canal à perspectiva de paz porque enxerga nela uma cadeia de consequências que desemboca em menor pressão sobre a condução da política monetária no mundo todo. Com o preço do petróleo tendo espaço para ceder, a inflação global pode arrefecer e, assim, as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) pode não se ver obrigado a subir os juros neste ano descomprimem a pressão sobre a Selic. A aposta de alta de juros pelo Fed migrou de dezembro de 2026 para janeiro de 2027 após a notícia do possível acordo. E mesmo assim num cenário menos probabilístico do que o anterior. O quadro em Nova York reforçou a leitura de contenção dos ânimos hoje. Os investidores aproveitaram o suspense sobre o acordo de paz para assimilarem os resultados da Nvidia - que bateram as estimativas com folga, mas ainda assim não animaram pela falta de sinais contundentes de crescimento na demanda. O dólar à vista estabilizou, cedendo apenas 0,06% contra o real hoje, seguindo a R$ 5. Na semana, segue 1,3% mais barato, mas, no mês, está com alta de 1% sobre o real. No ano até aqui, cedeu 8,9% no mercado de câmbio local. A bolsa estacionou. Hora de vender ou insistir em ações? Na sessão em que circulou a notícia mais aguardada dos últimos três meses, os índices acionários e o câmbio paralisaram. E essa imobilidade conta uma história mais longa do que o próprio pregão desta quinta. Das 79 ações que compõem o Ibovespa atualmente, 41 desvalorizaram hoje, porém num quadro próximo à estabilidade. Quem embarcou na tese de otimismo para o Ibovespa em janeiro, animado com um mercado que já acumulava quase 10% de alta no ano, está agora exatamente onde começou. O principal índice de ações do Brasil estreou em 2026 na mínima deste ano, por volta dos 160 mil pontos, e de lá até o começou de abril galgou seu espaço até perto dos 199 mil - a menos de 1% do marco histórico dos 200 mil. Desde então devolveu quase 10% desse pico. O resultado líquido são os pouco mais de 10% de ganho nominal, ainda quase o dobro do CDI no período, mas com uma montanha-russa no meio. Para quem entrou em janeiro com promessa de ano novo e ficou quieto, valeu a pena aguentar o sobe e desce? Por enquanto, sim, mas com ressalvas que importam. A análise técnica mostra que o mercado perdeu tração após tentativa de continuidade de alta. O fechamento próximo das mínimas reforça pressão vendedora no curto prazo, com o preço testando suporte na faixa de 178.600 pontos, segundo o relatório da Genial Investimentos. A manutenção do Ibovespa abaixo desse nível mantém viés de continuação da correção, enquanto retomada acima de 179 mil pontos tende a configurar apenas um alívio técnico dentro da perda recente de força. Na prática, a análise gráfica disse ontem que precisava de 179.500 para virar neutro. Hoje, o mercado tentou chegar lá nos mercado de futuros, mas foi rechaçado. O fluxo vendedor apareceu exatamente quando o comprador esperava que não aparecesse. Isso é a definição de tendência de baixa sustentada no curto prazo. Para as ações, falta o próximo passo: concretização. A confirmação da reabertura do Estreito de Ormuz com a formalização do cessar-fogo e a reversão do fluxo externo, que tirou quase R$ 11 bilhões da bolsa só em maio. Nenhum desses elementos está dado ainda. Do ponto de vista técnico, o investidor está numa posição incômoda, mas não desesperada. O Ibovespa ainda negocia acima das médias de longo prazo. A estrutura de alta construída ao longo de 2025 e início de 2026 não foi destruída - e sim apenas interrompida. A correção de 10% desde o topo de abril, num contexto de guerra no Oriente Médio, petróleo acima de US$ 100 e reajuste nas perspectivas de juros globais, é grande mas não é anômala. Correções de 10% a 15% dentro de tendências de alta de médio prazo são comuns. O problema é o calendário. Para quem entrou em janeiro esperando um ano de ciclo de queda de juros e apetite por risco, a tese foi parcialmente invalidada pela guerra. A XP elevou sua projeção para a Selic ao final de 2026 de 13,50% para 13,75%, e o mercado agora precifica encerramento do ano em 13,25% - muito acima dos 12% que se esperava antes de fevereiro. Isso comprime múltiplos e torna a renda fixa competitiva por mais tempo. A decisão de vender ou continuar, portanto, depende menos de análise técnica e mais de uma pergunta que só o investidor pode responder: a tese que o motivou a entrar em janeiro ainda existe? A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 saiu de 14,06% para 14,04% ao ano. Prêmios em contratos de curto prazo estão mais ligados às expectativas dos investidores para a Selic.No médio prazo, os retornos da taxa para janeiro de 2031 oscilaram de 14,08% para 14,01% ao ano.Já para janeiro de 2036, a taxa oscilou de 14,16% para 14,12% ao ano. Vencimentos com prazos mais longos refletem uma maior preocupação com calote do governo. Comportamento das ações do Ibovespa em 21/5/2026 Código Nome Abertura Mínima Média Máxima Fechamento Var. % CSNA3 SID NACIONAL ON 6,09 6,07 6,22 6,35 6,34 3,43 BRAV3 BRAVA ON 19,78 19,70 20,07 20,44 20,15 2,03 NATU3 NATURA ON 9,99 9,84 10,05 10,20 10,20 2,00 USIM5 USIMINAS PNA 9,69 9,58 9,79 10,02 9,80 1,98 CSAN3 COSAN ON 4,29 4,22 4,36 4,49 4,40 1,85 AZZA3 AZZAS 2154 ON 19,53 19,20 19,64 19,98 19,95 1,79 B3SA3 B3 ON 16,60 16,51 16,92 17,15 17,02 1,37 PETR3 PETROBRAS ON 50,30 49,82 50,46 51,26 50,30 1,25 ENEV3 ENEVA ON 24,89 24,48 25,30 25,82 25,52 1,23 ITUB4 ITAU UNIBANCO PN 39,43 39,25 40,05 40,45 40,12 1,13 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,11 16,08 16,40 16,55 16,40 1,11 LREN3 LOJAS RENNER ON 14,61 14,47 14,84 15,12 14,85 1,02 PETR4 PETROBRAS PN 45,10 44,50 45,10 45,65 44,95 0,78 VALE3 VALE ON 81,36 81,22 82,13 82,88 82,63 0,77 TIMS3 TIM ON 22,46 22,23 22,56 22,71 22,65 0,67 EMBJ3 EMBRAER ON 69,90 69,25 70,51 71,47 70,81 0,61 MGLU3 MAGAZINE LUIZA ON 6,66 6,47 6,64 6,79 6,77 0,59 BBAS3 BRASIL ON 20,62 20,48 20,76 21,05 20,82 0,58 TOTS3 TOTVS ON 31,70 31,22 31,97 32,48 32,27 0,53 BBDC3 BRADESCO ON 15,33 15,31 15,51 15,69 15,57 0,52 SANB11 SANTANDER BR UNIT 27,33 27,05 27,54 27,84 27,59 0,51 PSSA3 PORTO SEGURO ON 49,06 48,51 49,27 49,85 49,46 0,49 UGPA3 ULTRAPAR ON 28,63 28,63 29,04 29,29 29,15 0,45 AURE3 AUREN ON 12,53 12,31 12,53 12,69 12,64 0,32 BPAC11 BTGP BANCO UNT 53,71 53,20 54,12 54,63 54,37 0,31 GOAU4 GERDAU MET PN 10,23 10,10 10,22 10,31 10,28 0,29 RECV3 PETRORECSA ON 12,22 11,97 12,20 12,37 12,22 0,25 BBDC4 BRADESCO PN 17,71 17,64 17,91 18,09 17,90 0,22 BRAP4 BRADESPAR PN 22,89 22,68 22,99 23,25 23,08 0,22 ALOS3 ALLOS ON 28,55 28,13 28,50 28,83 28,72 0,21 VBBR3 VIBRA ON 33,14 32,97 33,26 33,65 33,41 0,21 CEAB3 CEA MODAS ON 11,11 10,81 11,09 11,33 11,17 0,18 SUZB3 SUZANO S.A. ON 42,22 41,70 42,26 42,58 42,26 0,14 GGBR4 GERDAU PN 23,29 23,11 23,41 23,62 23,50 0,13 BBSE3 BB SEGURIDADE ON 34,68 34,48 34,70 34,95 34,74 0,09 HYPE3 HYPERA ON 22,47 22,10 22,62 22,91 22,69 0,09 MULT3 MULTIPLAN ON 29,85 29,53 29,95 30,24 30,13 0,07 POMO4 MARCOPOLO PN 5,98 5,86 5,95 6,05 5,98 0,00 EGIE3 ENGIE BRASIL ON 32,21 31,86 32,32 32,66 32,34 -0,06 KLBN11 KLABIN S/A UNT 16,52 16,41 16,50 16,60 16,51 -0,06 ITSA4 ITAUSA PN 12,95 12,86 12,99 13,17 12,99 -0,08 CYRE3 CYRELA REALT ON 21,92 21,60 22,04 22,40 22,12 -0,09 SLCE3 SLC AGRICOLA ON 16,47 16,33 16,46 16,60 16,50 -0,12 SMFT3 SMART FIT ON 19,39 19,10 19,45 19,75 19,50 -0,20 WEGE3 WEG ON 42,12 41,93 42,43 42,85 42,47 -0,26 VIVT3 TELEF BRASIL ON 35,11 34,47 35,16 35,56 35,29 -0,31 CURY3 CURY S/A ON 30,97 30,81 31,36 31,93 31,20 -0,32 TAEE11 TAESA UNIT 38,55 38,10 38,42 38,88 38,42 -0,36 ENGI11 ENERGISA UNT 48,55 47,92 48,43 48,90 48,49 -0,43 AXIA6 AXIA ENERGIA PNB 60,26 59,22 60,03 60,92 60,19 -0,46 IGTI11 IGUATEMI S.A UNT 26,46 26,12 26,39 26,75 26,51 -0,49 YDUQ3 YDUQS PART ON 9,66 9,46 9,70 9,89 9,73 -0,51 AXIA3 AXIA ENERGIA ON 54,34 53,87 54,60 55,45 54,68 -0,58 FLRY3 FLEURY ON 15,72 15,46 15,63 15,83 15,69 -0,70 ISAE4 ISA ENERGIA PN 28,57 28,17 28,44 28,76 28,41 -0,80 PRIO3 PETRORIO ON 69,25 67,15 68,48 70,43 68,00 -0,92 CXSE3 CAIXA SEGURI ON 17,89 17,66 17,77 17,93 17,77 -0,95 RENT3 LOCALIZA ON 43,91 43,24 44,00 44,86 44,04 -0,97 EQTL3 EQUATORIAL ON 38,22 37,61 37,94 38,39 38,14 -1,06 RDOR3 REDE D OR ON 34,50 34,30 34,60 35,10 34,59 -1,14 VAMO3 VAMOS ON 3,40 3,31 3,36 3,44 3,37 -1,17 COGN3 COGNA ON 2,51 2,47 2,51 2,56 2,51 -1,18 BRKM5 BRASKEM PNA 12,06 11,81 12,01 12,29 12,03 -1,23 CPLE3 COPEL ON 15,12 14,65 14,84 15,12 14,90 -1,46 CMIG4 CEMIG PN 11,53 11,29 11,38 11,55 11,36 -1,47 VIVA3 VIVARA ON 22,33 21,85 22,28 22,85 22,32 -1,50 ASAI3 ASSAI ON 8,50 8,30 8,48 8,69 8,48 -1,51 CPFE3 CPFL ENERGIA ON 44,21 43,30 43,62 44,21 43,70 -1,51 MOTV3 MOTIVA SA ON NM 15,01 14,85 14,99 15,15 15,00 -1,51 CMIN3 CSN MINERACAO ON 4,48 4,39 4,43 4,50 4,43 -1,56 DIRR3 DIRECIONAL ON 13,21 13,01 13,16 13,38 13,12 -1,65 SBSP3 SABESP ON 28,82 28,39 28,60 29,01 28,62 -1,82 MBRF3 MARFRIG ON 17,50 17,30 17,56 17,93 17,30 -2,09 RAIL3 RUMO S.A. ON 14,92 14,63 14,74 14,95 14,67 -2,33 RADL3 RAIA DROGASIL ON 18,87 18,51 18,68 18,93 18,65 -2,51 CSMG3 COPASA ON 52,26 50,17 51,02 52,26 51,14 -3,14 MRVE3 MRV ON 6,37 6,14 6,24 6,39 6,23 -3,26 BEEF3 MINERVA ON 3,99 3,93 4,02 4,09 4,03 -5,40 HAPV3 HAPVIDA ON 13,20 12,34 12,67 13,20 12,34 -7,01
Acordo entre EUA e Irã começa a ganhar forma, mas mercados tentam conter expectativas
Saldo do Dia: Em dia de baixa liquidez, os ativos estacionaram à espera de sinais mais concretos de uma reabertura do Estreito de Ormuz. Para quem comprou a tese da bolsa neste ano, vale a pena insistir?











