A suspensão de um ataque planejado contra o Irã e a sinalização de uma boa chance de acordo nuclear, ambas mencionadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocam alívio nos preços do petróleo na manhã desta terça-feira. Assim como ontem, o vaivém do noticiário no exterior deve guiar os ativos locais, enquanto o cenário eleitoral doméstico pode ter peso relevante na direção dos mercados após a divulgação da pesquisa AtlasIntel. O levantamento mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e voltou a liderar no segundo turno. É a primeira sondagem realizada após a revelação de diálogos entre o pré-candidato do PL e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Master. A rejeição ao senador também avançou. Na pesquisa de abril, antes do vazamento do áudio em que Flávio cobra Vorcaro pelo financiamento do filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador aparecia numericamente à frente de Lula, com 47,8% das intenções de voto, ante 47,5% do petista. Agora, Lula soma 48,9%, contra 41,8% de Flávio, uma queda de seis pontos percentuais em menos de um mês. Com o enfraquecimento de Flávio na disputa presidencial, visto por parte do mercado como um candidato mais favorável a uma mudança na condução da política fiscal, os ativos domésticos podem ser pressionados no pregão, a depender de até que ponto o alívio no exterior será capaz de compensar o aumento da cautela local. Por volta das 8h, os futuros dos índices de Nova York operavam em queda: o do S&P 500 cedia 0,40%, o do Nasdaq recuava 0,73% e o do Dow Jones perdia 0,18%. Os investidores também aguardam a divulgação dos resultados da Nvidia amanhã, o que adiciona moderação aos negócios. Na renda fixa, o rendimento da T-note de dez anos avançava de 4,593% para 4,614%. Já o petróleo operava em queda. O Brent para entrega em julho recuava 1,28%, a US$ 110,66 por barril, em Londres, enquanto o WTI para o mesmo mês caía 0,88%, a US$ 103,42 por barril, em Nova York. Além do noticiário geopolítico e corporativo, os investidores acompanham ao longo do dia discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), em uma sessão de agenda esvaziada de indicadores no cenário local.