Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento e principal negociador iraniano, afirmou que a 'era dos acordos unilaterais acabou' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Imagem divulgada pelos militares do Irã mostra lançamento de míssil durante exercício no sul do Irã — Foto: Forças Armadas do Irã via AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/07/2026 - 10:37 Escalada de Tensão: Irã Retalia Ataques dos EUA no Golfo Pérsico Após os EUA atacarem 140 alvos no Irã, Teerã retaliou mirando instalações americanas em países do Golfo, incluindo o Catar, mediador das negociações. Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, declarou que "a era dos acordos unilaterais acabou". A escalada de tensão ameaça o cessar-fogo e as negociações de paz, enquanto países da região condenam os ataques e pedem moderação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O confronto entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar neste domingo, com a troca mais pesada de ataques dos últimos meses e uma nova escalada da disputa em torno do Estreito de Ormuz. Horas depois de Teerã anunciar o fechamento da via marítima e afirmar ter atingido um navio porta-contêineres que navegava por uma rota considerada “não autorizada”, os EUA lançaram uma ampla ofensiva contra alvos militares iranianos. Em resposta, o Irã disparou mísseis e drones contra bases americanas em cinco países do Golfo, incluindo o Catar, que atua como principal mediador das negociações entre Washington e Teerã e não era alvo de ataques iranianos desde abril. As ofensivas da República Islâmica atingiram instalações militares dos EUA na Jordânia, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã, segundo a agência semioficial Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária. O ataque ocorreu após bombardeios americanos atingirem cerca de 140 alvos militares no Irã, incluindo sistemas de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munição, equipamentos de comunicação, sistemas de defesa aérea e embarcações da Guarda Revolucionária posicionadas ao redor do estreito. Segundo Washington, foi a ofensiva mais intensa desde a assinatura do memorando de entendimento entre os dois. De acordo com o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), os ataques tiveram como objetivo reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações civis e comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz. Os militares americanos afirmaram que as ações foram uma resposta ao ataque iraniano contra o navio porta-contêineres M/V GFS Galaxy, de bandeira cipriota, que sofreu danos significativos na casa de máquinas enquanto atravessava a região próxima a Omã. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores indiano afirmou que, dos 11 cidadãos do país que estavam a bordo da embarcação, dez foram resgatados, e um segue desaparecido. Autoridades de Omã informaram que, ao todo, 23 tripulantes foram retirados do navio. Os ataques mais recentes ocorreram horas após o Irã afirmar, na noite de sábado, que havia fechado novamente o estreito após disparar um tiro de advertência que atingiu uma embarcação que utilizava uma rota considerada irregular. Neste domingo, Teerã anunciou que uma segunda embarcação foi inutilizada, e a recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico afirmou que a navegação permanecerá suspensa devido aos “recentes movimentos ilegais das forças militares dos EUA na região”. O órgão disse, ainda, que novas autorizações serão emitidas apenas quando “a estabilidade e a calma forem restabelecidas”. “O estreito continua sendo uma via marítima internacional. As forças dos EUA estão posicionadas e preparadas para garantir que continue assim”, disse o Centcom no X. O presidente americano, Donald Trump, também disse que o tráfego comercial permanece normal. Segundo ele, o governo iraniano havia aceitado, no dia anterior, um acordo que atenderia às exigências americanas antes de voltar a atacar embarcações: — [O estreito] está aberto. Bombardeamos eles sem parar na noite passada (sábado). São pessoas muito, muito más e doentes. Eles concordaram com um acordo perfeito para nós. Sem programa nuclear, sem isso, sem aquilo, sem nada. Eles abriram mão de tudo. Tínhamos um acordo ontem. Depois disso, saíram da sala. E, em menos de uma hora, lançaram um drone contra um navio — declarou Trump ao programa Meet the Press, da NBC. O Irã, porém, insistiu que o estreito continuará fechado até novo aviso e afirmou que poderá atacar “outras bases inimigas na região” caso sofra novos bombardeios. O bloqueio já provocou alta nos preços da energia, alimentando a inflação global, enquanto dados da plataforma de rastreamento marítimo MarineTraffic indicam redução do fluxo de embarcações desde o anúncio iraniano. Horas depois da manifestação americana, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico voltou a afirmar que o trânsito de embarcações permanece impossibilitado. “Devido aos recentes movimentos ilegais das forças militares dos Estados Unidos na região, o trânsito pelo Estreito de Ormuz está impossibilitado”, informou o órgão. Barcos ancorados ao largo da península de Musandam, no norte de Omã, perto do Estreito de Ormuz — Foto: AFP A nova escalada ocorre enquanto EUA e Irã se aproximam da metade do período de 60 dias previsto no acordo provisório firmado entre os dois países para negociar um encerramento permanente da guerra. O Estreito de Ormuz tornou-se o principal ponto de impasse das negociações. Segundo autoridades americanas ouvidas sob condição de anonimato, Washington esperava que Teerã anunciasse nos próximos dias a reabertura completa da passagem e o fim dos disparos contra embarcações, exigência que não foi atendida. Troca de ataques Após os ataques americanos, a imprensa iraniana informou explosões em Bandar Abbas, principal porto militar do país na região do estreito, além da ilha de Qeshm e da cidade de Hajiabad. A agência estatal IRNA afirmou que projéteis atingiram alvos militares na ilha de Qeshm sem provocar vítimas. Autoridades americanas confirmaram novos bombardeios contra sistemas de mísseis, defesas aéreas e embarcações rápidas da Guarda Revolucionária posicionadas ao redor da passagem. Na noite de domingo, os EUA voltaram a atacar o Irã, informou o Pentágono. Segundo a imprensa oficial iraniana, uma série de explosões foi registrada nas cidades de Jask, Qeshm, Bandar Abbas e Sirik. Não houve registro de vítimas civis nem de danos à infraestrutura. Ainda assim, Teerã condenou "veementemente" as ofensivas, acusando Washington de ter "anulado todos os esforços dos últimos meses" destinados a restabelecer a paz na região. A resposta iraniana também atingiu instalações militares americanas em outros países do Golfo. Segundo a Tasnim, foram atacadas a Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia; a Base Aérea de Al-Udeid, no Catar; o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA, no Bahrein; plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões americanos no porto de Duqm, em Omã; além de sistemas militares no Kuwait. A Guarda Revolucionária afirmou ainda ter destruído um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, um radar americano e lançadores de foguetes no Kuwait, além de um centro de manutenção de aeronaves e uma instalação de comando no Catar. Os países atingidos confirmaram os ataques. O Catar informou que interceptou os projéteis iranianos e disse que três pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas por estilhaços. O Bahrein comunicou ter interceptado diversos ataques aéreos, enquanto a Jordânia relatou danos leves provocados por três mísseis. O Kuwait informou danos em postos de fronteira e em uma plataforma de perfuração de petróleo, onde um trabalhador ficou ferido. Omã afirmou que áreas próximas ao estreito foram atingidas por drones e convocou o embaixador iraniano para protestar contra os ataques. Os Emirados Árabes Unidos (EAU) informaram que acionaram suas defesas aéreas. Após os ataques, os governos da região condenaram a ofensiva iraniana. O Catar afirmou ter o direito de responder e disse que a continuidade das agressões representa uma escalada perigosa que compromete os esforços para reduzir as tensões e prejudica as iniciativas diplomáticas. Os EAU classificaram os ataques como uma violação da soberania dos países da região e reiteraram apoio a Jordânia, Catar, Bahrein e Kuwait. O Bahrein afirmou que o Irã segue promovendo “ataques hediondos” contra civis, enquanto a Jordânia descreveu os bombardeios como uma violação flagrante de sua soberania. O Kuwait declarou que as ofensivas agravam a instabilidade regional e comprometem os esforços diplomáticos para uma desescalada do conflito. No sábado, os ministros das Relações Exteriores do Irã e de Omã voltaram a se reunir em Mascate para discutir a situação do Estreito de Ormuz. Segundo o governo omanense, os dois países concordaram em prosseguir as negociações nos níveis técnico e político. Também neste domingo, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, cujo país vem atuando como mediador entre Washington e Teerã. Dar defendeu uma "desescalada" e pediu moderação. Enquanto isso, o principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que o país não aceitará novos entendimentos sem mudanças na postura americana. — A era dos acordos unilaterais acabou. Nós avisamos: cumpra sua palavra ou pague o preço. A realidade está batendo à porta.