Washington ampliou a ofensiva contra instalações militares e costeiras iranianas, enquanto Teerã retaliou com mísseis e drones e prometeu intensificar os ataques 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Irã lança míssil contra alvos dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein, segundo vídeo divulgado pela Guarda Revolucionária — Foto: SEPAHNEWS.COM / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/07/2026 - 10:05 EUA Intensificam Ataques ao Irã, Aumentando Tensão Global no Estreito de Ormuz Os Estados Unidos intensificaram ataques contra o Irã, atingindo áreas próximas a Teerã pela primeira vez, após o fim do cessar-fogo declarado por Trump. A ofensiva inclui alvos militares e costeiros, enquanto o Irã retaliou com mísseis e drones. Um hospital em Ahvaz foi evacuado devido aos bombardeios. A escalada de violência no Estreito de Ormuz aumenta a tensão global, com riscos ao abastecimento de petróleo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os Estados Unidos intensificaram os ataques contra o Irã na madrugada desta quinta-feira, atingindo áreas nos arredores da capital, Teerã, pela primeira vez desde o início da recente escalada de violência. Forças americanas também lançaram duas ondas de ataques contra as defesas costeiras e instalações de mísseis do Irã, que retaliou com disparos noturnos de mísseis e drones contra bases militares americanas na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait, intensificando o que autoridades iranianas de alto escalão estão chamando de uma “guerra existencial”. No sul do Irã, mais de 200 pacientes do Hospital Especializado Baghaei foram evacuados após bombardeios americanos nas proximidades da cidade de Ahvaz. O diretor da unidade, Reza Bazar, afirmou que os ataques deixaram a unidade fora de funcionamento, enquanto o médico Majid Bou’azar disse que 211 pacientes tiveram de ser transferidos, incluindo pessoas em tratamento contra o câncer. Funcionários relataram que alguns pacientes dependiam de oxigênio e ventilação mecânica e deixaram o hospital em cadeiras de rodas. — Infelizmente, a área ao redor foi fortemente bombardeada. Alguns dos pacientes estavam com oxigênio e ventiladores — disse um funcionário à al-Jazeera. — Algumas pessoas carregavam crianças nos braços, outras estavam com soro intravenoso e algumas estavam em cadeiras de rodas. Todos saíram para a área externa. O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os EUA de realizar um “ataque bárbaro” ao comentar a evacuação do hospital. No X, o porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei afirmou que a ofensiva lembrou “as atrocidades de Israel contra instalações de saúde” e disse que o episódio causou sofrimento e ansiedade às crianças hospitalizadas. Segundo ele, os 211 pacientes evacuados estavam em tratamento de quimioterapia. Os ataques americanos ainda alcançaram áreas ao redor de Teerã e a província de Semnan, onde estão o programa espacial iraniano e instalações de produção de mísseis balísticos. A imprensa iraniana citou ainda bombardeios nas províncias de Hamedan, Hormozgan, Khuzistão, Lorestão, Markazi e Sistão e Baluchistão. Um dia antes, os EUA atingiram também a ilha de Grande Tunb, ponto estratégico no Estreito de Ormuz, onde, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), foram atacadas instalações iranianas de defesa e de mísseis. O Irã, por sua vez, lançou novos ataques contra bases militares dos EUA em países vizinhos do Golfo. No sexto dia de retomada das hostilidades, Teerã afirmou ter atingido alvos na região, incluindo na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein. Militares iranianos também afirmaram ter atingido sistemas de comunicação dos EUA e instalações de armazenamento de combustível na Jordânia. As Forças Armadas do Kuwait disseram ter interceptado drones, enquanto o Ministério do Interior do Bahrein orientou a população a manter a calma e buscar abrigo. ‘Ameaças hostis’ Ainda na quarta-feira, o Centcom disse que suas forças atingiram centros de comando iranianos, sistemas de defesa aérea, capacidades de mísseis e drones e instalações de vigilância costeira. Segundo o comando, também foram bombardeados alvos em Bandar Abbas, onde ficam o maior porto do Irã e importantes instalações da Marinha e da Guarda Revolucionária às margens do Estreito de Ormuz. O comunicado foi divulgado após a agência iraniana Mehr informar que a defesa aérea havia sido acionada em Teerã para responder a “ameaças hostis”. Militares americanos também abriram fogo contra o petroleiro Belma, de bandeira de Curaçao, que navegava em direção à ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã no Golfo Pérsico. Segundo Washington, a embarcação ignorou diversos alertas e foi inutilizada após um míssil atingir sua chaminé. Outro ataque americano teve como alvo um quartel da 388ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Irã, na província de Sistão e Baluchistão. A televisão estatal iraniana informou que ao menos 13 mísseis foram disparados, matando sete militares, entre recrutas e soldados de carreira, além de deixar vários feridos. Em meio à escalada, o presidente americano, Donald Trump, avalia ampliar ainda mais as operações militares, segundo autoridades dos EUA ouvidas pelo Wall Street Journal. Entre as opções discutidas estariam o envio de tropas terrestres para a ilha de Kharg e outras áreas próximas ao Estreito de Ormuz, além do bombardeio de um complexo de túneis na Montanha Pickaxe, apontado por Washington como uma instalação fortificada que poderia ser utilizada para atividades nucleares secretas. Em entrevista concedida na segunda-feira, Trump afirmou: — Vamos destruir a Montanha Pickaxe. Digam aos iranianos para estarem preparados. A Montanha Pickaxe fica a cerca de 220 quilômetros ao sul de Teerã e a dois quilômetros do complexo nuclear de Natanz. O complexo de Natanz, onde estavam localizadas duas usinas de enriquecimento de urânio, foi bombardeado durante a guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro e também durante a guerra de 12 dias ocorrida no ano passado. Segundo o Instituto para Ciência e Segurança Internacional (ISIS), a instalação subterrânea em construção na Montanha Pickaxe não foi atingida em nenhum desses conflitos. Diante do cenário, o Irã teria pedido aos houthis do Iêmen para que estejam preparados para fechar a rota de transporte de petróleo no Mar Vermelho caso os EUA ataquem a infraestrutura de energia iraniana, disseram três fontes à Reuters nesta quinta-feira. A medida representaria uma nova ameaça significativa ao abastecimento global de energia. A possibilidade vem sendo discutida pela liderança da República Islâmica, e a mensagem já foi transmitida aos aliados de Teerã, segundo as fontes. ‘Linha vermelha’ O porta-voz do principal comando militar iraniano afirmou que o país atacará infraestruturas em toda a região caso Trump cumpra a ameaça de atingir instalações iranianas. Segundo ele, qualquer interferência americana no Estreito de Ormuz representa uma “linha vermelha”. Por sua vez, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que a segurança do país depende da manutenção dos “arranjos iranianos” no estreito. — Estamos em uma guerra essencial e existencial contra os Estados Unidos — afirmou Ghalibaf. A Guarda Revolucionária também advertiu que continuará atacando ativos militares americanos na região, com o porta-voz do órgão, Hossein Mohebbi, afirmando que “o inimigo não deve presumir que pode manter o curso atual do conflito e transformá-lo em uma guerra de desgaste”. Ele declarou que as operações iranianas estão concentradas na destruição da infraestrutura militar ofensiva dos EUA na região e acrescentou que uma nova fase da ofensiva começará posteriormente. O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, condenou um ataque com drone contra a cidade de Erbil, na região autônoma do Curdistão iraquiano. Segundo as autoridades, o equipamento foi interceptado. O episódio ocorreu durante a visita de al-Zaidi aos Estados Unidos, onde ele afirmou que o Iraque trabalhará para desarmar grupos armados não estatais, incluindo aqueles apoiados pelo Irã. Apesar da escalada militar, Trump voltou a afirmar que o Irã está disposto a negociar um acordo de paz. Em discurso na Escola de Guerra do Exército dos EUA, na Pensilvânia, o republicano disse que Teerã “não gosta do que estamos fazendo” e “quer chegar a um acordo”, acrescentando que será preciso descobrir “se chegaremos a um acordo com eles ou se simplesmente acabaremos com isso”. O presidente também afirmou nas redes sociais que o Irã libertou uma cidadã americana detida em 2024. O advogado Jared Genser identificou a mulher como Dena Karari, cidadã americana e iraniana acusada de espionagem. O governo iraniano não confirmou a libertação. Os confrontos continuam concentrados no Estreito de Ormuz, por onde passam embarcações utilizando uma rota controlada pelos Estados Unidos. Especialistas afirmam que a reabertura forçada da hidrovia exigiria uma frota muito maior ou até dezenas de milhares de soldados em solo. Na quarta-feira, sete embarcações cruzaram o estreito, abaixo das 13 registradas no dia anterior, segundo dados da Kpler. O barril de petróleo Brent era negociado acima de US$ 85 nesta quinta-feira, mais de 15% acima do preço anterior ao início da guerra. (Com AFP)