Recentes confrontos representam uma forte escalada tanto no ritmo quanto no alcance geográfico dos bombardeios na última semana, lançando dúvidas sobre acordo provisório EUA realizam novos ataques contra alvos iranianos — Foto: Reprodução/Centcom/X Forças americanas e iranianas trocaram intensos ataques com mísseis e drones durante o fim de semana e até esta segunda-feira, com Teerã afirmando ter atingido instalações militares americanas em todo o Golfo e mantido fechado o Estreito de Ormuz, impulsionando os preços do petróleo. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda-feira ter atacado instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, destruído sistemas de radar em Omã e atingido tanques de combustível e depósitos de munição na Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, em resposta aos ataques americanos. Os militares dos EUA, por sua vez, disseram ter atacado sistemas de defesa aérea iranianos, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones e pequenas embarcações no domingo, utilizando aeronaves, navios de guerra e drones. Explosões foram ouvidas nesta segunda-feira na cidade portuária iraniana de Bandar Abbas, às margens do Estreito de Ormuz, e na vizinha ilha de Qeshm, informou a agência semioficial Mehr, citando moradores locais. A Reuters não conseguiu verificar a informação de forma independente. O Bahrein informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram vários ataques iranianos com mísseis e drones na madrugada desta segunda-feira. Os mais recentes confrontos representam uma forte escalada tanto no ritmo quanto no alcance geográfico dos ataques na última semana, lançando dúvidas sobre um acordo provisório entre EUA e Irã, assinado no mês passado, para reabrir o estreito e interromper as hostilidades enquanto os dois lados prosseguiam com mais 60 dias de negociações. Em uma breve entrevista por telefone à Reuters no domingo, o presidente americano Donald Trump referiu-se aos ataques do fim de semana contra o Irã. "Estamos dando uma surra neles", afirmou. Trump disse considerar que o cessar-fogo acabou, embora tenha deixado aberta a possibilidade de novas negociações. O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, adotou um tom igualmente desafiador ao publicar no X, no domingo: "A era dos acordos unilaterais ACABOU. Nós avisamos: cumpram sua palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta." A guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em 28 de fevereiro desestabilizou o Golfo e se espalhou pela região, com o Irã atacando bases americanas em vários países. Uma mulher caminha ao lado de um mural em uma rua de Teerã, Irã , em 13 de julho de 2026 — Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Preços do petróleo disparam O controle do Estreito de Ormuz, uma via marítima vital para o abastecimento global de petróleo, tornou-se um dos principais campos de batalha do conflito. O bloqueio efetivo do estreito pelo Irã elevou os preços da energia e aumentou as preocupações com a inflação em todo o mundo. O petróleo Brent subia mais de 2% nesta segunda-feira, diante dos temores de interrupção em uma das mais importantes rotas de transporte de energia do mundo, embora os preços permanecessem abaixo dos picos registrados no início do conflito. Os preços mais elevados da energia, especialmente da gasolina, são politicamente sensíveis para Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro. Milhares de pessoas morreram durante a guerra, principalmente no Irã e no Líbano. Nesta segunda-feira, uma pessoa morreu e outras sete ficaram feridas em um ataque americano realizado nas primeiras horas do dia, informou a agência semioficial Iranian Students' News Agency, citando uma autoridade de segurança provincial. O Irã não divulgou um número total de mortos pelos ataques da última semana, mas reportagens da imprensa estatal e declarações oficiais sobre incidentes específicos indicam que cerca de 20 pessoas morreram em consequência da retomada dos ataques americanos. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou em comunicado nesta segunda-feira que a única forma de restabelecer o tráfego marítimo regular pelo estreito seria encerrar as intervenções militares americanas na hidrovia e advertiu que "a continuidade da interferência pode levar a incidentes ainda maiores no setor global de petróleo e gás". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que o Irã busca estabelecer um mecanismo conjunto com Omã para administrar o tráfego no estreito, acrescentando que a pressão americana sobre Omã dificultou as negociações. Após anunciar o fechamento da hidrovia no sábado, depois do que classificou como uma travessia não autorizada, Teerã informou no domingo que a passagem continuava suspensa e que as autorizações seriam emitidas quando "a estabilidade e a calma" fossem restabelecidas. Navios e barcos no Estreito de Ormuz, Musandam, Omã , 1º de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo O Irã busca estabelecer um sistema permanente de cobrança de taxas e emissão de permissões para embarcações que utilizem a hidrovia, por onde, antes da guerra, passava cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito. Os EUA, que na semana passada revogaram uma licença que isentava as vendas de petróleo iraniano das sanções após ataques anteriores contra a navegação, disseram que suas forças estavam posicionadas para garantir a liberdade de navegação, apesar do que chamaram de "agressão, assédio, ameaças e declarações arbitrárias" por parte do Irã. "O Irã não controla o estreito. O tráfego está fluindo", afirmaram. Autoridades americanas disseram que cerca de 20 embarcações haviam sido escoltadas pelo estreito nas 24 horas anteriores, embora sites de monitoramento marítimo mostrassem pouco movimento de navios. A MarineTraffic informou nesta segunda-feira que a atividade de embarcações no estreito caiu cerca de 52% entre 10 e 12 de julho em comparação com a semana anterior. O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha americana, reiterou a orientação de que, apesar da grave ameaça à segurança, uma rota sul "expandida", próxima a Omã, permanecia disponível para o tráfego em ambos os sentidos. No sábado, o Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou que as forças americanas haviam atingido centenas de alvos militares iranianos na semana passada "para degradar a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais que transitam livremente pelo estreito". A Guarda Revolucionária do Irã afirmou no fim de semana ter destruído um centro de controle e hangares de drones na Jordânia, aliada dos EUA, atacado um radar americano e sistemas lançadores de foguetes no Kuwait, atingido plataformas de apoio de um porta-aviões americano em Omã e destruído um centro de manutenção de aeronaves no Catar.