Como o Exército mais poderoso do mundo está sendo desafiado na guerra no Oriente MédioEntenda como tecnologias simples estão desafiando o poder militar dos Estados Unidos. Crédito: Imagens: AFP/Edição: Laís NagayamaGerando resumoEstados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nesta segunda-feira, 1º, em um novo episódio que coloca em risco o cessar-fogo firmado entre os dois países e complica as negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio.PUBLICIDADEEnquanto Israel ampliava sua ofensiva terrestre no Líbano, o Exército americano informou ter realizado, entre sábado e domingo, uma nova série de bombardeios classificados como “defensivos” no sul do Irã. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), os alvos foram sistemas de radar e centros de controle de drones na cidade de Goruk e na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo.Washington afirmou que os ataques foram uma resposta à destruição de um drone americano MQ-1 por forças iranianas em águas internacionais.Bombardeios americanos no sul do Irã e resposta de Teerã ocorrem enquanto negociações sobre programa nuclear e reabertura do Estreito de Ormuz enfrentam novos impasses Foto: CENTCOM/ US ArmyEm resposta, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter atacado uma base utilizada pelas forças americanas para lançar operações contra o território iraniano. O comunicado não informou onde a instalação está localizada.PublicidadeMais cedo, o Kuwait informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram drones e mísseis, em meio à escalada regional.Os dois países já haviam trocado acusações na semana passada sobre supostas violações do cessar-fogo firmado em abril. O acordo vem sendo pressionado por novos episódios de violência e pela falta de consenso sobre os termos de um eventual pacto mais amplo.Negociações enfrentam obstáculosA guerra teve início em 28 de fevereiro, após uma ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos, quando Washington e Teerã haviam retomado negociações sobre o programa nuclear iraniano.Nos últimos dias, sinais de aproximação entre os dois governos alimentaram expectativas de um acordo. Em entrevista à Fox News exibida no sábado, 30, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que está próximo de fechar um entendimento com o Irã para encerrar o conflito. Segundo ele, a alternativa seria a retomada das operações militares.Publicidade“Vamos fazer com que seja um ótimo acordo. A outra opção seria apenas voltar atrás e resolver isso militarmente. Mas o acordo seria mais rápido. Provavelmente, é melhor do ponto de vista humano”, declarou.De acordo com relatos da imprensa americana, a nova proposta dos EUA prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações nucleares. Trump afirmou que a condição central para um acordo é a garantia de que o Irã não desenvolverá nem adquirirá armas nucleares.O presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, afirmou no domingo que Teerã não aceitará nenhum entendimento sem garantias de que os direitos do povo iraniano serão preservados. O governo iraniano sustenta que seu programa nuclear tem fins civis e exige a retirada das sanções impostas ao país.Trump também defendeu a reabertura do Estreito de Ormuz, afirmando que a medida ajudaria a reduzir os impactos econômicos da guerra. Apesar do otimismo, disse que não pretende acelerar as negociações. “Se tivermos pressa, não teremos um bom negócio”, afirmou. “Estamos conseguindo o que queremos. E, se não conseguirmos, vamos terminar de uma maneira diferente.”PublicidadeConflito no Líbano amplia impassePUBLICIDADEOutro ponto de atrito é a guerra no Líbano. O governo iraniano defende que qualquer entendimento com Washington deve incluir o fim das operações militares israelenses contra o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.Em meio às negociações, Israel ordenou bombardeios contra a periferia sul de Beirute, principal reduto do Hezbollah na capital libanesa, horas antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU convocada pela França. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que “nada justifica a grande escalada em curso” no país.Segundo o governo israelense, a ordem para os ataques foi dada pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e pelo ministro da Defesa, Israel Katz, após o que classificaram como repetidas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah. Após o anúncio, centenas de famílias deixaram a região às pressas, temendo novos bombardeios.Enquanto o Exército israelense prosseguia com operações no sul do Líbano, o Hezbollah manteve ataques contra o norte de Israel, apesar da trégua anunciada em abril. O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou a ofensiva israelense como uma “agressão feroz e condenável”.PublicidadeNos últimos dias, Israel ampliou sua ofensiva no país vizinho. Na semana passada, declarou zona de combate toda a área ao sul do rio Zahrani e anunciou o avanço de tropas além do rio Litani. No domingo, as Forças Armadas informaram ter assumido o controle da estratégica fortaleza de Beaufort, posição que domina parte do sul do Líbano. Segundo Israel, a operação busca criar uma área sob controle militar livre da presença de combatentes e armamentos do Hezbollah.Segundo uma fonte americana ouvida pela AFP, uma proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos prevê que o Hezbollah interrompa os ataques contra Israel, enquanto o governo israelense se comprometeria a evitar novas escaladas militares em Beirute. Uma nova rodada de negociações entre representantes de Israel e do Líbano está prevista para esta semana em Washington.O conflito já deixou milhares de mortos e provocou impactos na economia global, especialmente pela volatilidade dos preços do petróleo e pelas ameaças à navegação no Estreito de Ormuz. PublicidadeDe acordo com autoridades libanesas, mais de 3.410 pessoas morreram no país desde o início da guerra e mais de um milhão foram deslocadas. Do lado israelense, o número de mortos chegou a 26 após a confirmação da morte de mais um soldado nesta segunda-feira./com AFPLeia maisO que se sabe e o que ainda falta definir sobre o possível acordo entre EUA e IrãTrump compartilha com Israel e outros aliados minuta de acordo de paz com o IrãGuerra no Irã: em 3 meses, ainda não ficou claro o objetivo de Trump; já o custo é imensurável