Os EUA disseram que atacaram instalações militares iranianas no fim de semana, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã declarou na segunda-feira ter atacado uma base norte-americana em resposta, na mais recente troca de ataques em meio às negociações para pôr fim à guerra que já dura três meses. Os EUA e o Irã têm trocado ataques esporadicamente desde que o cessar-fogo entrou em vigor no início de abril, enquanto as negociações diplomáticas para um acordo mais duradouro se arrastam. Um enfrentamento semelhante ocorreu na última quinta-feira e foi descrito em termos quase idênticos por ambos os lados. Em uma publicação nas mídias sociais no final da noite, o presidente dos EUA, Donald Trump, não mencionou a troca de hostilidades, repetindo sua afirmação, ainda não comprovada, de que o Irã "realmente quer fazer um acordo". Ele repreendeu os críticos, incluindo aqueles que descreveu como “republicanos aparentemente antipatriotas”, por comentários negativos sobre as negociações para pôr fim ao conflito. “Apenas relaxem, tudo vai dar certo no final — sempre dá!”, disse ele. Os dois lados vêm analisando um acordo pelo qual o Irã reabriria o Estreito de Ormuz, se comprometeria a não desenvolver armas nucleares e iniciaria negociações sobre o futuro de seu programa nuclear. Em contrapartida, os EUA concordariam com um alívio gradual das sanções e flexibilizariam seu bloqueio naval ao Irã. A imprensa americana noticiou no fim de semana que Trump devolveu a proposta de acordo ao Irã com alterações. Ele enfrenta pressão dentro de seu próprio Partido Republicano por causa das concessões a Teerã e também para conter a alta dos preços dos combustíveis antes das eleições legislativas de meio de mandato, consideradas cruciais, em novembro. Os ataques americanos de fim de semana na costa iraniana do Golfo foram uma resposta às “ações agressivas do Irã, que incluíram o abate de um drone MQ-1 dos EUA que operava em águas internacionais”, afirmou o Comando Central dos EUA (Centcom) em uma publicação no X. “Caças norte-americanos responderam rapidamente, neutralizando as defesas aéreas iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones que representavam ameaças evidentes aos navios que transitavam pelas águas regionais”, afirmou o Centcom, acrescentando que continuará a proteger os bens e interesses dos EUA durante o cessar-fogo em vigor. Por sua vez, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse na segunda-feira que tinha como alvo uma base aérea usada pelos EUA em resposta ao ataque ao sul do Irã, sem identificar qual base. As defesas aéreas no Kuwait, onde está localizada uma importante base dos EUA, estavam interceptando ataques de mísseis e drones na segunda-feira, enquanto as sirenes soavam em todo o país, informou a agência de notícias estatal KUNA, sem fornecer mais detalhes. A guerra iniciada pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro já causou a morte de milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e provocou dificuldades econômicas em todo o mundo ao elevar os preços da energia, devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã. Trump está sob pressão para reabrir o Estreito de Ormuz e reduzir os preços da gasolina nos EUA antes das eleições legislativas de novembro, à medida que os eleitores demonstram uma frustração crescente com o aumento dos preços. Os preços do petróleo subiam cerca de 2% na Ásia na segunda-feira, uma vez que a falta de progresso nas negociações manteve os comerciantes no limite. Trump disse que seu principal objetivo na guerra é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear com seu urânio altamente enriquecido. Teerã tem negado sistematicamente que tenha planos de fazer isso. Os dois lados continuam em desacordo em várias outras questões, como as exigências de Teerã para o levantamento das sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares de receitas do petróleo iraniano congeladas em bancos estrangeiros. A guerra de Israel no Líbano contra a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, é outro grande impedimento. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse no domingo que havia ordenado que as tropas avançassem mais para o Líbano na batalha contra o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversou com o presidente libanês, Joseph Aoun, e com Netanyahu sobre as negociações diplomáticas entre Israel e o Líbano e propôs um plano para permitir a "redução gradual da escalada", disse uma autoridade dos EUA. Mulher passa em frente a mural sobre a guerra em Teerã — Foto: Majid Asgaripour/WANA
EUA e Irã voltam a trocar ataques em meio a negociações de acordo
Em postagem nas redes sociais, Trump não citou as hostilidades e reiterou que Teerã deseja fechar um acordo com Washington













