Quinta noite consecutiva de bombardeios americanos veio após o restabelecimento do bloqueio naval aos portos do país persa, uma medida que, segundo a Casa Branca, tem como objetivo reabrir Ormuz Fumaça sobe de uma explosão em local desconhecido, durante o que o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirma serem ataques ao Irã , nesta captura de tela de um vídeo divulgado em 15 de julho de 2026 — Foto: Comando Central dos EUA/Divulgação via REUTERS Os Estados Unidos intensificaram os ataques contra o Irã na madrugada desta quinta-feira, atingindo alvos ao norte do país e a capital Teerã, que ainda não havia sido bombardeada nesta nova rodada de hostilidades. Os iranianos responderam com o lançamento de drones e mísseis contra aliados americanos na região e advertiram que a retaliação poderá ser ampliada, mas também sinalizaram disposição para retomar as negociações – o que expõe as divisões entre as diferentes alas do novo regime que governa o país após a morte do aiatolá Ali Khamenei. A quinta noite consecutiva de ataques americanos contra o Irã veio após o restabelecimento do bloqueio naval aos portos do país, uma medida que, segundo a Casa Branca, tem como objetivo reabrir o Estreito de Ormuz, fechado por Teerã no último sábado após o colapso de uma frágil trégua acertada pelos países em meados de junho. Como parte do bloqueio naval, os militares dos EUA também dispararam contra um navio que Washington acusou de tentar romper o bloqueio naval imposto ao Irã, elevando ainda mais a insegurança para as embarcações que se arriscam a cruzar a hidrovia crucial para os mercados globais de petróleo e gás em meio à nova onda de ataques entre americanos e iranianos. Apesar da sequência das hostilidades, o petróleo operava perto da estabilidade na manhã desta quinta-feira após três sessões consecutivas de alta e de um avanço de quase 12% nesta semana. Os contratos do barril do Brent, referência mundial, com vencimento em setembro recuavam 0,22% perto das 8h, cotados a US$ 84,96 na Intercontinental Exchange (ICE). Os ataques da madrugada atingiram áreas nos arredores de Teerã, segundo a imprensa estatal iraniana, em uma prova da ampliação da campanha americana. A mídia oficial também relatou bombardeios na província de Semnan, onde estão localizadas instalações de produção de mísseis balísticos e o programa espacial do Irã. Hamadã, Hormozgan, Khuzistão, Lorestão, Markazi e Sistão e Baluchistão também foram alvos da nova ofensiva. Autoridades dos EUA disseram à agência Reuters que a ampliação dos ataques também tem como objetivo destruir capacidades militares iranianas antes da execução de operações mais complexas, que seriam apresentadas como opção ao presidente Donald Trump para a sequência do conflito. O Irã retaliou nesta quinta-feira com ataques de mísseis e drones contra Bahrein, Jordânia e Kuwait, informaram as autoridades desses países, que abrigam forças militares dos Estados Unidos. Até o momento, não houve confirmação de danos ou vítimas decorrentes dos ataques. O porta-voz do Exército iraniano, general de brigada Mohammad Akraminia, afirmou nesta quinta-feira que o Estreito de Ormuz é uma "linha vermelha" para Teerã, sobre a qual o país manterá um controle firme. "Os americanos imaginaram que, ao atacar algumas de nossas bases na costa sul do país, poderiam assumir o controle desse estreito estratégico", disse ele. "No entanto, a República Islâmica do Irã tem capacidade de exercer controle sobre o Estreito de Ormuz a partir de cada ponto de seu território, e essa questão jamais dependeu do litoral ou das linhas." Akraminia acrescentou que, se os EUA cumprirem a ameaça de Trump de bombardear as instalações de energia iranianas, as Forças Armadas do país atacarão "toda a infraestrutura remanescente" na região e que a resposta será mais severa, mais ampla e mais destrutiva do que os ataques realizados anteriormente. Embora as declarações sinalizem de que Teerã não pretende recuar diante da advertência da Casa Branca de que os ataques serão mantidos até a reabertura de Ormuz, o principal negociador iraniano, Mohammed Qalibaf, defendeu os esforços diplomáticos para encerrar o conflito, rebatendo os setores mais linha-dura que o pressionam a abandonar um acordo preliminar de paz e a vingar a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país morto no primeiro dia da guerra em ataques de EUA e Israel. Em entrevista à TV estatal, Qalibaf, também presidente do Parlamento iraniano, afirmou que negociar não equivale a "fazer concessões" e que a diplomacia, ao lado da força militar, faz "parte da estratégia de resistência e da defesa dos interesses nacionais". "Precisamos ser capazes de criar uma sinergia entre as abordagens militar e diplomática", disse. "Isolar e escolher apenas um desses dois métodos como solução é um erro estratégico." As declarações parecem responder a autoridades iranianas que classificaram moderados como Qalibaf e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, de "traidores" por terem concordado com um cessar-fogo em junho, visto por esses críticos como uma armadilha destinada a dar tempo para que os Estados Unidos retomassem uma guerra que, na avaliação deles, o Irã estava vencendo. Ontem, Trump disse que o Irã está pronto para fechar um acordo com os EUA, sem dar detalhes. "Eles não gostam do que estamos fazendo e querem chegar a um acordo. Vamos descobrir se chegaremos a um acordo com eles ou se simplesmente vamos acabar com isso", disse ele durante um discurso no Colégio de Guerra do Exército dos Estados Unidos, na Pensilvânia. Os mediadores têm buscado, sem sucesso, reduzir as tensões. O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou nesta quinta-feira que ainda tenta levar Estados Unidos e Irã à mesa de negociações, embora tenha reconhecido que a mediação está se tornando cada vez mais difícil. "Sempre que as partes esgotarem a lógica da escalada, a fórmula para a paz estará disponível", disse o porta-voz do ministério, Tahir Andrabi, durante uma entrevista coletiva.
EUA intensificam ataques contra o Irã, que sinaliza disposição para negociar
Quinta noite consecutiva de bombardeios americanos veio após o restabelecimento do bloqueio naval aos portos do país persa, uma medida que, segundo a Casa Branca, tem como objetivo reabrir Ormuz









