EUA retomam bloqueio aos portos iranianos, ampliam bombardeios e anunciam novas sanções; República Islâmica responde com ataques a bases americanas em países do Golfo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã — Foto: Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/07/2026 - 10:11 Escalada de Tensão entre EUA e Irã Ameaça Comércio Global A tensão entre EUA e Irã intensificou-se com novos bombardeios americanos e sanções, enquanto o Irã ameaça fechar o Estreito de Ormuz. Após a retomada do bloqueio naval, Trump sugeriu ataques a pontes e usinas iranianas, caso Teerã não volte a negociar. Em retaliação, o Irã atacou bases americanas no Golfo. A ONU alerta para as consequências do conflito na rota marítima vital para o comércio global. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na quarta noite consecutiva de ofensivas americanas, os Estados Unidos lançaram uma nova série de ataques contra o Irã, retomaram o bloqueio naval aos portos iranianos e ampliaram as sanções econômicas contra Teerã, enquanto o governo iraniano prometeu nesta quarta-feira manter o Estreito de Ormuz fechado até que Washington encerre o que chamou de “atos de agressão”. A escalada militar ocorre menos de um mês após a assinatura de um protocolo de acordo entre os dois países, que consolidava o cessar-fogo firmado em abril. A retomada do bloqueio naval entrou em vigor ainda na noite de terça-feira. Poucas horas depois, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) anunciou uma nova onda de bombardeios contra dezenas de alvos militares iranianos próximos ao Estreito de Ormuz e em áreas costeiras do país. Na manhã desta quarta-feira, os militares americanos informaram o início de uma nova série de ataques para “reduzir ainda mais as capacidades militares que as forças iranianas utilizaram para atacar embarcações” no estreito, disse o Centcom. Segundo Washington, a ofensiva da noite de terça-feira atingiu instalações ligadas a mísseis, drones, capacidades navais e sistemas de defesa costeira do Irã. A República Islâmica afirmou que várias regiões foram atingidas entre terça e esta quarta, incluindo Bandar Abbas, a ilha de Qeshm — localizada no Estreito de Ormuz —, Ahvaz, no sudoeste do país, e a cidade portuária de Bushehr, onde está localizada a única usina nuclear civil iraniana. De acordo com a agência estatal Irna, três locais em Bushehr foram bombardeados por forças americanas. Pelo menos sete militares e mais de 30 civis iranianos morreram em bombardeios americanos contra o país, disse o governo iraniano. Em resposta, Teerã lançou ataques contra instalações americanas em países do Golfo. A Guarda Revolucionária afirmou ter atingido bases militares dos EUA no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. A ofensiva, disse, foi uma reação ao envio de forças navais americanas ao Oceano Índico para controlar o estreito: “[Washington deve] se preparar para o fechamento de todos os demais corredores de exportação que beneficiam os Estados Unidos”, acrescentou. “As exportações regionais de energia ou são compartilhadas por todos, ou serão negadas a todos”. Via estratégica Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que o Irã sinaliza a possibilidade de recorrer aos houthis, no Iêmen, para fechar também o estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e por onde passam exportações de petróleo da Arábia Saudita e parte do comércio marítimo global. A iniciativa abriria uma nova frente contra Washington e colocaria em risco duas das mais importantes rotas de transporte de energia do mundo. Um alto dirigente houthi disse na segunda-feira que o grupo estava preparado para fechar a hidrovia — o que, segundo ele, poderia elevar o preço do petróleo para US$ 200 por barril — caso a Arábia Saudita continuasse atacando o Iêmen, publicou a emissora iraniana Press TV. As forças houthis lançaram mísseis contra a Arábia Saudita após acusarem o reino de bombardear, na segunda-feira, um aeroporto sob seu controle. Como consequência da guerra, o Irã vem tentando estabelecer controle permanente sobre a navegação por Ormuz e cobrar taxas das embarcações que passam pela via marítima, o que representaria uma mudança significativa no equilíbrio de poder. Segundo a Organização Marítima Internacional, vários petroleiros foram atacados no estreito desde a noite de segunda-feira, deixando pelo menos dois mortos e vários feridos. Os Estados Unidos afirmam que sete embarcações comerciais foram atingidas pelo Irã na última semana. Os Emirados Árabes Unidos informaram que dois petroleiros do país foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos, deixando um tripulante indiano morto e outros oito feridos, quatro deles em estado grave. A Guarda Revolucionária confirmou o ataque e afirmou que as embarcações haviam ignorado advertências e tentado atravessar uma rota minada. Enquanto isso, o Kuwait disse nesta quarta-feira ter interceptado novos drones iranianos, e a Jordânia anunciou ter derrubado três mísseis balísticos disparados pelo Irã. Novas sanções Além da ofensiva militar, Washington anunciou novas sanções contra a rede de petroleiros ligada ao empresário Mohammad Hossein Shamkhani, acusado pelos Estados Unidos de facilitar as exportações de petróleo iraniano. Segundo o Departamento do Tesouro americano, mais de 50 pessoas, entidades e embarcações foram incluídas na nova rodada de sanções, elevando para mais de 200 o número de alvos ligados à rede Shamkhani. O departamento também congelou US$ 130 milhões em criptomoedas mantidas em carteiras digitais ligadas ao Banco Central do Irã. Especialistas afirmam que plataformas de ativos digitais têm sido usadas para contornar as sanções impostas à Guarda Revolucionária do Irã e também como um refúgio financeiro para civis afetados pela disparada da inflação. O país está amplamente isolado do sistema financeiro global devido às sanções impostas antes mesmo da guerra, e as criptomoedas passaram a oferecer uma forma de transação. “Continuaremos seguindo agressivamente o rastro do dinheiro e negando ao regime iraniano acesso aos recursos provenientes de seus esquemas ilícitos de arrecadação”, escreveu o secretário da pasta, Scott Bessent, em publicação no X. Troca de ameaças Analistas afirmam que, embora EUA e Irã tenham voltado aos confrontos que mantinham antes do acordo de cessar-fogo provisório assinado há quase um mês, é improvável que retornem a uma guerra em larga escala, embora o risco de nova escalada permaneça. Ainda assim, o retorno do bloqueio naval levou autoridades iranianas a afirmarem que Washington rompeu o entendimento firmado entre os dois países em junho, rejeitando a possibilidade de que o aumento da pressão militar e econômica leve Teerã de volta às negociações. — A decisão dos Estados Unidos, de certa forma, desmantelou o protocolo de acordo — afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi. — Se os Estados Unidos acreditam que, ao endurecer as medidas contra nós, com suas ações militares e seu bloqueio econômico, voltaremos às negociações, estão cometendo um erro — disse. Por sua vez, o presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar ampliar a ofensiva caso o Irã não aceite retomar o diálogo. À rede conservadora Fox News, o republicano sugeriu que atacaria pontes e usinas de energia do Irã na próxima semana caso o país não volte à mesa de negociações. Segundo Trump, negociadores dos Estados Unidos disseram aos representantes iranianos que “é melhor eles fecharem um acordo, ou não vai sobrar nada”. — Na próxima semana, a situação ficará muito ruim para eles. Vamos destruir todas as usinas de energia deles. Vamos destruir todas as pontes deles, a menos que sentem à mesa e negociem — disse o presidente. — Vou deixar os alvos de energia por último, mas, no fim das contas, vamos atingir alvos de energia. Em abril, Trump já havia ameaçado bombardear infraestrutura civil no Irã, incluindo pontes e usinas de energia. Na ocasião, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse que “atacar deliberadamente civis e infraestrutura civil constitui crime de guerra”. As Convenções de Genebra de 1949, que estabelecem normas humanitárias para conflitos armados, proíbem ataques contra locais considerados essenciais para a população civil. Veja fotos do Estreito de Ormuz, foco de tensão entre Irã e Estados Unidos 1 de 12 Navio comercial visto da costa de Dubai em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 2 de 12 Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã — Foto: Reprodução/Nasa X de 12 Publicidade 12 fotos 3 de 12 Navios na costa de Dubai em meio à crise no Estreito de Ormuz — Foto: AFP 4 de 12 Imagem de satélite mostra a localização do Estreito de Ormuz — Foto: Divulgação/Nasa via AFP X de 12 Publicidade 5 de 12 Navio é visto perto da costa de Ras al-Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho do Estreito de Ormuz — Foto: AFP 6 de 12 Navio da Guarda Revolucionária em exercício no Estreito de Ormuz — Foto: SEPAH NEWS / AFP X de 12 Publicidade 7 de 12 Lancha se aproxima de navio no Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe CACACE / AFP 8 de 12 Lancha trafega pelo Estreito de Ormuz perto da costa dos Emirados Árabes Unidos — Foto: FADEL SENNA / AFP X de 12 Publicidade 9 de 12 Cargueiro tailandês foi atacado perto do Estreito de Ormuz, no último dia 11 — Foto: AFP 10 de 12 Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz — Foto: Giuseppe Cacace/AFP X de 12 Publicidade 11 de 12 Petroleiros seguem fundeados no Terminal de Carga de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, no Estrei no Ormuz — Foto: AFP 12 de 12 Navio da Marinha iraniana participa de exercícios navais na região do Estreito de Ormuz — Foto: EBRAHIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO X de 12 Publicidade Passagem crucial para o comércio mundial é tema central na guerra entre países Trump também recuou da proposta anunciada na segunda-feira de cobrar uma taxa de 20% sobre cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz em troca da proteção da rota marítima. Em vez disso, afirmou que buscará acordos de comércio e investimentos com os países do Golfo. A Organização das Nações Unidas manifestou preocupação com as “graves consequências socioeconômicas e humanitárias” do bloqueio da rota marítima, considerada essencial para o abastecimento mundial de energia e da qual dependem milhões de pessoas. Dados de navegação mostram que o tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu para o menor nível em dois meses, enquanto os preços internacionais do petróleo voltaram a subir. (Com AFP)
Em troca de ameaças, Trump sugere ataque a pontes e usinas de energia do Irã, e Teerã sinaliza bloqueio de outras vias marítimas
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