As tensões voltaram a se intensificar no Golfo Pérsico nesta quarta-feira, com um ataque de mísseis iranianos contra o aeroporto do Kuwait e bombardeios de militares americanos nas proximidades do Estreito de Ormuz. A nova escalada, que ocorre enquanto as negociações entre os dois países mostram sinais de estagnação, aumenta os riscos de prolongar um conflito que já dura três meses e que gerou uma crise energética global. Os ataques são os mais recentes a testar um frágil cessar-fogo em vigor desde meados de abril e fizeram os preços do petróleo subirem mais de 2% no início da sessão desta quarta-feira, enquanto o Estreito de Ormuz continua em grande parte fechado mais de três meses após os ataques iniciais dos EUA e de Israel contra o Irã. Os voos no Aeroporto Internacional do Kuwait foram suspensos depois que um ataque iraniano com drones e mísseis danificou instalações aeroportuárias e missões diplomáticas, matando uma pessoa e ferindo outras, segundo autoridades e a imprensa estatal do Kuwait. A autoridade de aviação civil informou que a Kuwait Airways estava retomando os voos gradualmente a partir do terminal 4, após avaliar os danos e adotar medidas de segurança. O Exército do Bahrein afirmou ter interceptado três mísseis e vários drones, enquanto o Irã disse ter atacado o quartel-general da Quinta Frota dos EUA no país, além de uma base aérea e helicópteros em outro Estado da região não especificado. Os militares dos EUA afirmaram que dois mísseis iranianos lançados em direção ao Kuwait caíram antes de atingir o alvo ou se desintegraram durante o voo, enquanto vários mísseis balísticos não conseguiram atingir seus objetivos na região. As trocas de ataques vêm ocorrendo desde a semana passada, apesar de os dois lados terem sinalizado avanços rumo a um acordo preliminar para interromper a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. O memorando de entendimento, que deixaria negociações de temas mais complexos, como o programa nuclear do Irã, para uma etapa posterior, não foi formalizado, dando lugar a uma nova rodada de hostilidades. Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou na terça-feira que o Irã não permitirá que os Estados Unidos “ultrapassem os limites” nas negociações nem nos arranjos do cessar-fogo. Em uma publicação na rede X, ele advertiu que qualquer agressão seria respondida com uma barragem de mísseis e drones. Anwar Gargash, assessor diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, disse que os ataques repetidos contra Kuwait e Bahrein exigem uma resposta firme, unificada e coesa dos países do Golfo. “A agressão não tem como alvo apenas um país, mas todos nós”, escreveu ele no X. Em novos sinais de escalada, os militares dos EUA disseram ter abatido drones que tinham como alvo navios civis em águas da região e forças americanas no Kuwait, além de terem realizado ataques contra a ilha de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz, após tentativas de ataques iranianos. A imprensa iraniana informou que a Marinha da Guarda Revolucionária atacou com mísseis uma embarcação identificada como Panaya, em resposta ao que classificou como um ataque americano contra um petroleiro iraniano próximo a Ormuz. “Perturbar a segurança do Estreito de Ormuz terá um preço alto para os militares dos Estados Unidos”, citaram os meios de comunicação iranianos, reproduzindo declaração da Guarda Revolucionária. Ontem, a imprensa iraniana informou que Teerã não mantinha contato com Washington havia vários dias, embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado que as negociações continuam. Desde meados de março, Trump tem repetidamente declarado estar próximo de um acordo para encerrar os combates e abrir caminho para negociações sobre questões delicadas, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano. Em uma entrevista para podcast divulgada nesta quarta-feira, Trump afirmou que o Irã concordou em não possuir armas nucleares e que Khamenei participa das negociações. “Eles já concordaram que não vão ter uma arma nuclear”, declarou. Trump tem afirmado que sua principal prioridade é impedir que o Irã obtenha armamentos nucleares. O Irã nega estar desenvolvendo uma bomba atômica e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Como parte de qualquer acordo, Teerã busca o fim dos combates no Líbano, acesso a bilhões de dólares em receitas do petróleo, isenções para exportações de petróleo bruto, a suspensão do bloqueio americano a seus portos e a manutenção de influência sobre o Estreito de Ormuz. Vista aérea de embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz , a partir de Musandam, Omã, em 3 de junho de 2026. — Foto: REUTERS/Stringer