Como o Exército mais poderoso do mundo está sendo desafiado na guerra no Oriente MédioEntenda como tecnologias simples estão desafiando o poder militar dos Estados Unidos. Crédito: Imagens: AFP/Edição: Laís NagayamaO emprego de militares americanos em território iraniano se tornou bastante provável. O anúncio da mobilização dos fuzileiros navais, paraquedistas e tropas terrestres aponta para dois objetivos possíveis: pressionar o Irã a aceitar as condições americanas ou intervir para pôr fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz. Por definição, uma tática dissuasória só tem o efeito de modelar o comportamento do adversário se prenunciar um cenário que ele considera mais prejudicial do que a concessão exigida. Esse não parece ser o caso do Irã. Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro de 2026, atacando o Irã e matando seu líder supremo. O Irã retaliou com ataques em todo o Golfo Foto: ODD ANDERSEN/AFPPUBLICIDADEA Guarda Revolucionária Islâmica se preparou desde o seu surgimento, em 1979, para esse confronto: na luta contra liberais e esquerdistas em seguida à revolução daquele ano; na guerra Irã-Iraque de 1980-88; na cooperação com Hezbollah, Houthis e milícias xiitas no Iraque e na Síria. PublicidadeOs exemplos do Vietnã, Afeganistão e Iraque provam que a superioridade tecnológica perde importância no corpo-a-corpo contra combatentes que conhecem o terreno e se protegem em túneis, trincheiras, prédios e montanhas. E não havia drones então. A 82ª Divisão Aerotransportada é uma força de resposta rápida treinada para descer atrás das linhas do inimigo e tomar instalações estratégicas. Os marines são uma força expedicionária capaz de proteger rotas marítimas e infraestrutura crítica. Veja mais EUA e Irã terão encontro para negociações no Paquistão ‘em breve’, diz ministro alemãoA guerra do outro lado da praia: pequena cidade de Omã vive dias de tensão no Estreito de OrmuzIrã tenta formalizar controle sobre Estreito de Ormuz com sistema de ‘pedágio’Tropas terrestres, infantaria e veículos blindados comporiam uma terceira camada, para garantir a conquista dessas posições avançadas por mais tempo. Esse plano indica compreensão política por parte do presidente Donald Trump de que o desfecho dessa campanha não pode ser o controle do Estreito de Ormuz pelo regime iraniano - algo que nunca ocorreu -, porque levaria à conclusão de derrota. Num cenário de guerra e controle do estreito até junho, por exemplo, as projeções indicam um barril de petróleo a US$ 200 e o galão de gasolina a US$ 8 – ante US$ 70 e US$ 2,90 antes da crise. PublicidadePor outro lado, essa guerra já é impopular sem o emprego de tropas terrestres e as prováveis baixas que ele implica. Trump tem de escolher entre duas fontes de insatisfação dos americanos.
Opinião | Incursão terrestre dos EUA no Irã é cada vez mais provável
Regime iraniano não tem motivos para abrir mão do controle sobre o Estreito de Ormuz e de suas exigências








